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m de leitura Atualizado em 28/03/2022, 22:06

Bolsonaro decide demitir presidente da Petrobras (1)

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de março de 2022

JULIA CHAIB, JULIO WIZIACK E RICARDO DELLA COLETTA
AUTOR autor do artigo

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, recebeu nesta segunda-feira (28) a comunicação de que deixará o comando da estatal e que será substituído por Adriano Pires.

A informação tinha sido confirmada à reportagem por aliados do militar e auxiliares do Palácio do Planalto e do Ministério de Minas e Energia.

No início da noite, o Palácio do Planalto confirmou a troca e anunciou a composição do novo conselho.

​A demissão do militar ocorre após uma série de desgastes com o presidente Jair Bolsonaro (PL) em razão do mega-aumento dos preços nos combustíveis promovido pela empresa.

Para ocupar seu lugar foi indicado o nome de Adriano Pires, atual diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O nome dele, porém, não foi bem-aceito em alas do governo, especialmente entre os militares de alta patente ligados ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que trabalharam para segurar Silva e Luna no cargo.

Na prática, as mudanças no comando da Petrobras só devem ocorrer dentro de duas semanas, após a Assembleia Geral de Acionistas, quando o governo trocará seus representantes do conselho de administração, grupo responsável por definir o plano estratégico da companhia.

A assembleia está prevista para o próximo dia 13 e Silva e Luna precisa ser excluído do conselho pela assembleia para abrir caminho para a aprovação de Pires como novo presidente.

Segundo o comunicado do governo, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, outro nome forte para comandar a estatal, ocupará uma cadeira no conselho junto com Adriano Pires. Landim foi indicado para presidente do conselho.

Após a posse dos novos conselheiros, Pires deverá ser conduzido à diretoria-executiva, assumindo o comando da empresa.

Os demais integrantes do conselho indicados pelo governo são: Sonia Villalobos, Luiz Henrique Caroli, Ruy Schneider, Marcio Weber, Eduardo Karrer e Carlos Eduardo Lessa Brandão.

As ações da estatal, que já vinham em queda nesta segunda diante do recuo de 10% do preço do petróleo, foram afetadas pela notícia de troca de comando.

Às 16h45, a notícia sobre a mudança no comando da estatal resultou em um imediato mergulho de 1,6% no preço das ações preferenciais da empresa. Isso poderia ter levado a companhia a uma queda de 3,7% no dia. A recuperação, porém, foi rápida e proporcional ao tombo. Os papéis encerraram o dia com recuo de 2,17%.

Luna vinha sofrendo pressão para revisar a alta nos preços após variações na cotação do barril do petróleo. O general foi pressionado publicamente pelo próprio Bolsonaro e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O militar, porém, dizia internamente que as variações eram conjunturais e não estruturais e que não havia chegado a hora de rever o mega-aumento promovido pela empresa.

Em quase um ano da gestão de Silva e Luna, os preços da gasolina subiram 27% e os do diesel, 47%. O botijão de gás subiu 27% e o GNV (gás veicular), 44%.

A alta, no entanto, seria maior porque, neste ano, a empresa chegou a segurar por quase dois meses o repasse da alta do petróleo para evitar aumentos para os consumidores.

Somente em janeiro e fevereiro de 2022, essa política de atrasos e descontos nos reajustes fez a empresa deixar de ganhar ao menos R$ 3,5 bilhões, valor que totalizou R$ 17,4 bilhões no acumulado até fevereiro deste ano, segundo cálculos feitos pela reportagem com base em dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo) e da própria Petrobras.

A demissão de Luna repete o desfecho que teve Roberto Castello Branco, indicado do ministro Paulo Guedes (Economia) para comandar a Petrobras e que foi demitido em fevereiro de 2021.

A exoneração de Castello Branco ocorreu após a companhia anunciar o quarto aumento nos preços de diesel e gasolina naquele ano.

Pesquisa do Datafolha publicada nesta segunda (28) mostrou que a maioria dos brasileiros, 68%, considera que o governo do presidente Jair Bolsonaro tem responsabilidade pela alta no preço dos combustíveis.

Para 39%, a gestão bolsonarista tem muita responsabilidade pelo aumento da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Outros 29% consideram que o governo tem ao menos um pouco de responsabilidade. Na avaliação de 30%, o governo não tem responsabilidade.

Os combustíveis pesam bastante no cálculo da inflação medida pelo IPCA que, nos últimos 12 meses, acumula alta de 10,54%. Já são mais de seis meses com o índice nesse patamar.

O aumento dos combustíveis é uma das maiores preocupações do governo, pois os reajustes, cada vez mais altos, são interpretados como um risco à reeleição do presidente, e tem gerado pressão dentro do próprio governo por uma solução para amenizar o preço para o consumidor final.