<p>SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Longe dos holofotes desde que perdeu a eleição presidencial de 2018, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) intensificou a movimentação com vistas a uma nova candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

</p><p>Para isso, ele tem se reunido com representantes de um amplo arco político, que inclui alguns desafetos do atual governador, João Doria (PSDB).

</p><p>Doria pretende apoiar seu vice, Rodrigo Garcia (DEM), para a sucessão, na hipótese provável de se candidatar a presidente. A dupla é hoje o principal obstáculo aos planos do ex-governador de voltar ao comando do estado.

</p><p>Alckmin tem mantido conversas, entre outros, com seu ex-vice, Márcio França (PSB), com caciques do PSD, como Gilberto Kassab e o ex-vereador paulistano Andrea Matarazzo, e até com bolsonaristas, como o deputado estadual Frederico D'Ávila (PSL), que foi seu assessor para agronegócio.

</p><p>Todos, em algum grau, são opositores de Doria, ou pelo menos têm relação estremecida com o atual governador, como Kassab e Matarazzo.

</p><p>Alckmin também tem feito sondagens entre profissionais de marketing político. Já se reuniu com dois publicitários com experiência em campanhas eleitorais para conversar sobre cenários para 2022.

</p><p>Ele tem dito que seu primeiro desafio será suplantar a máquina estadual representada por Doria e Garcia (que deve se filiar ao PSDB). Para isso, conta com o estilo conciliador, as relações políticas com prefeitos do partido e a popularidade na militância.

</p><p>Embora siga dizendo que é fundador do PSDB e que pretende seguir no partido, não descarta filiar-se a outra legenda para a disputa ao governo, especialmente se o adversário for Garcia. As opções postas são PSD, PSB, PSL e Podemos.

</p><p>Para impedir o retorno de Alckmin ao governo do estado, os aliados de Doria contam com uma regra seguida há 20 anos pelo PSDB paulista, que dificultaria sua participação em prévias.

</p><p>Embora o estatuto tucano garanta a realização de consulta aos filiados para cargos majoritários, o partido em geral abre uma exceção: isso não se aplica quando um dos interessados está no cargo e quer disputar a reeleição. Nesse caso, torna-se uma espécie de candidato natural da legenda.

</p><p>Será o caso de Garcia, caso confirme a troca do DEM pelo PSDB e herde o governo de Doria em abril, quando ele teria de renunciar para disputar o Palácio do Planalto.

</p><p>"A gente tem feito dessa forma pelo menos desde 2002. Quem está no cargo é natural que busque a reeleição", diz o presidente do PSDB de São Paulo, Marco Vinholi, aliado de Doria. Segundo ele, tradicionalmente o diretório estadual deixa isso claro em uma resolução eleitoral.

</p><p>Se Garcia permanecer no DEM, a visão majoritária entre os tucanos paulistas é de que seria difícil evitar que Alckmin conseguisse se candidatar pela legenda, mesmo com oposição interna de Doria.

</p><p>Qualquer que seja o cenário, segundo Vinholi, haverá diálogo e respeito com o ex-governador. "Geraldo será ouvido e valorizado. Vamos dialogar e buscar o melhor para a democracia partidária", afirma.

</p><p>Nacionalmente, o discurso dos aliados de Doria é o oposto. Defendem a prévia para presidente, com o argumento de que não há candidato do partido tentando a reeleição.

</p><p>Aliados de Alckmin afirmam que ele não enfrentaria Doria pela candidatura ao Bandeirantes, caso o atual governador opte pela reeleição.

</p><p>Mas contra Garcia, que seria um recém-chegado sem história na legenda, o cenário é diferente. Alckmin deverá argumentar que mais importante que qualquer tradição é a garantia dada pelo estatuto de realização de prévias.

</p><p>"Meu amigo Rodrigo Garcia nem do partido é. Fica com o DEM, larga o PSDB", diz o ex-presidente do diretório estadual tucano Pedro Tobias, aliado de Alckmin. Segundo ele, não há uma regra proibindo prévias contra o atual ocupante do cargo, mas um "acordo de cavalheiros" --que pode ser desfeito, para não haver risco de Alckmin deixar a sigla.

</p><p>"Hoje tem três ou quatro partidos atrás do Geraldo. Se ele não for candidato pelo PSDB vai ser por outro", diz. Procurado pela reportagem, Alckmin não quis se manifestar.

</p><p>No cenário preferido por Doria, o ex-governador seria candidato a um cargo legislativo. Mas nem isso seria garantia de resolução do problema.

</p><p>Isso porque a regra que vale para o governo do estado se aplica também para a única vaga disponível ao Senado no ano que vem. Hoje ela é ocupada por José Serra, que pretende disputar novo mandato.

</p><p>Segundo a assessoria de Serra, ele é o senador que mais aprovou projetos na Casa, o que o credencia para mais oito anos no cargo.

</p><p>Serra também usa do argumento da preferência à reeleição de um ocupante do cargo.

</p><p>Ou seja, mesmo a alternativa para o Senado parece bloqueada para Alckmin, que teria de se contentar com a candidatura a deputado federal.

</p><p>Isso não passa pela sua cabeça, segundo aliados. O tucano diz que uma mudança para Brasília não o interessa, e que ele já deu sua contribuição legislativa quando foi deputado constituinte, em 1988.

</p><p>Após ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid, Alckmin deixa claro em suas conversas: ou disputa o governo estadual em 2022 ou não será candidato a nada.

</p><p></p>

mockup