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Uma ponte entre o Brasil e Japão

PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de janeiro de 2019

Patricia Maria Alves - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Uma ponte entre Brasil e Japão

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Em busca dos nikkeis

Por Mie Francine Chiba

Quase 20 mil Km e 110 anos de imigração separam o Japão da comunidade nipo-brasileira; ao mesmo tempo, o governo japonês se esforça para retomar contato com descendentes de japoneses, considerados um importante elo entre Brasil e Japão

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“Hoje você vê a flor. Agradeça à semente de ontem.” Haruo Ohara

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Assim como eu, aproximadamente 1,9 milhão de descendentes de japoneses (nikkeis) moram no Brasil. Muitos são nisseis, sanseis, yonseis (membros da primeira, segunda e terceira gerações de nikkeis) que nunca visitaram o País de origem de seus ancestrais.

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A comunidade nikkei passa atualmente por uma grande mudança de gerações. A estimativa é que apenas 20% pertençam hoje à primeira geração de descendentes (nisseis). A maior parte já faz parte da segunda e terceira gerações (sanseis e yonseis). Ao mesmo tempo, o governo japonês concentra esforços para estreitar o relacionamento com as comunidades de descendentes espalhadas pelo mundo.

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O governo nipônico considera os descendentes de japoneses “amigos em potencial” do Japão, capazes de aumentar a compreensão do País dentro da comunidade em que estão inseridos. Isso foi dito no Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul, do Mofa (Ministry Of Foreign Affairs – Ministério de Relações Exteriores) do Japão, no qual fui uma das selecionadas e pude participar durante as férias, em setembro desse ano.

Participaram da última edição do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses 15 pessoas do Brasil e de outros seis países das Américas Central e do Sul. Foto: Divulgação
Participaram da última edição do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses 15 pessoas do Brasil e de outros seis países das Américas Central e do Sul. Foto: Divulgação

O objetivo do Programa é fazer com que os participantes conheçam a realidade e as políticas de diplomacia do Japão e que, após uma viagem de uma semana ao País, retornem aos seus lugares de origem e divulguem suas impressões. Participaram da última edição do Programa 15 pessoas do Brasil e de outros seis países da América Latina. A seleção é realizada por meio dos consulados e embaixadas do Japão. Eu fui a única participante da Região Sul do Brasil, de abrangência do Consulado Geral do Japão em Curitiba, a participar da viagem em setembro desse ano.

Governo nipônico considera os descendentes de japoneses “amigos em potencial” do Japão

“Muitos de vocês agora são sanseis e yonseis e podem não ter comunicação direta com japoneses. Mas ainda partilhamos da mesma origem, de algumas características, e dos mesmos valores”, disse Kazuhiko Shimizu, diretor adjunto da Divisão de Estratégia de Diplomacia Pública do Mofa, durante uma das muitas visitas ao Ministério. “Descendentes de japoneses são amigos em potencial do Japão. Queremos fortalecer a rede de contato com nikkeis influentes em seus países, e ao fortalecer esse relacionamento, esperamos nos comunicar melhor e promover nosso País através de vocês”, ele continuou.

A intenção do governo japonês de se aproximar do Brasil vai ao encontro do bom relacionamento dos brasileiros com a comunidade nikkei. Cerca de 85% dos brasileiros consideram que as pessoas de origem japonesa contribuem para o relacionamento entre o Brasil e o Japão. Além disso, 68% consideram que pessoas de origem japonesa contribuem para o desenvolvimento de sua comunidade. Os números são de pesquisa de opinião realizada pelo IPSOS a pedido do Ministério de Relações Exteriores do Japão com mais de 1.700 pessoas no Brasil, México, Colômbia, Chile e Trinidade e Tobago em 2014.

Fonte: Pesquisa de opinião realizada pelo IPSOS a pedido do Ministério de Relações Exteriores do Japão no Brasil, México, Colômbia, Chile e Trinidade e Tobago, 2014
Fonte: Pesquisa de opinião realizada pelo IPSOS a pedido do Ministério de Relações Exteriores do Japão no Brasil, México, Colômbia, Chile e Trinidade e Tobago, 2014

Mas o interesse dos nikkeis de participarem de suas comunidades pode estar diminuindo. Aliás, existe uma parcela de descendentes que sequer se identificam como nikkeis. Essa foi uma das conclusões de relatório baseado em pesquisa aplicada por missões diplomáticas japonesas em 23 países das Américas Central e do Sul entre novembro e dezembro de 2016.

