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m de leitura Atualizado em 10/03/2022, 17:54

Avião da FAB com brasileiros, estrangeiros e pets vindos da Ucrânia chega a Brasília

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de março de 2022

MARIANNA HOLANDA
AUTOR autor do artigo

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que resgatou brasileiros, estrangeiros e animais de estimação da guerra na Ucrânia aterrissou em Brasília por volta do meio-dia desta quinta-feira (10).

De acordo com o Itamaraty, estavam no voo 43 brasileiros, sendo 12 menores de idade; 19 ucranianos com familiares brasileiros, sendo três crianças; cinco argentinos, entre eles uma criança; e um colombiano. No total, 68 adultos e 16 menores de idade.

Também foram transportados por volta de dez animais de estimação, cães e gatos —não se informou a quantidade exata de cada espécie.

Ao chegar ao país, brasileiros e estrangeiros foram encaminhados para o processo de imigração e testes de Covid-19. O Ministério da Saúde disponibilizou um lote de vacinas contra a doença, caso as pessoas não estivessem imunizadas e optassem por fazê-lo —a vacinação não foi exigência para o embarque.​

O voo deixou Varsóvia (a Polônia faz fronteira com a Ucrânia e é o principal destino dos refugiados) e passou por Portugal e Cabo Verde antes de chegar ao Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, que desembarcou com os repatriados, disse que quem tiver interesse poderá requisitar o visto de acolhida humanitária.

Depois que a guerra eclodiu, o Brasil disponibilizou vistos humanitários para cidadãos ucranianos que deixaram o país europeu.

Estudante de medicina, Rony de Moura dos Reis morava na Ucrânia há três anos e foi um dos repatriados pelo avião da FAB. "A saída de Kiev foi algo cinematográfico", disse. Natural de Niquelândia (GO), ele contou que o trajeto da capital para Lviv, cidade mais próxima à fronteira, de 540 km, foi percorrido em 13 horas.

"Foi um choque de realidade, quando no sábado eu entrei no supermercado e não havia mais água, as pessoas estavam desesperadas." O estudante contou estar aliviado de ter voltado, mas preocupado com os amigos que ficaram —um deles não fica online nas redes sociais há 10 dias.

A ativista da causa animal Luísa Mell também esteve na Base Aérea de Brasília. Nas redes sociais, ela foi uma das pessoas que fizeram pressão para que fosse permitido o embarque dos pets no avião da FAB —o que foi acatado pelo governo.

Antes da capital federal, o KC-390 Millennium aterrissou na base aérea da FAB em Recife, onde os passageiros foram recepcionados com comida e música.

A chamada Operação Repatriação teve como objetivo, além de resgatar brasileiros e estrangeiros, levar doações para a Ucrânia. O voo partiu no domingo, quase 10 dias depois de iniciada a invasão russa, com 9 toneladas de alimentos, 50 purificadores de água e meia tonelada de itens médicos.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou na quarta-feira (9) um vídeo em que falava por videochamada com o chanceler Carlos França e tripulantes do voo da FAB. O chefe do Executivo, que tem evitado criticar diretamente a Rússia, comentou a guerra com os passageiros, pelo telefone: "A gente lamenta o ocorrido, torce pela paz. Tenho meus limites e isso está acontecendo aí, atrapalha o mundo todo".

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, declarações simpáticas a Vladimir Putin por parte de Bolsonaro e pressões do agronegócio têm sido determinantes para que o Itamaraty inclua em suas manifestações oficiais na ONU sobre o conflito na Ucrânia acenos à Rússia, segundo interlocutores do governo.

Nos últimos dias, o governo Bolsonaro endossou resoluções no sistema das Nações Unidas que condenam a invasão do território ucraniano por forças russas. Mas o Ministério das Relações Exteriores tem colocado em declarações sinalizações que contemplam argumentos defendidos pelo governo de Putin, num movimento que preocupa diplomatas americanos e aliados.

Interlocutores dizem que as posições do Itamaraty têm sido definidas no mais alto nível e passado pelo crivo do Planalto. Em alguns casos, o ministro da Defesa, Braga Netto, também é chamado a opinar.