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m de leitura Atualizado em 08/03/2022, 11:49

Civis da Ucrânia deixam cidades atacadas pela Rússia em 4ª tentativa de corredor humanitário

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terça-feira, 08 de março de 2022


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia abriu nesta terça-feira (8) novos corredores humanitários para retirada de civis de cidades que estão sendo atacadas na Ucrânia. Moradores de Sumi, no nordeste do país, e Irpin, nos arredores da capital, Kiev, começaram a deixar os locais, de acordo com autoridades ucranianas.

Trata-se da quarta tentativa de deslocamento dos civis. As três anteriores foram frustradas por violações dos acordos de cessar-fogo temporário em meio a troca de acusações entre Kiev e Moscou.

O Kremlin havia proposto na segunda-feira (7) a criação de seis corredores humanitários, alguns dos quais levariam os civis para a própria Rússia e para a ditadura aliada da Belarus. A Ucrânia rejeitou a proposta e acusou Moscou de tentar manipular a opinião internacional —visão compartilhada por líderes ocidentais.

O acordo para cessar-fogo temporário desta terça entrou em vigor às 10h (4h em Brasília). Pouco depois, o governo ucraniano divulgou imagens de civis embarcando em um ônibus de comboio humanitário.

"Já começamos a retirada de civis de Sumi para Poltava [região central da Ucrânia]. Pedimos que a Rússia aceite outros corredores humanitários na Ucrânia", disse o chanceler Dmitro Kuleba, numa rede social.

Além de Sumi, foram planejados corredores humanitários na capital, Kiev, e em outras três cidades ucranianas: Tchernihiv, Kharkiv e Mariupol, segundo a agência de notícias Interfax.

Em Mariupol, porém, o Ministério de Defesa ucraniano acusou a Rússia de não respeitar a trégua.

"O inimigo lançou um ataque exatamente na direção do corredor humanitário", disse a pasta nas redes sociais. "[O Exército russo] não deixou que as crianças, as mulheres e os idosos abandonem a cidade.

Mariupol tem uma posição estratégica para os interesses do Kremlin no território ucraniano. Se tomada pelas forças russas, a cidade se tornaria uma ponte terrestre entre a região do Donbass —onde estão as regiões dominadas por separatistas e cuja independência Moscou reconheceu— e a Crimeia, que a Rússia já anexou em 2014 e é base da Frota do Mar Negro russa.

A operação para a retirada dos moradores foi acordada nesta segunda, durante a terceira rodada de negociações sobre o conflito em Belovejskaia Puscha, na Belarus. O encontro, no entanto, não teve outros desdobramentos significativos

"Vamos tentar de novo", escreveu Mikhailo Podolak, chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, em referência à nova empreitada para retirar civis das áreas mais afetadas pelo conflito. Segundo ele, o acordo para o corredor humanitário de Sumi foi aceito pelas duas partes.

A vice-premiê ucraniana, Irina Vereshchuk, disse que o Ministério da Defesa da Rússia se comprometeu, em uma carta enviada à Cruz Vermelha, a respeitar o corredor. A trégua deveria acontecer das 9h às 21h locais (4h às 16h de Brasília). Ela alertou, porém, para o risco de ataques mesmo com o início da retirada.

"Temos informações de que o lado russo planeja perturbar este corredor e de que há manipulações para obrigar as pessoas a seguir outro itinerário que não está coordenado [com os ucranianos]", disse.

Antes da abertura dos corredores humanitários, ao menos 21 pessoas —incluindo duas crianças—foram mortas durante um bombardeio em Sumi. A cidade, localizada a 350 km ao leste de Kiev, tem sido palco de combates violentos há vários dias.

"Aviões inimigos atacaram de maneira insidiosa edifícios residenciais", disse o serviço de emergência ucraniano. Os socorristas conseguiram resgatar ao menos uma mulher que estava presa sob escombros.

Também nesta terça (8), Alexander Darchiev, diretor do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, disse que o país gostaria de ver de volta o "princípio de coexistência pacífica" vigente nas quatro décadas da Guerra Fria com os EUA. Segundo ele, Moscou ainda acredita ser possível manter um diálogo respeitoso e honesto com Washington, apesar das divergências devido à Ucrânia e a outras questões geopolíticas.