Acidente em mina de carvão deixa ao menos 52 mortos na Rússia (1)


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao menos 52 pessoas morreram após um acidente em uma mina de carvão na Rússia nesta quinta-feira (25). Pela manhã, noite em Kemerovo, na Sibéria, o governo confirmava 11 mortes, enquanto equipes de resgate tentavam socorrer os corpos das vítimas e outras 35 pessoas que ainda estavam presas sob a terra –nenhuma sobreviveu.

O socorro, porém, precisou ser interrompido devido ao risco de explosões. Conforme os novos números divulgados, seis resgatistas morreram enquanto tentavam socorrer as vítimas.

Segundo os investigadores, os mineiros sufocaram quando um duto de ventilação ficou cheio de gás. Uma emissora estatal ainda informou que os promotores acreditam que houve explosão de metano no local.

Até agora, três pessoas foram presas sob suspeita de violarem as regras de segurança industrial, incluindo o diretor da mina e seu vice.

Antes mesmo da atualização no número de mortes, o governador regional Sergei Tsivilev decretou luto oficial de três dias e disse que, além dos óbitos confirmados e dos que ainda estavam presos na mina, havia dezenas de vítimas recebendo atendimento médico, várias delas com sintomas de intoxicação por fumaça.

Imagens de emissoras locais mostram equipes de resgate e ambulância chegando ao complexo onde a mina está localizada, em uma região a cerca de 3.500 km de Moscou.

De acordo com as autoridades, havia em torno de 285 pessoas trabalhando quando a fumaça começou a se espalhar, das quais 239 conseguiram chegar à superfície.

"Por enquanto, não há fumaça densa, então esperamos que não haja fogo", disse Tsivilev em vídeos compartilhados em seu canal no Telegram. Segundo ele, porém, o sistema de comunicação subterrâneo, que permitiria o contato com os trabalhadores que ainda estão na mina, não está funcionando.

Ainda de acordo com o governador, os níveis de metano e CO2 na área da mina estão muito altos, motivo pelo qual as operações de resgate foram temporariamente suspensas.

Na televisão estatal, o presidente Vladimir Putin disse que conversou com o governador e descreveu o acidente como um "grande infortúnio".

"Infelizmente a situação não está ficando mais fácil. E há um perigo para as vidas das equipes de resgate. Esperamos que eles possam salvar o maior número de pessoas possível", disse Putin.

O braço regional do Comitê Investigativo da Rússia informou que abriu um processo para apurar as causas do acidente —a princípio, um inquérito criminal, que deve analisar se houve negligência por parte dos gestores da mina. O local pertence à empresa privada Siberian Business Union.

A mina, que começou a operar em 1956, registrou um acidente em outubro de 2004, quando uma explosão de gás metano deixou 13 mortos. Em 1981, outra explosão matou cinco pessoas.

Os acidentes em minas da Rússia, assim como em outras regiões da antiga União Soviética, frequentemente são relacionados à falta de respeito às normas de segurança, à má gestão ou à deterioração das instalações.

O acidente mais grave dos últimos anos deixou mais de 100 mortos em 2007, também em Kemerovo, quando houve uma explosão na mina Ulyanovskaya. Em 2010, na mesma região, foram 91 mortos e mais de 100 feridos em novo acidente.

Em agosto de 2017, oito trabalhadores desapareceram após uma inundação em uma mina de diamantes na Sibéria explorada pelo grupo russo Alrosa, maior produtor mundial. A empresa suspendeu os trabalhos de resgate após três semanas de busca pelos desaparecidos. Em outubro de 2019, um acidente em uma represa ilegal de uma mina de ouro na Sibéria deixou 17 mortos.

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