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“As Américas Central e do Sul estão passando por uma mudança de gerações e suas atividades também estão mudando. Há uma necessidade de assegurar que os membros dessa nova geração herdem firmemente a confiança que existe hoje, que surgiu dos enormes esforços enfrentados pelos seus predecessores”, comentou Fumio Kishida, então ministro de Relações Exteriores, no Painel com Experts sobre a Colaboração com Comunidades de Imigrantes e Descendentes de Japoneses (“Nikkei”) nas Américas Central e do Sul em março de 2017.

Jovens nikkeis podem ser “despertados” por fatores externos, como cultura pop, participação eventos de cultura japonesa, aprendizado da língua japonesa e visitas ao Japão

Para Kentaro Sonoura, ministro de Estado do Japão na época, para que a nova geração dê continuidade aos esforços de seus antepassados no trabalho de relacionamento do Brasil com o seu país de origem, é necessário “criar oportunidades para a nova geração entrar em contato com o Japão”.

O ‘despertar’

Embora o fenômeno de distanciamento dos nikkeis da comunidade seja visto como natural, uma vez que hoje há poucos incentivos para pertencer a uma associação nikkei em áreas urbanizadas em comparação com o passado, gerações mais jovens de nikkeis podem ser “despertadas” por fatores externos, como cultura pop, participação eventos de cultura japonesa, aprendizado da língua japonesa e visitas ao Japão.

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O contexto familiar

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Foram meus avós paternos e meus bisavós maternos que vieram da terra do sol nascente. Os bisavós maternos nunca conheci, e meu avô paterno faleceu antes mesmo que eu nascesse. Minha avó paterna conversava pouco em português e eu nunca aprendi o japonês

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Por nascer e viver no Brasil, nós, nikkeis, nos sentimos mais brasileiros que japoneses. Para mim, a lembrança dos olhos puxados só vêm à tona quando alguém me chama de “japa” na rua. Ou presume que eu seja “CDF” (cabeça-de-ferro), boa com contas, ou pergunta o porquê do meu nome ser tão diferente.

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Como uma colega nikkei do Paraguai, a jornalista Narumi Akita, bem descreveu no seu blog: “Logo cheguei à conclusão de que meu destino era ser ‘apenas o nome’. Não é fácil ter um nome oriental, olhos rasgados e não ‘fazê-los justiça’.”

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Com o tempo, aprendi que nossa identidade não se resume apenas à história que nós mesmos escrevemos. Ela também é composta pelas linhas escritas pelos nossos ancestrais. Mas, vivendo no Brasil, a quase 20 mil Km do País de origem de meus familiares, não sentia ligação com minha origem. Achei que isso mudaria logo quando chegasse ao Japão.

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A chegada ao Japão

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O fato é que os japoneses são pouco parecidos com os nikkeis. A minha expectativa era que ao pisar em solo japonês e me ver rodeada por japoneses, sentiria uma sensação de pertencimento, e resgataria minha identidade nikkei. Mas em um primeiro momento, o sentimento foi de um grande choque devido às evidentes diferenças culturais.

O padrão estético e o modo de vestir fazem clara distinção entre os japoneses e os nikkeis. A língua é outro importante ponto de conflito. Como descendente, eu não sabia falar a língua japonesa, e são poucos os japoneses que falam a língua inglesa. Mais tarde, eu saberia que apenas 2% dos jovens japoneses se sentem totalmente confortáveis com o idioma. Mas a gentileza e a educação falam tão alto que a barreira da língua fica em segundo plano.

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‘Omotenashi’ - hospitalidade japonesa

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Tóquio será a sede dos Jogos Olímpicos em 2020. O “omotenashi” - que de forma simplista pode ser traduzido como a hospitalidade japonesa – foi um dos pilares da candidatura do País para receber a mais importante competição esportiva do mundo.

