|
  • Bitcoin 105.001
  • Dólar 5,2201
  • Euro 5,4921
Londrina

Últimas Notícias

m de leitura Atualizado em 21/01/2022, 20:20

Bolsa tem segunda semana de alta enquanto Wall Street afunda

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

CLAYTON CASTELANI
AUTOR autor do artigo

menu flutuante

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira alcançou a sua segunda alta semanal. Ações locais, cujos preços estavam bastante descontados, foram beneficiadas por investidores estrangeiros em busca de oportunidades em meio às seguidas baixas em Wall Street, onde dois dos três principais índices tiveram a pior semana desde o início da pandemia.

O Ibovespa avançou 1,88% nesta semana, apesar de ter fechado o pregão desta sexta-feira (21) em queda de 0,15%, a 108.941 pontos. O índice de referência da Bolsa acumula alta de 3,93% em 2022.

O dólar fechou a sessão em alta de 0,70%, a R$ 5,4550. Na semana, porém, acumulou queda de 1,05%. O câmbio também refletiu o fluxo de capital vindo do exterior.

Vitor Carettoni, diretor da mesa de renda variável da Lifetime Investimentos, destacou entre os principais exemplos de interesse do exterior pelo Brasil o investimento de R$ 5,9 bilhões da GQG Partners em ações do Itaú, conforme comunicado ao mercado feito pelo banco brasileiro nesta quinta (20).

"O mês de janeiro já tem um recorde de investimentos estrangeiros, com R$ 15 bilhões aportados", disse Carettoni. "Parece um movimento clássico de rebalanceamento de portfólio", comentou.

Investidores buscam se reposicionar nos mercados globais diante das expectativas de que as principais bolsas dos Estados Unidos e da Europa passarão longe de repetir os ganhos registrados em 2021. É o que se espera em meio às reiteradas promessas de aperto monetário para a contenção da escalada inflacionária.

A Bolsa brasileira, porém, fechou o ano passado na contramão das principais economias. Por isso, apesar dos vários riscos que um ano eleitoral representa ao mercado de ações, o país também é visto como uma oportunidade momentânea de ganhos.

"Os ativos de risco do Brasil terminaram o ano passado muito descontados em relação ao exterior", resume Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group.

As duas altas semanais seguidas não podem ser vistas como tendência, segundo o analista. "A gente acha que isso é um fluxo de curto prazo, o chamado hot money, que é um dinheiro que entra e sai rapidamente", comentou Miraglia.

Braulio Langer, analista da Toro, chamou a atenção ainda no início da sessão desta sexta para a possibilidade de liquidações de papéis que tiveram forte crescimento nos últimos dias, o que poderia levar o Ibovespa a fechar o pregão em queda, como ocorreu, de fato.

Altas nos contratos do minério de ferro, que vinham impulsionando o mercado doméstico, não tiveram o mesmo efeito positivo nesta sexta.

Apesar da manutenção da alta da commodity, a Vale, principal exportadora desse material, fechou em queda de 2,08%. A companhia deu a principal contribuição negativa para o Ibovespa.

Ainda no setor de commodities, houve uma pausa nas valorizações do petróleo. O barril do Brent, referência mundial, recuava 0,70%, a US$ 87,76 (R$ 474,33) ao final desta sexta.

A queda da commodity, motivada pelo aumento momentâneo de estoques globais, não mudou a avaliação de analistas de que a escassez na oferta continuará elevando os preços. A possibilidade de invasão da Ucrânia pela Rússia, um dos maiores produtores do óleo, reforça a expectativa de alta.

No cenário doméstico, investidores acompanham a movimentação em torno do Orçamento de 2022, que deve ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, destacou a Nova Futura. O prazo para a sanção do Orçamento termina nesta sexta-feira.

Discussões sobre a inclusão de reajustes devidos a servidores federais estão entre as preocupações do mercado sobre o equilíbrio fiscal do país. Bolsonaro enfrenta protesto do funcionalismo após ter prometido aumento para policiais federais.

No exterior, o dia foi de queda generalizada nos mercados de ações, com destaque para as fortes baixas nos Estados Unidos.

Além de alguns balanços de empresas considerados decepcionantes, como ocorreu com a Netflix, investidores estão apreensivos quanto ao resultado da reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) na próxima quarta-feira (26).

Para conter a maior inflação em quatro décadas, o Fed deverá iniciar em março uma série de quatro altas nos juros básicos do país.

Juros mais altos tornam os títulos do Tesouro americanos mais atrativos e, consequentemente, reduzem o interesse pelo mercado de ações, que é muito mais arriscado. Mas, além disso, também aumentam os custos operacionais de empresas em formação de capital.

É o caso de muitas das companhias listadas na Nasdaq, a bolsa que concentra empresas médias do setor de tecnologia dos Estados Unidos.

O índice Nasdaq afundou 2,72% nesta sessão. O S&P 500, que é a referência do mercado americano, desabou 1,89%.

Ambos tiveram o pior desempenho semanal desde o tombo provocado pelo início da pandemia, em março de 2020, destacou o Wall Setreet Journal. A queda semanal do Nasdaq foi de 7,55%. A do S&P 500, de 5,68%.

O índice Dow Jones, o mais tradicional do país, fechou o dia em forte queda de 1,30%. O tombo semanal atingiu 4,58%.