Após restauro de estação, Paranapiacaba projeta recuperação de pátio ferroviário


MARCELO TOLEDO
MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Após ter concluída a restauração da estação ferroviária Campo Grande, no fim do ano passado, a histórica Vila de Paranapiacaba, em Santo André, terá um novo projeto de restauro.

Agora, serão feitos os projetos executivos, com mapas e detalhamento em textos, para que seja recuperada no futuro a plataforma de embarque e desembarque do pátio ferroviário. O projeto vai coletar informações, preparar plantas, desenhos e cálculos e planejar paisagismo para o entorno.

Construído pela SPR (São Paulo Railway) no século 19 e tombado por órgãos de preservação municipal, estadual e federal, o local passará por estudos que devem ser concluídos em julho e usados para embasar obras futuras no local. A área é concedida à MRS Logística, que patrocina o projeto.

O pátio tem área total de 3.452 metros quadrados, com 465 metros quadrados de área construída e integra o patrimônio histórico e ambiental da vila ferroviária. Foi tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 2002, 15 anos após tombamento feito pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo). Em 2003, também foi alvo de proteção pelo conselho municipal de Santo André.

O núcleo urbano implantado em frente à antiga estação ferroviária Alto da Serra, na parte alta de Paranapiacaba, tem características arquitetônicas e urbanísticas oriundas da tradição luso-brasileira. Já a parte baixa teve técnicas construtivas usadas pelos ingleses da SPR.

Além dos estudos técnicos para a recuperação do patrimônio ferroviário, será investigado o potencial para a economia criativa da região. A estruturação dos projetos começou em janeiro e o objetivo é que sejam indicados caminhos para integrar poder público e comunidade para unir a conservação da memória ao desenvolvimento sustentável do turismo e da cultura.

O projeto custará R$ 445 mil, patrocinado pela concessionária por meio de lei de incentivo à cultura, e desenvolvido pela Brasil Restauro.

Em dezembro, depois de dez meses de trabalhos, chegou ao fim a restauração da estação ferroviária Campo Grande, na vila histórica, que estava abandonada havia quase duas décadas.

A estação foi inaugurada em 1889, 40 anos antes do surgimento do prédio atual, e pertenceu à SPR, que surgiu em 1867 e foi pioneira no transporte ferroviário paulista.

Ela deixou de transportar passageiros em 2002, quando foi acentuado o processo de abandono, e passou até a sofrer risco de desabamento por conta de umidade, sujeira, fungos e bolores.

A previsão inicial apontava perda de 90% da estação, com a manutenção só de tijolos e alvenarias externas, mas a partir da limpeza inicial a equipe da arquiteta Fabiula Domingues constatou que outros componentes do prédio estavam em bom estado de conservação.

A restauração envolveu cerca de 40 profissionais, custou R$ 1,74 milhão e também foi patrocinada pela concessionária.

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