A hospitalidade está presente no dia a dia e na política do Japão. O omotenashi também serviu para reforçar a mensagem de que o governo japonês deseja intensificar a relação com as comunidades nikkeis.

Teru Teru Bozu, boneco feito com papel ou tecido branco que, segundo os japoneses, tem o poder de afastar a chuva e trazer um dia ensolarado; este foi fotografado em um dia chuvoso no quarto de um hotel da província de Iwate
Teru Teru Bozu, boneco feito com papel ou tecido branco que, segundo os japoneses, tem o poder de afastar a chuva e trazer um dia ensolarado; este foi fotografado em um dia chuvoso no quarto de um hotel da província de Iwate

Importantes oficiais do governo japonês receberam, pessoalmente, os participantes das Américas Central e do Sul durante as visitas do Programa de Convite a Descendentes. Foi o caso do Sr. Masahisa Sato, ministro do Estado para Relações Exteriores, do Sr. Kotaro Nogami, chefe adjunto de gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe, e até mesmo das Altezas Imperiais Príncipe e Princesa Akishino, e a Sua Alteza Imperial Princesa Mako de Akishino. A atitude transmite uma forte mensagem de que a comunidade nikkei de outros países é reconhecida, e tem grande importância para o Japão.

Foto dos participantes do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul com o Sr. Kotaro Nogami, chefe adjunto de gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe; escadaria é a mesma onde costuma ser feita a foto oficial da posse dos ministros. Foto: Divulgação
Foto dos participantes do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul com o Sr. Kotaro Nogami, chefe adjunto de gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe; escadaria é a mesma onde costuma ser feita a foto oficial da posse dos ministros. Foto: Divulgação

Na residência do primeiro-ministro, os visitantes das Américas foram convidados a fazer uma fotografia na mesma escada onde os ministros do Japão fazem sua foto oficial durante a posse. E apesar de haver um rigoroso procedimento a ser seguido na visita à residência da família imperial, as Altezas Imperiais Príncipe e Princesa Akishino, e a Sua Alteza Imperial Princesa Mako de Akishino recebem os visitantes de maneira próxima.

Apesar de haver um rigoroso procedimento a ser seguido na visita à residência da família imperial, as Altezas Imperiais Príncipe e Princesa Akishino, e a Sua Alteza Imperial Princesa Mako de Akishino recebem os visitantes de maneira próxima

Embora a residência da família imperial fique situada em uma grande área verde, o interior não guarda muita ostentação. O que se vê – pelo menos no recinto em que fomos recebidos – são apenas objetos que expressam o gosto do príncipe Akishino pela natureza e pela zoologia, área do conhecimento em que ele é formado. Animais empalhados como um grande caranguejo ornamentam a sala. Fomos informados que, do lado de fora, havia exemplares de espécies de animais de diversos países soltos no jardim, até mesmo uma capivara.

Antes da visita à residência imperial, recebemos informações sobre o tipo de vestimenta - ternos eram requeridos em quase todas as ocasiões - e a ordem em que deveríamos ficar de pé diante da família Akishino. A mesma ordem seria seguida na foto oficial.

Grupo do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul com as Altezas Imperiais Príncipe e Princesa Akishino e a Sua Alteza Imperial Princesa Mako de Akishino. Foto: Divulgação
Grupo do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul com as Altezas Imperiais Príncipe e Princesa Akishino e a Sua Alteza Imperial Princesa Mako de Akishino. Foto: Divulgação

Após a foto, o grupo se dividiu em três grupos menores entre os quais os integrantes da família imperial se revezaram para uma conversa informal. Bebidas e doces japoneses eram servidos no decorrer. Foi nesse momento que a Sua Alteza Imperial Princesa Mako de Akishino se lembrou, por exemplo, da sua recente viagem ao Brasil, e que a Alteza Imperial Príncipe Akishino falou sobre seu apreço por animais e de sua formação em zoologia.

Ao finalizar a visita, a família imperial se colocou a postos na porta para se despedir e agradecer o grupo pela visita, um a um. Após todo o grupo ter retornado à van, o casal imperial e sua filha ainda ficariam do lado de fora da residência, acenando até que o veículo saísse pelo portão.

