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m de leitura Atualizado em 07/03/2022, 12:28

Campanha de Bolsonaro aposta em Michelle para diminuir rejeição entre mulheres

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de março de 2022

JULIA CHAIB, MARIANNA HOLANDA E RICARDO DELLA COLETTA
AUTOR autor do artigo

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Diante da alta rejeição de Jair Bolsonaro (PL) entre as eleitoras, o entorno do presidente passou a defender maior participação da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, na campanha em busca da reeleição.

A avaliação do núcleo que define a estratégia eleitoral de Bolsonaro é a de que Michelle é carismática e pode ajudar a humanizar a imagem do chefe do Executivo, que conta com a rejeição de 61% das mulheres, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha.

De acordo com o mesmo levantamento, 55% da população feminina avalia o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo.

Atuante nas redes sociais, Michelle tem tido papel discreto no governo, mas atua em projetos de caridade e é militante da causa de doenças raras. Na última semana, no Palácio do Planalto, participou de um evento sobre o tema.

Neste domingo (6), ela saiu para correr em área pública, perto do Palácio da Alvorada, e se deixou ser fotografada.

A avaliação na campanha do presidente é que Michelle é articulada e agrega positivamente à imagem de Bolsonaro. Segundo interlocutores, ela teria se mostrado disposta a ter um papel mais atuante na disputa.

Desta forma, o objetivo será aproveitar o potencial dela tanto em viagens ao lado do mandatário como nas propagandas partidárias que serão exibidas.

Líderes do PL, inclusive, gostariam de filiar a primeira-dama, mas ela não demonstrou estar à disposição.

Michelle tem ajudado, contudo, na ida de outras mulheres para o partido do clã Bolsonaro. Na semana passada, por exemplo, Michele foi à filiação de Ana Amália Barros, influenciadora digital e ativista dos direitos de monoculares. Amália será candidata a deputada federal em Mato Grosso.

Evangélica da Igreja Batista Atitude de Brasília, a primeira-dama também acompanhou com entusiasmo a indicação e aprovação de André Mendonça para a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

No ano passado, após ter o nome chancelado pelos senadores, a imagem de comemoração de Michelle, falando "a língua dos anjos", acompanhada pelo ministro, sua família e parlamentares, causou frisson nas redes sociais.

Integrantes do governo saíram em sua defesa contra o que chamaram de intolerância religiosa. A primeira-dama, segundo relatos, foi essencial para garantir que o presidente não cedesse às pressões, inclusive de aliados mais próximos, e mantivesse a indicação de Mendonça à vaga.

Também no quesito pandemia, a primeira-dama tem uma postura que difere do marido e pode ajudá-lo com o eleitorado feminino. Enquanto Bolsonaro nunca usou máscaras, Michelle faz uso do equipamento e proteção em eventos no Palácio do Planalto e em viagens oficiais.

Além disso, a primeira-dama se vacinou. Ao contrário de Bolsonaro.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, a maior preocupação do núcleo de campanha do presidente é com a pandemia. Sua posição negacionista, em especial quanto à vacinação contra a Covid-19, tem levado a um desempenho ruim nas pesquisas.

Por isso, ele tem sido pressionado a abandonar esse discurso. Mais além, defendem que o chefe do Executivo se vacine e exalte feitos do governo que possibilitaram a imunização da população.

O cálculo é eleitoral: além dos mais de 630 mil mortos pelo vírus, mais de 70% da população brasileira já completou o esquema vacinal.

A rejeição das eleitoras ao presidente passa por seu comportamento antivacina. Assim, aliados de Bolsonaro passaram a tratar Michelle como figura central na tentativa de humanizá-lo.

Auxiliares palacianos dizem haver um descompasso entre o que o governo tem feito e o que Bolsonaro tem dito sobre a vacinação.

Alguns aliados veem como impossível uma mudança completa de postura do presidente, mas defendem que ele, ao menos, diga que sua administração já comprou mais de 500 milhões de doses.

A tentativa de humanizar a imagem de Bolsonaro não é de hoje. Ele já tinha dificuldades com o eleitorado feminino em 2018 e foi alvo de uma onda de protestos #EleNão.

Adversários exploraram falas machistas do então candidato, em especial quando se referiu à sua filha, Laura, como uma "fraquejada".

Sua campanha, então, passou a incluir a menina nas peças de Bolsonaro. Em um vídeo, ele chegou a chorar ao contar a história do nascimento da menina, que na época da eleição tinha 7 anos.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro, então candidato ao Senado, compartilhou o vídeo dizendo: "O lado humano do meu pai Jair Bolsonaro que muitos não conhecem. Ele sempre resistiu em externar isso, mas é o mais puro e verdadeiro sentimento dele, especialmente em relação às mulheres".

Pesquisa Datafolha de intenção de voto em dezembro de 2021 mostrou que 61% das eleitoras dizem que não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro, o mais mal avaliado entre todos. Na sequência, aparecem Lula, com 32%, e João Doria, com 29%.

Mais recentemente, o presidente chegou a ironizar sua rejeição entre eleitoras.

"Segundo pesquisa, as mulheres não votam em mim, a maioria vota na esquerda. Agora, não sei, pesquisa a gente não acredita, mas se há reação por parte das mulheres, faz uma visitinha em Pacaraima, Boa Vista, nos abrigos, e vê como é que estão as mulheres fugindo do paraíso socialista defendido pelo PT", disse a apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada.

O tom do presidente destoa da preocupação de seus aliados. Uma ala defende que o melhor seria ter uma vice para sua chapa, que seria a ministra Tereza Cristina -por ser mulher e ter um perfil mais moderado que o presidente.

Bolsonaro, contudo, tem refutado essa possibilidade. Interlocutores dão como certo que ele escolherá o general Braga Netto, ministro da Defesa. Nesta configuração, Tereza disputaria o Senado pelo Mato Grosso do Sul no PP.

O chefe do Executivo quer alguém que seja da sua absoluta confiança, não um nome bem quisto pelo centrão.

Ele teme que num eventual segundo mandato tenha o mesmo destino que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT): impichada pelo Congresso e não tinha boas relações com o vice Michel Temer (MDB), acusado de conspirar contra ela.