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m de leitura Atualizado em 16/03/2022, 19:35

Alckmin diz que delação da Ecovias traz acusações injustas em ano eleitoral

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quarta-feira, 16 de março de 2022


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-governador Geraldo Alckmin (ex-PSDB, hoje sem partido) negou as acusações de um delator que foi presidente da Ecovias e que disse ter dado R$ 3 milhões como caixa 2 à campanha do antigo tucano.

Provável vice na chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alckmin afirmou não conhecer os termos da delação, mas lamentou que, "depois de tantos anos, mas em novo ano eleitoral, o noticiário seja ocupado por versões irresponsáveis e acusações injustas".

A Polícia Federal investiga o suposto pagamento pela concessionária responsável pelo sistema Anchieta-Imigrantes, principal ligação da cidade de São Paulo com o litoral sul do estado.

A afirmação sobre o repasse foi feita em delação por Marcelino Rafart de Seras, ex-presidente da Ecovias. O ex-executivo teve acordo de não persecução cível homologado pelo Ministério Público paulista nesta terça-feira (15), com relato de cartel entre as concessionárias de rodovias paulistas.

A apuração relativa ao caixa 2 também é investigada pela Delinst (Delegacia de Defesa Institucional), da PF, que apura questões eleitorais.

Alckmin afirmou que suas campanhas eleitorais jamais receberam doações ilegais ou não declaradas.

Ele disse ainda que todas as contas foram fiscalizadas pela Justiça Eleitoral e Ministério Público. "No seu governo, inclusive, ordenou diversas ações contra os interesses de concessionárias, inclusive contra a suposta doadora", afirmou, em nota.

Alckmin afirmou que seguirá prestando as contas para a sociedade e a Justiça, como é dever de todos.

De acordo com o relato do ex-presidente da concessionária, os valores foram pagos a título de caixa 2 -- primeiro, em 2010, em um total de R$ 1 milhão. Na ocasião, pelo PSDB, Alckmin foi eleito governador.

O valor, segundo o depoimento, foi pago em dinheiro ao cunhado do ex-governador, Adhemar Ribeiro.

A segunda parte, no valor de R$ 2 milhões, teria sido paga em uma operação do ex-tesoureiro de Alckmin, Marcos Monteiro, em 2014, ainda segundo o relato. Naquele ano, Alckmin se reelegeu ao governo paulista.

Marcos Monteiro ocupou diferentes papéis nos quatro mandatos do tucano à frente do governo de São Paulo e foi citado por suposta negociação de quase R$ 10 milhões em repasses de caixa dois da Odebrecht para o PSDB.

Um ex-executivo da Odebrecht disse em seu acordo de delação que Alckmin acertou pessoalmente o repasse de R$ 2 milhões para sua campanha ao governo em 2010. Carlos Armando Paschoal, o CAP, que era à época diretor da Odebrecht em São Paulo, disse que Alckmin entregou a ele o cartão de visitas de seu cunhado Adhemar Ribeiro, que viria a ser o responsável por receber os recursos.

O ex-governador se tornou réu sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, além de caixa dois da Odebrecht.

Nesta terça, o Conselho Superior do Ministério Público fez a homologação final de acordos com a Ecovias e com o ex-presidente.

O acordo de não persecução cível da empresa com a Promotoria do Patrimônio Público foi fechado em R$ 638 milhões --valor que a Ecovias deverá bancar parte em obras e parte em dinheiro como compensação pelas irregularidades.

O ex-presidente da empresa Marcelino Rafart de Seras terá de pagar R$ 12 milhões ao Tesouro.

O acordo da concessionária já havia tido uma homologação inicial, mas precisou de correções. Agora, tanto a empresa quanto o executivo não serão processados.

O Ministério Público investigará ainda outras concessionárias de rodovias de São Paulo não contempladas pelo acordo. Antes, porém, será preciso fazer a homologação na Justiça.