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m de leitura Atualizado em 07/03/2022, 22:38

Ações da Petrobras caem 7% após Bolsonaro sinalizar controle de preços

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de março de 2022

CLAYTON CASTELANI
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHPARESS) - A disparada do preço do petróleo no mercado internacional provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia reaviva preocupações de investidores sobre o debate político quanto à paridade internacional de preços da Petrobras.

As ações da estatal afundaram nesta segunda-feira (7) após o presidente Jair Bolsonaro (PL) ter criticado o sistema que equipara o valor dos combustíveis no Brasil à flutuação da cotação da matéria-prima e do dólar.

Ao final do pregão, as ações preferenciais (que não dão direito a voto, mas têm preferência no recebimento de dividendos) perderam 7,10%. Os papéis ordinários (com direito a voto) desabaram 7,65%. Com isso, a Petrobras perdeu R$ 34,7 bilhões em valor de mercado.

A queda ocorre em um momento em que um possível embargo ocidental ao setor energético russo provocou a disparada dos preços do petróleo e do gás natural, elevando as cotações das grandes petroleiras mundiais nesta segunda.

A Chevron, gigante americana do setor de energia, por exemplo, subiu 2,14% na Bolsa de Nova York. Nesse sentido, a Petrobras foi na contramão do setor, destaca Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico.

O barril de Brent, referência para o preço mundial da commodity, chegou ao final desta segunda valendo US$ 123,89 (R$ 626,54). No domingo (6) à noite, chegou perto dos US$ 140 (R$ 708), próximo do recorde de US$ 147,50 (R$ 746) de julho de 2008.

O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou em um comunicado em vídeo transmitido pela televisão estatal nesta segunda que os preços do petróleo podem subir para mais de US$ 300 (R$ 1.517) por barril se os Estados Unidos e a União Europeia proibirem as importações de petróleo da Rússia.

"É absolutamente claro que uma rejeição do petróleo russo levaria a consequências catastróficas para o mercado global", disse Novak. "O aumento nos preços seria imprevisível. Seria US$ 300 por barril, se não mais."

A queda da Petrobras exerceu a principal pressão negativa sobre a Bolsa de Valores brasileira. O Ibovespa, índice de referência do mercado de ações do país, caiu 2,52%, a 111.593 pontos.

Gustavo Cruz, estrategista da RB investimentos, diz que a Petrobras sofre os efeitos negativos da pressão gerada pela alta dos preços, mas avalia que o real impacto somente será conhecido caso o governo anuncie quais são seus planos sobre o tema.

"Se for algo momentâneo, as ações da Petrobras vão sofrer menos. Mas se for algo como antes de 2016 [quando a Petrobras não acompanhava os preços internacionais], prejudicará muito mais", comentou.

Preocupações sobre o efeito da alta do petróleo nas decisões do governo sobre o mercado afetaram também a petroleira privada PetroRio, que recuou 2,30%.

Alexandre Wolwacz, fundador da Liberta Investimentos, diz que a volatilidade do mercado provocada pela disparada do petróleo já representaria um risco capaz de levar investidores a vender papéis do setor.

A situação é agravada pelo temor de que Bolsonaro tente controlar os preços dos combustíveis, repetindo a prática do governo de Dilma Rousseff (PT).

"O receito de intervenção do governo afasta o investidor desse setor. A gente já viu qual foi o resultado disso para a empresa e para o país", comentou Wolwacz.

Após resistir nas primeiras horas da sessão, o mercado de câmbio passou a refletir os efeitos da aversão ao risco que contagiou a Bolsa. O dólar fechou praticamente estável, com alta de 0,01%, a R$ 5,0790.

A moeda americana, porém, vem apresentando tendência de queda nos últimos meses devido à entrada de investidores estrangeiros no país. Eles são atraídos ao mercado financeiro doméstico por uma combinação de juros altos, real desvalorizado, ações baratas na Bolsa e commodities (petróleo, minério e grãos) com potencial de valorização em um cenário de possível escassez devido à guerra.

Ameaças trazidas pela alta do petróleo às tentativas de contenção da inflação global, que já vinha acelerada devido à desorganização da cadeia global de abastecimento durante a pandemia, também prejudicaram o desempenho dos setores de varejo, viagens e transporte, entre outros, do mercado de ações do Brasil.

No topo da lista de ações em quedas nesta segunda estavam as companhias aéreas Azul e Gol, cujos papéis despencaram 18% e 17,36%. A empresa de viagens CVC mergulhou 10,49%. A Americanas desabou 10,24%.

Mercados globais de ações também recuaram nesta segunda em meio às preocupações com a alta do petróleo.

Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam negativos em 2,37%, 2,95% e 3,62%, respectivamente.

Há no país a expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) comece neste mês a tirar do zero a taxa de referência para os juros.

Quanto maior a pressão inflacionária, mais agressiva poderá ser a alta dos juros –nos Estados Unidos e também em outras economias desenvolvidas –, reduzindo a disponibilidade de dinheiro e o interesse de investidores para aplicações arriscadas em bolsas de todo o mundo.

Na Europa, o índice que acompanha as 50 principais empresas de países que possuem o euro como moeda caiu 1,23%. A Bolsa de Londres fechou em queda de 0,40%. Paris e Frankfurt cederam 1,31% e 1,98%, respectivamente.

Mercados asiáticos afundaram nesta segunda. As Bolsas de Tóquio, Hong Kong e Xangai fecharam com perdas de 2,94%, 3,87% e 3,19%, nessa ordem.