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Educação cotidiana

“Irasshaimase!” (bem-vindo!), gritam os atendentes de estabelecimentos comerciais do Japão quando os clientes entram. Ao sair, os consumidores também são saudados com efusivos cumprimentos de agradecimento acompanhados de gestos de reverência, mesmo que não tenham levado nada do estabelecimento. Em lojas menores, o gesto é repetido até que o cliente tenha saído do local. Em restaurantes, os atendentes servem água gelada aos clientes nos dias de forte calor, e oferecem toalhas úmidas para as mãos.

Muitos já devem ter visto pela TV ou pela internet o comportamento dos japoneses nos metrôs: eles se dispõem em duas filas, uma de cada lado da porta, e aguardam até que todos os passageiros tenham saído para só depois entrarem no carro, de forma organizada.

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Metrô de Tóquio
Metrô de Tóquio

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Dentro dos trens e metrôs, adesivos orientam os passageiros a desligarem os celulares, ou ao menos colocarem o aparelho no silencioso. Já é sabido que é falta de respeito falar ao telefone no interior desses locais. Nos trens-bala japoneses, os shinkansens, existe um compartimento, entre os carros, para falar ao celular durante as viagens.

Os shinkansens também carregam um adesivo na parte de trás dos bancos que pede aos passageiros para serem cuidadosos com sons altos, até mesmo aqueles vindos do teclado dos computadores. Por esse motivo, os trens e metrôs costumam ser lugares bastante silenciosos, que os japoneses usam para um momento de relaxamento antes ou após um dia pesado de trabalho.

"Por favor, seja atencioso com outros passageiros enquanto usa seu computador (barulho do teclado, etc.)", diz adesivo na parte de trás dos bancos dos trens-bala japoneses
"Por favor, seja atencioso com outros passageiros enquanto usa seu computador (barulho do teclado, etc.)", diz adesivo na parte de trás dos bancos dos trens-bala japoneses

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‘Bushido’ - espírito samurai

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Os japoneses possuem um sistema social baseado na ordem social, na resiliência, no trabalho, na ética, na educação e em um forte senso de comunidade, diz o jornalista e professor universitário Ikuma Mikio. A sociedade japonesa moderna foi tema de palestra do jornalista para participantes do Programa de Convite a Descendentes. Segundo ele, os valores da sociedade japonesa estão intimamente relacionados ao “espírito samurai” (bushido), composto por sete virtudes: integridade, respeito, coragem heroica, honra, benevolência, honestidade/sinceridade e dever/lealdade.

As sete virtudes fundamentais do "espírito samurai" (bushido)
As sete virtudes fundamentais do "espírito samurai" (bushido)

O espírito samurai contribuiu para que o País decolasse e se tornasse uma potência econômica 75 anos atrás. Grandes indústrias como Honda, Sony e Panasonic surgiram depois da guerra levando princípios japoneses à linha de produção.

Mas, com o tempo, o Japão está se tornando uma ilha de Galápagos: isolada comercialmente. Por ser um País com um grande mercado, vem se tornando autossuficiente e a evolução industrial acontece apenas internamente. A exportação se tornou desinteressante e startups são desencorajadas a nascer. Porque a cultura japonesa preza pelo emprego de longa data em grandes corporações, jovens que se arriscam a empreender são considerados desocupados. Por isso, menos de 10% dos jovens têm interesse de criar startups no Japão.

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Desigualdade de gênero

Por valorizar o trabalho de uma vida inteira, a promoção dentro das empresas japoneses é baseada na senioridade. Nesse sentido, perdem as mulheres que engravidam e deixam o posto de trabalho por um período de tempo. Por esse motivo, a igualdade salarial entre homens e mulheres não é uma realidade no Japão, e em 2008, elas ocupavam apenas 10% dos cargos de gerência no País.

Segundo Mikio, a ideia de “esposa perfeita” prevalece na sociedade japonesa. A consequência é que também se criou uma ideia de que mulheres são muito “exigentes” do ponto de vista financeiro, afastando os homens que preferem se satisfazer sexualmente de outras maneiras, como com figuras sexuais ao estilo dos animês japoneses.

