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m de leitura Atualizado em 16/03/2022, 09:08

47% das empresas apontam alta de insumo como principal dificuldade, diz FGV

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de março de 2022

EDUARDO CUCOLO
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O aumento de preços de matérias-primas e a dificuldade em ampliar as vendas de bens e serviços são apontados como as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas neste início de ano.

Segundo sondagem especial realizada pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), 47% das companhias consultadas apontaram a inflação dos insumos como principal problema.

A questão afeta todos os setores: é citada por cerca de 40% das empresas de serviços e também de comércio, muitas delas de segmentos que trabalham com alimentos, e por 49% da construção e 56% da indústria.

Além da questão inflacionária, pesa também a dificuldade para aumentar as vendas, citada por 28% das companhias, e a escassez de insumos, por 17%. Foram consultadas 3.755 empresas, de 3 a 26 de janeiro, por formulário eletrônico.

"Esses são os dois fatores que mostram as maiores dificuldades: a inflação que tem dado as caras em todos os setores, seja pelo aumento de preços ou escassez de insumos, e também a desaceleração econômica nessa virada de ano", afirma Rodolpho Tobler, coordenador das sondagens do comércio e de investimentos do FGV Ibre.

Ele destaca que 35% das empresas de serviços apontam a desaceleração nas vendas entre as principais dificuldades, maior percentual entre os setores. Os percentuais são ainda maiores nos segmentos de alimentação (39%) e tecnologia da informação e comunicação (46%).

"Os empresários têm visto que a maior dificuldade neste início de ano é não só a inflação, mas também essa desaceleração econômica."

O instituto também perguntou quais despesas a empresa está tendo maior dificuldade para pagar nesse momento. Matérias-primas aparecem em primeiro lugar, citada por 41% das companhias -65% na indústria e 57% na construção.

Impostos estão em segundo entre os mais citados (36%), seguidos pelo salário dos funcionários (24%).

A pesquisa foi realizada quando o preço de diversas matérias-primas já estava em alta, mas antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, que impulsionou ainda mais as cotações desses produtos, com reflexos nos preços praticados no Brasil que dificultam ainda mais a recuperação das vendas.

Entre esses reflexos está o mega-reajuste dos combustíveis promovido pela Petrobras na semana passada. Na sondagem de janeiro, 65% das empresas de transporte rodoviário apontavam a questão dos custos entre os maiores desafios. Nesse segmento, os combustíveis estão entre os insumos mais relevantes.

"Essa questão da escassez de insumos e dos preços, principalmente de commodities, isso tudo vai ser agravado. Dependendo da duração dessa guerra, pode ainda ficar pior", afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens do consumidor do FGV Ibre.

O índice oficial de inflação do Brasil chegou a 10,54% no acumulado de 12 meses até fevereiro. O IPCA continua distante da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. O centro da medida de referência neste ano é de 3,50%. O teto é de 5%.