|
  • Bitcoin 121.533
  • Dólar 5,1665
  • Euro 5,2505
Londrina

Últimas Notícias

m de leitura Atualizado em 07/03/2022, 06:01

Chegada de russos a Odessa é iminente, diz prefeito

PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de março de 2022

ANDRÉ LIOHN
AUTOR autor do artigo

menu flutuante

ODESSA, UCRÂNIA (FOLHAPRESS) - Cada pessoa reunida neste salão conversou com dez conhecidos na Rússia. Ligamos e dissemos a eles o que o Exército russo está fazendo com a Ucrânia", conta Vadim Tereschuk, vereador da cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia.

"Uma das respostas que recebi de um antigo colega foi que nós, ucranianos, 'fomos uma merda nos sapatos da Rússia'. E foi uma pessoa bem educada que me disse isso!"

Tereschuk continua: "Os russos dizem: 'Temos que defender nosso país'. Eu respondo que a Rússia de Putin não é deles, que eles são escravos do regime de Putin. A algema que o escravo usa não é dele, é de quem o domina. Vladimir Putin é um ditador que está mandando seus escravos para o inferno".

Na tarde de sábado (5), o conselho municipal de Odessa, sob a liderança do prefeito Gennadi Trukhanov, convocou uma reunião. Os políticos tiveram que se encontrar em um escritório onde antes funcionava um banco, agora abandonado. O edifício da prefeitura era perigoso demais para ser usado por eles.

A poucos quilômetros de distância dali, no mar Negro, a frota russa de guerra aguarda uma ordem para atacar Odessa, a última cidade do sul do país ainda sob total controle do governo ucraniano.

"Relatórios que recebemos dos militares ucranianos mostram que navios de guerra da Rússia passam aqui pela costa o tempo todo. É óbvio que eles estão se preparando para um desembarque em breve", diz Trukhanov.

"Se nós perdermos esta parte do mar Negro, ficaremos trancados sem acesso ao mar. A ocupação russa da cidade de Odessa seria um desastre para toda a economia ucraniana", afirma o prefeito.

No domingo (6), o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, falou que as forças russas estão se preparando para bombardear Odessa.

Grande parte das exportações de trigo da Ucrânia deixam o país por meio dos portos dessa região --Ucrânia e Rússia, juntos, respondem por 25% das exportações mundiais dessa commodity.

"Putin está disposto a destruir Odessa para atingir seus objetivos?", pergunto ao prefeito. "Prefiro não acreditar, mas quando vejo o que aconteceu em cidades como Kharkiv, Chernihiv, Mikolaiv e Kherson, não tenho mais dúvidas de que Putin está disposto a usar todos os métodos para atingir seus objetivos. Mesmo que para isso ele coloque Odessa completamente em ruínas", diz Trukhanov.

Quase no mesmo momento em que a reunião do conselho de Odessa começava, dois caças russos foram abatidos pelas Força Aérea ucraniana, de acordo com o comando militar da região.

"A guerra sangrenta continua, e o inimigo está ficando mais fraco a cada dia. Mas os russos estão usando ativamente a Força Aérea contra nós. Fechar o espaço aéreo é o que pode fazer a diferença", afirmou Trukhanov ao jornal norueguês DN.

"Quero pedir a todos os prefeitos das nossas cidades-irmãs que nos ajudem a convencer os líderes de seus países a fechar o espaço aéreo sobre a Ucrânia. Somente isso pode salvar Odessa", diz ele.

Enquanto os membros do conselho assinam o documento com o pedido de ajuda direcionado a todas as cidades-irmãs, um dos vereadores começa a chorar.

O apelo dos vereadores de Odessa é um eco da Segunda Guerra Mundial. A ideia de cidades-irmãs surgiu na época para forjar laços entre regiões devastadas pelo conflito.

Depois do bombardeio de Coventry, em 1940, mais de 800 mulheres da cidade britânica bordaram seus nomes e a frase "pouca ajuda é melhor que grande simpatia" em uma tela e a enviaram, com uma quantia em dinheiro, para as vítimas da Batalha de Stalingrado. Em 1944, Coventry e Stalingrado (hoje hamada de Volgogrado) formalizaram acordos de cooperação. Depois vieram outros.

Depois da invasão da Ucrânia por Putin, diversas cidades europeias romperam seus acordos de amizade com localidades da Rússia.

"Vemos que as pessoas esqueceram a lição da Segunda Guerra, não adianta negociar com um ditador. A Rússia é incapaz de viver com um país livre como vizinho, é contra a mentalidade do ditador. Temos um bom crescimento econômico e somos vistos como uma ameaça. É por isso que querem nos matar?", afirma Trukhanov.

A entrada do banco desativado, onde os políticos se encontraram, é protegida por uma barricada de sacos de areia com 1 m de altura. Do lado de fora, um pequeno grupo de soldados armados com metralhadoras acompanha todos os movimentos nos arredores.

"Não sei o que acontecerá com a Ucrânia, mas estou certo de que, em três anos, a Rússia não existirá como a conhecemos. A Rússia vai destruir a si própria. Eles bloquearam grande parte da internet e sufocaram a oposição, mas não conseguem fechar tudo. Não podem isolar todos da verdade", diz o vereador e advogado Vadim Tereschuk.