Ataque a lockdown pavimenta reeleição de governadora de Madri (1)


ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

<p>BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Com uma campanha contra restrições rígidas antipandemia e ataques aos socialistas do governo central, a candidata de centro-direita Isabel Diaz Ayuso, 42, reelegeu-se para o governo de Madri —a mais rica região da Espanha.

</p><p>Seu Partido do Povo (PP), que controla Madri há 26 anos, mais que dobrou a participação na Assembleia, passando de 30 para 65 assentos —são necessários 69 para a maioria—, com 99% dos votos apurados.

</p><p>Centenas de apoiadores se reuniram na sede do PP repetindo gritos de "Liberdade, liberdade" —palavra adotada como slogan pela campanha agora vitoriosa— assim que os primeiros resultados começaram a ser divulgados.

</p><p>"A liberdade venceu", disse Pablo Casado, o líder do partido. Segundo ele, os eleitores confiaram no enfrentamento de Ayuso para a crise do coronavírus.

</p><p>"Liberdade, sempre, sempre", completou ela.

</p><p>Com isso, Ayuso poderá reassumir o cargo sem que o ultradireitista Vox, que levou 13 cadeiras, faça parte da coalizão de governo. Basta que o partido se abstenha na votação para confirmá-la no posto.

</p><p>Ela não poderá contar com seu antigo parceiro de coligação, o Ciudadanos, que não conquistou os 5% de votos necessários para ocupar assentos na Assembleia.

</p><p>O Vox já apoiava a coligação anterior, mas sem participação no governo. Declarações de Ayuso de que uma aproximação com a sigla anti-imigração "não era o fim do mundo" inflamaram opositores, que a acusaram de simpatia pelo fascismo.

</p><p>O resultado incontestável da candidata conservadora na capital espanhola deve projetá-la como uma das principais forças políticas nacionais. Durante a campanha, dominada pela pandemia, ela apostou no cansaço da população com as restrições e quarentenas e atacou o governo central por prejudicar Madri.

</p><p>Definindo-se como libertária, determinou limites menos rígidos a bares e restaurantes, sob o argumento de que seria inviável fechá-los antes das 23h numa cidade conhecida por seus hábitos noturnos.

</p><p>“Provavelmente em outras províncias, tudo termina às 20h”, provocou —em algumas regiões, o toque de recolher começa às 18h. "No estilo de vida madrilenho, as pessoas trabalham com responsabilidade e são tratadas como adultos", afirmou ao defender sua estratégia.

</p><p>A região de Madri, onde vivem 7 milhões dos 47 milhões de espanhóis, registrou 343 casos de coronavírus a cada 100 mil habitantes nos últimos 14 dias —a média nacional foi de 213. E a área tem a maior taxa de ocupação das UTIs do país, com 44% dos leitos em uso.

</p><p>Alvos principais dos ataques da conservadora durante a campanha, os partidos à esquerda não garantiram apoio suficiente para desafiar um governo do PP.

</p><p>O socialista PSOE, do primeiro-ministro Pedro Sánchez, perdeu assentos na Assembleia de Madri: dos 37 atuais, conquistou 24. Seu potencial aliado de esquerda Podemos cresceu de 7 para 10 cadeiras.

</p><p>Somando os 65 assentos do PP e os 13 do Vox, o bloco de direita totaliza 78 votos e aumenta para 20 a liderança em relação ao de esquerda, que conquistou 58 cadeiras (24 do PSOE, 24 do Más Madrid e 10 do Podemos).

</p><p>Dois anos atrás, essa diferença era de apenas quatro assentos.&#8203;

</p><p>Após o resultado, Pablo Iglesias, do Podemos, disse que abandonará os cargos e a política. Iglesias, 42, havia renunciado ao cargo de vice-premiê da Espanha para disputar essa eleição.

</p><p>No polo progressista, o principal vencedor foi o Más Madrid, de plataforma ambientalista e feminista, que cresceu em popularidade nos últimos dois meses e levou 24 assentos.

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