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“Omikuji”, pequenas tiras de papel contendo uma sorte e que são adquiridas em templos budistas ou santuários xintoístas. Caso a sorte seja ruim, deve-se amarrar o papel em um suporte oferecido no local
“Omikuji”, pequenas tiras de papel contendo uma sorte e que são adquiridas em templos budistas ou santuários xintoístas. Caso a sorte seja ruim, deve-se amarrar o papel em um suporte oferecido no local

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‘Garotos herbívoros’

Como resultado, um em cada quatro homens nunca se casaram no Japão e estes estão se tornando verdadeiros “garotos herbívoros, gentis e menos masculinos (não agressivos sexualmente falando)“. Assim, 60% dos homens em seus 20 anos ainda não fizeram sexo no Japão, diz o jornalista. O reflexo disso está na despopularização do País, que não tem filhos e envelhece. A idade média no Japão chega a 46,9 anos, e a expectativa é de aumentar outros 10 nos próximos 50 anos.

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(Acima) Emas, placas de madeira onde visitantes de tempos budistas e santuários xintoístas podem escrever seus desejos (abaixo) Imagem de Buda no templo Chusonji, na província de Iwate
(Acima) Emas, placas de madeira onde visitantes de tempos budistas e santuários xintoístas podem escrever seus desejos (abaixo) Imagem de Buda no templo Chusonji, na província de Iwate

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Mas o espírito samurai também se manifesta na forma como os japoneses lidam com os desastres naturais. No mesmo mês que o País foi atingido por dois grandes tufões e um terremoto, foi possível ver com os próprios olhos como o Japão não se deixa abater por suas tragédias naturais. “Somos obsessivos por reconstrução”, disse o jornalista Ikuma Mikio. “De alguma forma tentamos trazer vida ao que foi arruinado.”

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Lições de resiliência e solidariedade

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O terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão em 2011 fez quase 16 mil mortes e cerca de 2,5 desaparecidos. O desastre permanece vivo na memória dos japoneses, mas traz lições de resiliência e de solidariedade

A província de Iwate é a segunda maior em termos territoriais no Japão, atrás apenas de Hokkaido. São cerca de 15 mil Km² de território, com uma região costeira de 5 mil Km². A costa leste do Japão, onde se localiza a província, foi a mais atingida pelo tsunami. Embora a costa de Iwate seja montanhosa, impedindo que as grandes ondas causassem um estrago maior, 5 mil pessoas morreram ou ficaram desaparecidas na região - quase um terço dos mortos ou desaparecidos em todo o Japão.

“Mesmo depois de sete anos e meio, mais de mil pessoas ainda estão perdidas”, disse Reiko Kitatochi, uma oficial da Prefeitura de Iwate, em palestra sobre a reconstrução da província após o tsunami. “Espero que o maior número de pessoas possível volte para casa, para suas famílias”, continuou a oficial, demonstrando que o governo local ainda tem esperança de que mais corpos sejam encontrados.

A equatoriana Guadalupe Sasawatari ainda chora quando se lembra dos momentos de agonia vividos durante o terremoto seguido de tsunami em 2011. Professora, casada com o mecânico japonês Tadashi Sasawatari, Guadalupe mora em Iwate. No dia do desastre, ela e o marido estavam no trabalho e seus filhos na escola. Por causa do impacto dos tremores, não era possível comunicar-se através da rede celular.

Guadalupe e Tadashi Sasawatari
Guadalupe e Tadashi Sasawatari

Por sorte, todos estavam bem. E depois do desastre, cenas de ordem e solidariedade se espalharam pela cidade. Conversamos com o casal Sasawatari e com outros moradores de Iwate em encontro com voluntários da Jica (Japan International Cooperation Agency) que possuem experiência em países da América Latina. Guadalupe conta que, com o caos que tomou conta da província, era possível ver pessoas comuns assumindo o papel de guardas de trânsito para ajudar a organizar o tráfego. Na busca frenética por mantimentos, os japoneses formavam filas por conta própria e se organizavam para que apenas algumas pessoas entrassem nos mercados por vez.

