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m de leitura Atualizado em 16/03/2022, 18:55

Bolsas saltam com otimismo sobre Ucrânia, apoio na China e juros nos EUA

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de março de 2022

CLAYTON CASTELANI
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um dia de altas nas taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, investidores preferiram ver o copo meio cheio. Notícias sobre a decisão da China de lançar um pacote de estímulo ao mercado e avanços nas negociações para um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia fizeram subir as principais Bolsas de Valores ao redor do mundo.

O Ibovespa avançou 1,98%, a 111.112 pontos, recuperando-se parcialmente de quatro quedas consecutivas. O dólar comercial recuou 1,31%, a R$ 5,0920.

Os principais mercados globais de ações também refletiram o otimismo. Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram 1,55%, 2,24% e 3,77%, respectivamente.

Na Europa, o indicador Euro Stoxx 50, que acompanha 50 das principais empresas localizadas em países que têm o euro como moeda, disparou 4,05%. As Bolsas de Paris e Frankfurt saltaram 3,68% e 3,76%. Londres subiu 1,62%.

Rússia e Ucrânia avançaram nas negociações para chegar a um cessar-fogo na invasão promovida por Vladimir Putin no país vizinho, apesar da continuidade dos ataques russos em Kiev e em outras cidades ucranianas.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse nesta quarta (16) que "as negociações já soam mais realistas". O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que há esperança de que a Ucrânia rejeite definitivamente a possibilidade de adesão à Otan (a aliança militar ocidental), principal exigência de Moscou para acabar com a guerra.

O conflito no leste europeu, que completará três semanas nesta quinta (17), vem provocando baixas nos mercados de ações. O principal temor é o agravamento da inflação global devido à escassez de petróleo. A Rússia, que é uma das principais produtoras, está proibida de exportar a matéria-prima para os estados unidos.

Nesta quarta, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 98,12 (R$ 503,16), uma queda de 1,79%. Na véspera, a commodity fechou abaixo dos US$ 100 pela primeira vez em 11 sessões.

Apesar da disparada do petróleo às maiores cotações em 14 anos nas últimas três semanas estar diretamente ligada à guerra na Ucrânia, foram os surtos de Covid na China que provocaram um tombo de mais de 10% na cotação internacional do nos últimos dois dias.

O setor teme que novas paralisações das atividades econômicas para a contenção do vírus na China prejudiquem as cadeias de abastecimento, a exemplo do ocorrido no início da pandemia.

Nesta quarta, porém, as notícias sobre a China são animadoras para o mercado. O Conselho de Estado de Pequim prometeu ações para manter a estabilidade dos mercados. A possibilidade de injeção de estímulos turbinou as principais bolsas da Ásia.

A Bolsa de Hong Kong encerrou a sessão com alta de 9,08%. O principal índice das empresas de Xangai e Shenzhen saltou 4,32%. Em Tóquio, o índice Nikkei ganhou 1,64%.

Em uma decisão já antecipada pelo mercado, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciou nesta quarta-feira a elevação de 0,25 ponto percentual na sua taxa de juros de referência.

É a primeira vez que a taxa de juros dos Estados Unidos é elevada desde 2018. Essa também é a primeira mudança nos juros desde que o Fed a rebaixou a praticamente zero em março de 2020 devido ao início da pandemia de Covid-19.

A medida tem potencial para tirar liquidez dos mercados de ações e elevar as taxas de câmbio em países de economia emergente, como é o caso do Brasil.

O mercado, porém, reagiu de forma positiva ao pronunciamento do presidente do Fed, Jerome Powell, ao avaliar que a autoridade monetária mantém o cuidado de evitar solavancos inesperados na condução do processo de retirada de estímulos ao mercado.

No Brasil, o Copom decide também nesta quarta para quanto vai a taxa básica de juros. Atualmente, a Selic está em 10,75% ao ano. Analistas avaliam que a elevação será de, no mínimo, um ponto percentual.