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m de leitura Atualizado em 23/03/2022, 15:45

Avanço de big techs e fintechs também gera riscos, diz órgão internacional

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de março de 2022

LUCAS BOMBANA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As medidas de isolamento social para frear a transmissão do coronavírus aceleraram a tendência de digitalização dos serviços financeiros no varejo, com implicações para a sociedade que precisam ser acompanhadas com atenção a partir de agora.

Segundo o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), órgão internacional que monitora e faz recomendações sobre o sistema financeiro global, o desenvolvimento das big techs e das fintechs pode trazer benefícios aos clientes, como maior eficiência de custos e inclusão financeira mais ampla para grupos desassistidos.

No entanto, o FSB assinala também que o avanço das novas empresas digitais no ramo das finanças pode trazer implicações negativas. O alerta foi feito em relatório publicado na segunda-feira (21).

Entre os pontos de atenção, o órgão elenca o número relativamente limitado de provedoras de serviços em determinados segmentos de atuação, a complexidade e falta de transparência das atividades correlatas dessas empresas, e incentivos em potencial para assumir maior risco para manter os níveis de rentabilidade.

"Também pode haver riscos à proteção dos consumidores por conta da maior dependência tecnológica e relativas à proteção de dados", aponta o FSB no documento, acrescentando que o número limitado de provedores de serviços em nuvem pode potencializar o impacto de qualquer eventual vulnerabilidade operacional.

Na avaliação do conselho, a expansão das grandes empresas globais de tecnologia evidencia a necessidade de serem abordadas com mais profundidade as lacunas de tratamento de dados que dificultam a avaliação dos riscos financeiros e da importância sistêmica dessas empresas.

"Essas lacunas de dados tornam difícil para as autoridades decidirem se e como regular as big techs", diz o FSB, lembrando ainda que o uso de carteiras digitais (oferecidas principalmente pelas novas empresas de tecnologia) cresceu de cerca de 6,5% em todas as transações de comércio eletrônico em escala global em 2019, para 44,5% em 2020.

"Em alguns países, como China e Índia, onde as big techs estavam bem posicionadas antes da pandemia, elas continuam a dominar os mercados de pagamento móvel", diz o órgão internacional.

O FSB destaca ainda que diversos países têm adotado "medidas notáveis" com impacto direto para as big techs.

"O Brasil avançou com um sistema de pagamento ágil, o Pix, projetado para criar condições de concorrência de nível competitivo entre os provedores de serviços de pagamento", aponta o conselho no relatório.

Ainda no âmbito doméstico, estudo divulgado em fevereiro pela Zetta com base nas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POFs), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrou um aumento significativo do acesso da população ao cartão de crédito.

Os dados indicam que, no comparativo entre 2008-2009 e 2017-2018 (último levantamento), o acesso ao cartão de crédito passou de 43% para 51% do total da população.

"O fato das fintechs, desde o início, isentarem seus clientes de anuidade de cartão de crédito, gerou uma maior competitividade. Isso se traduz em benefícios para a sociedade de forma geral", disse Bruno Magrani, presidente da Zetta, associação sem fins lucrativos que reúne nomes como Nubank, Mercado Pago, Banco Inter e Creditas.

Em um ambiente de uso cada vez mais intensivo das ferramentas digitais, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) assinou nesta terça (22) acordo de cooperação técnica com a Polícia Federal para o desenvolvimento de medidas preventivas, educativas e de repressão aos crimes cibernéticos e de ataques de alta tecnologia.

De acordo com a federação dos bancos, a medida busca tornar o espaço cibernético mais seguro. O texto prevê um relacionamento mais próximo e maior colaboração entre o setor bancário e as autoridades policiais, com troca permanente de informações sobre o tema, intercâmbio de dados e apoio técnico e logístico.

"Com as informações do setor bancário, espera-se que a PF tenha mais elementos para combater esse tipo de crime, permitindo o cruzamento com os dados que já possui. Com isso, o que se busca é aprimorar as condições para investigação policial, identificar associações e organizações criminosas, conhecer as práticas ilícitas e desenvolver novas técnicas e tecnologias de prevenção e repressão a esses crimes", disse Isaac Sidney, presidente da Febraban, em nota.