Apoiadores de Leite acusam PSDB-SP de fraude nas prévias


FELIPE PEREIRA E LUCAS BORGES TEIXEIRA
FELIPE PEREIRA E LUCAS BORGES TEIXEIRA

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um grupo de presidentes estaduais do PSDB acusa, em um dossiê, o diretório paulista do partido de uma suposta tentativa de fraude no sistema para a votação nas prévias para a eleição da presidência da República. De acordo com eles, 92 prefeitos e vice-prefeitos de São Paulo iriam votar irregularmente no pleito interno.

O PSDB-SP nega, chama o documento de "estratégia eleitoral" e diz que seus autores "querem vencer no grito".

O dossiê, ao qual o UOL teve acesso, afirma que os prefeitos e vice-prefeitos se filiaram ao partido depois da data limite para que pudessem votar nas prévias (31 de maio). Os registros na Justiça Eleitoral teriam sido feitos de forma retroativa.

O documento é divulgado a exato um mês das prévias, em 21 de novembro, no momento de maior acirramento da disputa entre os pré-candidatos Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP).

Da forma como as prévias foram estruturadas para este ano, o grupo de prefeitos e vice-prefeitos compõe 25% do total, mesma proporção para todos os outros mais de 1 milhão de filiados —o que faz com que o voto de cada um conte mais do que o de um filiado sem mandato. Por isso, a briga por tucanos eleitos se mostra tão relevante.

ACUSAÇÃO

De acordo com o documento, a fraude se daria por uma diferença de datas entre o registro no sistema interno do PSDB (Filiaweb) e no sistema da Justiça Eleitoral (Filia).

"Tal sistema [Filia] permite a inclusão de data retroativa ao momento da inclusão no cadastro. Assim, alguém pode ser cadastrado no sistema na presente data, e o administrador tem liberdade de incluir outra data como aquela da efetiva filiação", diz o texto.

O dossiê levantou 51 prefeitos e 41 vice-prefeitos registrados no diretório paulista que teriam inconsistência nessas datas. Como base, eles dizem usar os dois sistemas e matérias sobre filiação publicadas na imprensa.

Uma carta que acompanha esses documentos é endereçada ao presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, e assinada por quatro presidentes de diretórios estaduais: os deputados federais Adolfo Viana (BA), Lucas Redecker (RS) e Paulo Abi-Ackel (MG) e o ex-senador Luiz Pontes (CE) —todos apoiadores de Leite.

Como resolução, o grupo pede averiguação por parte do diretório nacional, a "imediata exclusão" destes nomes da lista de votantes e investigação de possíveis outros registrados no sistema da Justiça Eleitoral depois de 31 de maio.

O PSDB-SP é comandado por Marco Vinholi, próximo a Doria —ele ocupa atualmente a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional.

OUTRO LADO

O documento não cita os nomes de Leite e Doria em momento algum. Acusa o diretório paulista de "insistir em burlar a norma, o que restou caracterizada com fraude efetuada no cadastramento dos novos filiados com datas retroativas".

Ao UOL, o PSDB-SP afirmou que as alegações "nada mais são que parte da estratégia eleitoral daqueles que, cientes do peso de prefeitos e vice-prefeitos na disputa, querem vencer no grito".

Segundo o diretório, o PSDB paulista recebeu dezenas de filiações de prefeitos e vice-prefeitos em 2021 e "parte expressiva delas dentro do prazo definido pela Comissão das Prévias". "Outras muitas não foram feitas dentro deste prazo, não tendo sido sequer encaminhadas à Direção Nacional", diz a nota.

Por meio de nota, Araújo declara que a solicitação "será analisada com absoluta serenidade e já foi encaminhada para a Executiva Estadual de São Paulo para esclarecimentos" e diz considerar pedidos de impugnação "naturais em qualquer processo eleitoral".

"Com relação a eventuais questionamentos também feitos ao procedimento da Executiva Nacional sobre a lista final dos filiados com mandatos aptos a votar nas prévias, informamos que os dados utilizados são os recebidos oficialmente do TSE", explica.

COMO SÃO AS PRÉVIAS

As prévias serão realizadas no dia 21 de novembro, com voto pelo aplicativo ou presencialmente, em Brasília, onde deverão estar os três candidatos e as principais lideranças do partido. Para este ano, o PSDB adotou pesos diferentes para os votos de acordo com o cargo ocupado, dividido em quatro grupos:

25% para votos de governadores, vice-governadores, presidente e ex-presidentes do partido, deputados federais e senadores

25% para prefeitos e vice-prefeitos

25% para vereadores (12,5%) e deputados estaduais e distritais (12,5%)

25% para filiados no geral, sem mandato

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