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m de leitura Atualizado em 30/03/2022, 19:03

Bolsas caem após ataque à Ucrânia reduzir esperança de trégua

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de março de 2022

CLAYTON CASTELANI
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após negociações entre representantes de Rússia e Ucrânia criarem expectativas sobre uma trégua na guerra, a esperança do mercado sobre a redução dos riscos econômicos gerados pelo conflito desvaneceu nesta quarta-feira (30).

Apesar das promessas de "redução drástica" da atividade militar russa em Kiev e Tchernihiv, autoridades ucranianas relataram ataques nos arredores das duas cidades e em outros pontos do país. Bolsas da Europa e dos Estados Unidos fecharam em baixa.

No Brasil, o índice de referência da Bolsa de Valores conseguiu sustentar ligeira alta de 0,20%, a 120.259 pontos, apoiado principalmente no setor de commodities. Com isso, o Ibovespa manteve o patamar de 120 mil pontos alcançado na véspera.

O dólar, porém, fechou em alta de 0,58%, cotado a ​R$ 4,7850. A desvalorização da moeda brasileira foi na contramão dos ganhos apresentados pelas principais moedas de países desenvolvidos e de emergentes frente à divisa americana nesta quarta.

Participantes do mercado consideram que a alta do dólar nesta sessão está principalmente relacionada à aproximação do último dia do mês e do primeiro trimestre, quando o Banco Central calcula a Ptax. Trata-se de uma taxa de câmbio que serve de referência para liquidação de derivativos.

No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes às suas posições, e, nesta quarta-feira, os comprados em dólar –que apostam na valorização da moeda americana– prevaleceram.

"Movimento técnico, com os agentes deste mercado já se posicionando para a disputa da Ptax de amanhã", disse Jefferson Rugik, da Correparti Corretora.

O economista Igor Lucena também atribui a alta do dólar nesta quarta a um movimento momentâneo de investidores estrangeiros rumo a ativos ligados ao dólar, que oferecem maior segurança em períodos de aumento dos riscos globais, como é o caso dos títulos do Tesouro americano.

Com a continuidade da guerra pressionando a inflação, o potencial de retorno desses papéis cresce devido à necessidade de elevação dos juros para a contenção da alta dos preços.

"Apesar de uma tendência de baixa [do dólar frente ao real] desde o início do ano, em alguns momentos, temos esses movimentos de subida. Isso ocorre quando, por exemplo, investidores percebem que a guerra não vai acabar tão cedo e, com isso, fogem para papéis ligados à inflação e a moedas", comentou.

Em Nova York, o índice S&P 500, referência para as ações americanas, caiu 0,63%. Os indicadores Dow Jones e Nasdaq perderam 0,19% e 1,21%, respectivamente.

Na Europa, o indicador que acompanha as 50 maiores empresas da zona do euro perdeu 1,08%. As Bolsas de Paris e Frankfurt caíram 0,74% e 1,45%, nessa ordem. Londres subiu 0,55%.

No início da noite, o barril do petróleo Brent subia 2,34%, a US$ 112,57. A valorização da commodity é um dos principais sintomas sobre a visão do mercado de que as sanções à Rússia podem reduzir a oferta da matéria-prima e derivados por um longo período, dando fôlego para a alta da inflação global.

A Alemanha ativou nesta quarta o primeiro nível de seu plano de emergência para garantir o abastecimento de gás diante das ameaças de suspensão do fornecimento russo.

"Nós estamos céticos quanto à esperança", disse Lisa Shalett, diretora de investimentos do Morgan Stanley, para a rede de televisão Bloomberg, após Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, ter afirmado que ainda falta muito trabalho antes de um acordo com a Ucrânia, reforçando as dificuldades para alcançar o cessar-fogo.

Apesar dos sinais de recuperação dos últimos dias do mercado americano, revelando o desejo de investidores de "comprar na baixa" após um processo de correção das altas de 2021, o risco para os investimentos é uma realidade diante de um problema geopolítico, segundo Shalett.