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m de leitura Atualizado em 14/03/2022, 16:46

Caso Arthur do Val é mais chocante que o de Cury, diz provável relator do processo

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de março de 2022

FÁBIO ZANINI
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Convidado para ser relator do processo de punição de Arthur do Val (sem partido) na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado Delegado Olim (PP) disse à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que considera o caso do parlamentar do Movimento Brasil Livre (MBL) mais chocante que o de Fernando Cury (sem partido).

Do Val, conhecido como Mamãe Falei, enviou a amigos áudios com comentários sexistas sobre mulheres ucranianas depois de ter visitado o país. Cury apalpou a deputada Isa Penna (PSOL) durante uma sessão no plenário em dezembro de 2020 e teve seu mandato suspenso por seis meses.

"Não dá nem para comparar. São coisas bem diferentes. Um estado de guerra que está o mundo inteiro olhando lá… O Cury foi aqui uma coisa meio idiota, da qual ele com certeza vai se arrepender o resto da vida. E tem uma diferença: o Cury é querido na Alesp inteira. O Arthur do Val gosta de arrumar confusão para dar mídia e postar nas redes sociais dele. Ele é meu amigo, hein? Gosto dele, nunca tive problema com ele. Mas acho que agora ele exagerou um pouco para dar 2, 3 milhões de visualizações", afirma Olim.

Olim lista as opções possíveis de punição para Arthur: advertência, censura escrita ou verbal, suspensão do mandato ou cassação. Ele diz que se manifestará apenas nos autos sobre qual será sua recomendação, depois que o deputado fizer sua defesa.

"Vou fazer uma investigação do tipo policial. Em casos muitos maiores que esses eu consegui colocar os caras atrás das grades. Casos em que você sabia que era a pessoa mas precisava colocar na cena do crime. E eu consegui colocar e penalizar algumas pessoas. no caso dele nós vamos ouvir e ver o que for melhor", diz Olim.

"A Alesp também não pode passar a mão na cabeça de ninguém. A população está cobrando da gente uma posição. E eu acho que a gente tem que correr e fazer uma coisa mais ou menos que a população deseje e assim quer", completa.

O parlamentar também indica que incluirá no relatório uma investigação sobre as doações que o MBL diz ter feito para ucranianos.

"Tem mais um problema de dinheiro, que foi depositado e só depois foi cobrado. É algo que preciso dar uma estudada. Foi para lá, com a vulnerabilidade das pessoas que estavam lá, em outro país. Tudo bem, falou entre amigos, mas mostrou o que ele pensa, ou não, ou foi uma brincadeira. Mas o local e o lugar? Não sei se eu conseguiria olhar com outros olhos em uma situação de guerra dessas, com crianças, maridos na guerra", afirma Olim.

Ele aproveita para criticar a postura do movimento do qual Arthur é um dos líderes.

"Essa turminha que chegou do MBL são todos os mais honestos, os mais corretos, eles são os melhores. Então está na hora de começarem a acordar de que não são nada disso. Agora está caindo a carapuça deles e mostrando a cara de cara um", afirma o parlamentar.

Deputadas que compõem o Conselho de Ética criticaram a escolha de Olim para a relatoria e disseram que seria importante que fosse uma mulher. Ele foi convidado para o posto, mas a nomeação oficial do relator só ocorre mais adiante no processo, depois que Arthur do Val apresentar a sua defesa.

"Teve uma mulher na última do Fred D´Ávila [Marina Helou foi relatora de processo em que D´Ávila chamou o papa Francisco de 'vagabundo'] . Isso não tem nada a ver. O cargo é deputado, não é homem nem mulher. Tenho que fazer minha parte em cima do que a maioria quer. E nós vamos estudar. Não dou nem bola [para as críticas", diz o deputado.

Ele completa dizendo que é mentira a afirmação de que a esquerda é a única ao lado das mulheres e afirma que não é de direita nem de extrema-direita.

"Sou a favor do bem. Tanto que fiz o caso da Mércia Nakashima. Ninguém defendeu mais a mulher que eu. A CPI das mulheres sou eu o presidente. Onde está esse pessoal para ser presidente disso tudo? O que fizeram pelas mulheres? Eu já fiz muito. Quantas mulheres que foram vítimas de homicídio e eu fui lá e prendi [os assassinos]?", conclui o deputado.

Arthur do Val, o Mamãe Falei, viajou ao leste europeu na companhia de Renan Santos, líder do MBL (Movimento Brasil Livre), com a justificativa de que ajudariam a população ucraniana.

Nos áudios, o pré-candidato ao Governo de São Paulo teria afirmado que as ucranianas são "fáceis" de pegar por serem pobres —e que a fila de refugiados da guerra tem mais mulheres bonitas do que a "melhor balada do Brasil".