Brasil deve ter menor crescimento entre as dez maiores economias
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quinta-feira, 29 de abril de 2021
EDUARDO CUCOLO 
<p>SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil terá o pior desempenho econômico entre as dez maiores economias mundiais, considerando o critério da PPC (paridade de poder de compra), que reflete as diferenças de custo de vida entre os países.
</p><p>É o que mostra estudo feito a pedido da reportagem pelos economistas Claudio Considera e Juliana Trece, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), com base em dados e projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgados em abril.
</p><p>Se for considerado o tamanho das economias mundiais com base na PPC, o Brasil deve manter em 2021 a 8ª posição pelo terceiro ano seguido. Em 2018, era o sétimo.
</p><p>Em 2020, o Brasil conseguiu reduzir a distância para a maioria dos países que estão à sua frente, exceto em relação a China e Indonésia, que tiveram desempenho econômico melhor.
</p><p>Em 2021, as sete maiores economias do planeta terão performance superior à brasileira, segundo a estimativa do FMI, que é mais otimista que a do governo brasileiro.
</p><p>O país não deve perder posições no ranking neste ano, se a projeção se confirmar, mas ficará próximo de ser ultrapassado por França e Reino Unido, atuais 9º e 10º colocados, que também vão crescer mais em 2021.
</p><p>O Fundo projeta crescimento de 3,7% para o Brasil neste ano. O Ministério da Economia, de 3,2%. A estimativa do mercado está em 3,09%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central. A média mundial é uma expansão de 6%, segundo projeção do FMI.
</p><p>Pelo critério do PPC, a China é a maior economia mundial, seguida por EUA, Índia, Japão, Alemanha, Rússia, Indonésia e Brasil. A série histórica do ranking PPC foi alterada por causa da revisão para cima do PIB brasileiro de 2018 e 2019, melhorando a colocação do país na lista inicialmente, estimou-se queda do Brasil no ranking nesses dois anos.
</p><p>No ano passado, o Brasil teve uma queda do PIB de 4,1%, acima da média mundial de 3,3%, além de uma desvalorização da sua moeda de cerca de 30%, um dos piores desempenhos internacionais.
</p><p>Em 2021, o câmbio não deve se desvalorizar tanto. No ano passado, o dólar passou de R$ 4,03 para R$ 5,20. As expectativas de mercado indicam uma taxa de R$ 5,40 no fim deste ano.
</p><p>"Mesmo que o real não se desvalorize tanto neste ano, você vai ter um crescimento menor do que no resto do mundo jogando contra, porque nós não cuidamos direito da pandemia", diz Considera.
</p><p>Segundo ele, mesmo que o país tenha uma recuperação em "V", como afirma o governo, o crescimento deste ano não vai repor as perdas de 2020, e, mesmo que isso ocorresse, o país voltaria para o patamar de crescimento muito baixo verificado de 2017 a 2019.
</p><p>A expectativa do Ibre é uma variação do PIB próxima de zero no primeiro trimestre, o que pode se repetir em abril e maio, com ganho de tração nos três meses seguintes e uma nova desaceleração a partir de setembro.
</p><p>"O segundo trimestre vai depender do quanto você vai conseguir vacinar de gente, porque o setor mais importante da economia, que é o de serviços, depende de interação social. Ou tem população vacinada ou não tem interação social", afirma o economista do FGV Ibre.
</p><p>Além do critério da PPC, o Fundo compara o tamanho das economias considerando o valor do PIB de cada país em dólares a preços correntes.
</p><p>Nesse caso, o Brasil caiu da 9ª posição ocupada em 2018 e 2019 para a 12ª posição em 2020, sendo ultrapassado por Canadá, Coreia do Sul e Rússia. A queda já havia sido projetada por um estudo do Ibre divulgado em novembro.
</p><p>Para 2021, a projeção do FMI indica que o país deve perder mais uma posição, para a Austrália, segundo cálculos dos economistas do FGV Ibre.
</p><p>Por esse critério, os EUA são a maior economia mundial, seguidos por China, Japão e Alemanha. Até 2014, antes da recessão iniciada naquele ano, o Brasil era a 7ª maior economia por esse critério.
</p><p>As projeções do FMI também mostram que o Brasil recuou no ranking global dos países com maior PIB per capita em 2020 e deve continuar a perder posições nos próximos anos. A queda do Brasil no ranking ocorre pelo menos desde 1980, quando o país estava entre os 50 maiores. Em 2020, ficou com a 85ª posição entre os cerca de 195 países para os quais há dados.</p>


