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m de leitura Atualizado em 24/02/2022, 18:52

Biden chama Putin de agressor e anuncia novas sanções contra a Rússia (1)

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

RAFAEL BALAGO
AUTOR autor do artigo

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou novas sanções contra a Rússia nesta quinta (24), em resposta à invasão da Ucrânia. Haverá restrições envolvendo transações do governo russo em moedas estrangeiras, barreiras para o acesso russo a novas tecnologias e medidas contra os maiores bancos do país.

No campo militar, o democrata deixou claro que as tropas americanas irão se limitar a proteger o território de aliados da Otan, aliança militar da qual a Ucrânia não faz parte. "Nossas forças não vão para a Europa para lutar na Ucrânia, mas para defender nossos aliados da Otan. Os Estados Unidos vão defender cada polegada do território da Otan, com toda a força do poder americano", prometeu.

A Otan deve se reunir na sexta (25) para definir seus próximos passos sobre a crise. Segundo as agências de notícias Reuters e AFP, os EUA enviarão mais 7.000 militares americanos para a Europa, de modo a reforçar a segurança dos países da aliança militar.

As sanções anunciadas nesta quinta atingem as instituições Sberbank, VTB, Otkritie, Sovcombank OJSC e Novikombank, além de suas subsidiárias, com medidas variadas. O Sberbank terá acesso limitado a transações com dólares, por exemplo.

Os bancos não poderão mais fazer negócios com empresas americanas e terão seu patrimônio nos EUA congelado. As quatro maiores instituições atingidas somam, juntas, US$ 1 trilhão em ativos.

O pacote de medidas dificultará investimentos e empréstimos estrangeiros a várias empresas russas, incluindo a Gazprom, maior companhia energética do pais, que atua na produção de gás. Prevê ainda limitar o acesso da Rússia a produtos importados de alta tecnologia. A expectativa é que isso faça com que os russos percam a capacidade de aprimorar seu poder militar.

Houve também punições contra alguns integrantes da elite russa e a Belarus, por permitir que a Rússia use seu território em operações para invadir a Ucrânia. Punições diretas contra o presidente russo Vladimir Putin, que ainda não foram adotadas, também estão em debate.

Biden anunciou as medidas em um discurso na Casa Branca. "Vamos limitar a capacidade da Rússia de fazer negócios envolvendo dólares, euros, libras e ienes", disse, sem dar detalhes, citando as moedas dos EUA, União Europeia, Reino Unido e Japão.

No entanto, o próprio Biden admitiu que as sanções terão pouco efeito imediato.

"Ninguém espera que sanções vão prevenir alguma coisa de acontecer. Elas levam tempo. Ele [Putin] não vai dizer: 'Ai meu Deus, estas sanções estão vindo, vou embora'", ironizou, ao ser questionado por jornalistas. "Impor sanções e ver o efeito das sanções são duas coisas diferentes. E agora vamos vê-lo começar a sentir o efeito. As sanções excedem qualquer coisa que já tenha sido feita. São profundas. Vamos conversar daqui a um mês e pouco para ver se estão funcionando".

O governo americano, no entanto, não atendeu a um pedido da Ucrânia para retirar a Rússia do sistema Swift, que integra instituições financeiras pelo mundo e permite transferências internacionais de dinheiro. Segundo Biden, países da Europa são contra a medida.

No discurso, o líder americano fez ataques ao presidente russo. "[Vladimir] Putin é o agressor. Putin escolheu essa guerra e agora ele e seu país suportarão as consequências", alertou, em tom enérgico.

"Putin cometeu um ataque aos princípios que dão suporte à paz global. Essa guerra nunca foi motivada por preocupações com a segurança. Foi motivada pelo desejo de Putin por um império, por quaisquer meios necessários. (...) Ele tem ambições muito maiores do que a Ucrânia. Ele quer reestabelecer a antiga União Soviética", disse Biden. "Vamos garantir que Putin se torne um pária na arena internacional."

O presidente também disse que há "uma ruptura completa" nas relações entre EUA e Rússia neste momento, e que não tem planos de conversar com Putin.

Biden ressaltou que o repúdio aos atos de Putin une neste momento EUA, Europa, Japão, Austrália e mais países. Mas, perguntado se pediria a China para pressionar a Russia para parar a invasão, respondeu: "Não estou preparado para comentar isso no momento".

O governo dos EUA passou semanas alertando que a Rússia pretendia invadir o país vizinho. A pressão americana para que isso não ocorresse, no entanto, não funcionou, e Putin enviou tropas ao país vizinho nesta quinta (24).

Na noite de quarta (23), Biden conversou com o presidente ucraniano Volodimir Zelenski por telefone. Pouco depois o início da invasão, a Casa Branca divulgou um comunicado do presidente, no qual ele considerou o ataque como premeditado e injustificado. "A Rússia sozinha será a responsável por perdas catastróficas de vidas perdidas e sofrimento humano", afirmou.

Biden comentou que os ucranianos deverão ter semanas e meses difíceis pela frente, conforme a ocupação estrangeira pode levar a atos de desobediência civil, mas que confia na resistência local. "O povo ucraniano tem mostrado, em seus 30 anos de independência, que não tolerará ninguém que tente levar seu país para trás."

Na manhã de quinta, Biden se reuniu com o Conselho de Segurança Nacional para discutir a situação na Ucrânia e depois participou de um encontro virtual com os líderes dos países do G7, que inclui, além dos EUA, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e União Europeia.

Biden tem o desafio de calibrar as sanções para atingir a Rússia sem gerar efeitos que se voltem contra a economia dos próprios Estados Unidos. As vendas de petróleo e gás são o principal produto de exportação da Rússia. Aplicar restrições ao comércio desses combustíveis geraria uma alta no preço deles no mundo todo, que pode chegar aos consumidores dos EUA.

A alta na inflação é atualmente um dos principais problemas dos EUA e ter a gasolina mais cara nos postos americanos pioraria a questão. Nesta quinta, o petróleo já teve alta por conta da inflação, e o preço do barril de petróleo superou US$ 105, valor que não era visto desde 2014.

"Desenhamos as sanções para maximizar efeitos de longo prazo na Rússia e minimizar o impacto nos Estados Unidos e aliados", disse o democrata nesta quinta. Para evitar a disparada no preço dos combustíveis, o governo americano poderá liberar novas partes de sua reserva estratégica para o mercado, caso seja necessário.

Na terça (22), Biden já havia anunciado uma rodada de sanções contra dois bancos russos ligados ao financiamento de atividades militares e barreiras para a negociação de títulos da dívida da Rússia, o que dificultaria ao país levantar dinheiro no exterior.

No entanto, a Rússia tem cerca de US$ 600 bilhões em dólares e não precisa levantar dinheiro no mercado externo para financiar seus pequenos déficits. Nos últimos anos, sua dívida externa diminuiu, como consequência da dificuldade de realizar operações no exterior, trazida por sanções anteriores.