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m de leitura Atualizado em 22/02/2022, 16:53

Biden anuncia novas sanções e diz que Rússia perderá acesso a empréstimos no Ocidente

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

RAFAEL BALAGO
AUTOR autor do artigo

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou novas sanções contra a Rússia nesta terça (22), em resposta às ações do presidente Vladimir Putin contra a Ucrânia.

Biden disse que a nova rodada de medidas fará com que o governo russo não poderá mais fazer transações financeiras envolvendo títulos de sua dívida com empresas dos EUA e da Europa.

"Estamos implantando sanções na dívida soberana da Rússia. Isso significa que estamos cortando o governo russo das finanças ocidentais. Ele não poderá mais levantar dinheiro no ocidente e não poderá negociar seus títulos em nossos mercados e em mercados europeus", discursou Biden, na Casa Branca.

Biden disse que mais sanções devem ser anunciadas nos próximos dias, e que elas serão voltadas à elite da Rússia, por suas ligações com o Kremlin. O democrata classificou as ações de Putin como uma violação flagrante da lei internacional. "Em nome de quem Putin acha que tem direito de declarar novos 'países' em territórios que pertencem a seus vizinhos?", questionou.

O presidente disse que as medidas são uma forma de defesa, e não de ataque. "Não temos intenção de lutar contra a Rússia", afirmou. Biden também disse que os canais de diálogo seguem abertos.

Na segunda (21), o presidente americano havia assinado uma ordem executiva para impedir cidadãos e empresas americanas de fazerem negócios com as regiões separatistas da Ucrânia, assim como a importação de produtos vindos dali. A ordem abre exceção para envio de ajuda humanitária à região.

Há semanas, o governo dos EUA vinha alertando sobre a iminência de uma invasão russa à Ucrânia, e buscado pressionar a Rússia a não fazer isso. No entanto, Moscou seguiu com a estratégia de pressão sobre o vizinho.

As novas sanções da Casa Branca vieram depois de Putin reconhecer os rebeldes das províncias de Lugansk e Donetsk, no leste da Ucrânia, e enviar tropas em apoio aos separatistas. O presidente russo anunciou a decisão em um discurso televisionado de tom duro, no qual disse que o vizinho "nunca foi um Estado verdadeiro" e hoje é uma "colônia de marionetes" dos EUA.

Desde novembro, Putin tem concentrado tropas em exercícios militares em torno da Ucrânia —150 mil delas, pelo menos, segundo os EUA. Negou que irá invadir o país, mas após reconhecer os territórios rebeldes determinou que tropas russas o ocupem numa missão de "força de paz". A questão é até onde estes militares irão: se ficarão apenas nas áreas já sobre controle rebelde ou se os ajudarão a conquistar mais partes da Ucrânia. Na segunda opção, isso configuraria na prática uma invasão do país vizinho.

Nesta terça (22), Putin disse que não vai enviar imediatamente tropas para as duas autoproclamadas repúblicas. O movimento, no entanto, visa pressionar ainda mais Kiev a aceitar termos russos para a na região.

O líder russo fez exigências ao governo ucraniano durante uma entrevista coletiva em Moscou. Disse que Kiev pode ajudar a encerrar a crise se desistir de tentar aderir à Otan (aliança militar ocidental), centro público de suas queixas, e se for "desmilitarizada" —ele voltou a falar que o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, quer armas nucleares, aproveitando uma fala infeliz do ucraniano sobre o tema.

Apesar das ações recentes, a Rússia tem dito que ainda está disposta a negociar para resolver a crise de forma pacífica.

Também nesta terça, a Otan fez críticas à Rússia. "Moscou continua a alimentar o conflito no leste da Ucrânia ao prover apoio financeiro e militar aos separatistas. E também está tentando encenar um pretexto para invadir a Ucrânia de novo", disse Jens Stoltenberg, secretário-geral da entidade.

"Isso mina a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, erode os esforços em direção à resolução do conflito, e viola os Acordos de Misnk, dos quais a Rússia faz parte", acrescentou Stoltenberg, citando o compromisso que sustentava um precário cessar-fogo na região, desde 2015.