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Voluntários da Jica (Japan International Cooperation Agency) em conversa com participantes do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul. Foto: Fernando Matsumoto
Voluntários da Jica (Japan International Cooperation Agency) em conversa com participantes do Programa de Convite a Descendentes de Japoneses das Américas Central e do Sul. Foto: Fernando Matsumoto

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O jornalista Junya Onodera conta que, após os terremos, as máquinas de impressão de jornal pararam de funcionar, mas os jornalistas da província continuaram com o seu trabalho, escrevendo o nome de desaparecidos à mão e distribuindo listas utilizando seus próprios carros. Após 2011, o espírito de solidariedade se espalhou pelo Japão. Pessoas de toda a ilha e até de fora se dirigiram à região para ajudar. E, na visão dos voluntários da Jica, é certo que os nikkeis em outros países também têm uma maneira semelhante de pensar, que passa de geração em geração.

Memoriais do tsunami

Um dos momentos mais emocionantes da viagem foi a visita à escola primária de Okawa, na cidade de Ishinomaki, província de Miyagi (costa leste do Japão), onde estudavam 108 alunos a partir dos seis anos. A escola era vista como um refúgio, onde muitos moradores da província procuraram se abrigar. No entanto, mais de 70 alunos e professores morreram no local. O lugar ficou destruído, mas ainda guarda alguns vestígios de que alunos estudavam por lá, como quadros-negros e pinturas nos muros.

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Na entrada, os japoneses fazem homenagens às vítimas do desastre: acendem incensos, tocam um sino e deixam objetos, como brinquedos, em memória às crianças que morreram no local. Placas dão aos visitantes informações sobre a escola e sobre o desastre, e deixam clara a intenção do governo local de manter esses locais como espécies de memoriais do tsunami de 2011.

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A decisão de manter as ruínas de construções atingidas pelo tsunami causa polêmica no Japão. Enquanto para alguns estes locais servem como um lembrete do trágico acontecimento para as gerações futuras, para parentes e amigos das vítimas, os memoriais trazem dolorosas lembranças da perda de pessoas queridas.

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O mesmo dilema paira sobre o que antes era o Centro de Prevenção de Desastres de Minami, na cidade de Minamisanriku, província de Miyagi. A estrutura de ferro retorcida ainda é mantida pelo governo local como um memorial do desastre. Apenas dez dos 53 funcionários do Centro sobreviveram - os demais morreram no cumprimento do seu dever.

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Proximidades do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, onde 43 funcionários morreram no cumprimento do seu dever
Proximidades do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, onde 43 funcionários morreram no cumprimento do seu dever
Proximidades do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, onde 43 funcionários morreram no cumprimento do seu dever
Proximidades do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, onde 43 funcionários morreram no cumprimento do seu dever
Proximidades do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, onde 43 funcionários morreram no cumprimento do seu dever
Proximidades do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, onde 43 funcionários morreram no cumprimento do seu dever
Estrutura de ferro que sobrou do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, atingido pelo tsunami em 2011
Estrutura de ferro que sobrou do Centro de Prevenção de Desastres de Minami, atingido pelo tsunami em 2011

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Reconstrução

Iwate é a província de nascimento do meu avô paterno. Quando eu soube que seria um dos locais de visita durante a viagem, fiquei ansiosa por conhecer o local onde meu avô nasceu. Trata-se de uma província com paisagem montanhosa, e que no inverno é bastante frequentada por turistas em busca da prática de esqui. São poucos os prédios que podem ser vistos na região, privilegiando ainda mais a vista das montanhas e dos campos de arroz que predominam a agricultura local.

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Vista do Monte Iwate, no Japão
Vista do Monte Iwate, no Japão

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Cerca de 30% do território de Iwate ficou debaixo d´água depois do tsunami. Em torno de 19,5 mil propriedades foram completamente destruídas pela grande onda. O volume de detritos gerados pelo desastre chegou a 6,2 milhões de toneladas, 14 vezes o lixo produzido em um ano na província. Para lidar com essa montanha de detritos, Iwate contou com a ajuda de outras províncias. “Tivemos que limpar esse impressionante volume de lixo para poder prosseguir com o nosso trabalho de reconstrução. Era impossível manter todo esses detritos em uma só província, então outras províncias que não foram afetadas pelo tsunami ajudaram”, conta Reiko Kitatochi, oficial da Prefeitura de Iwate.

Volume de detritos gerados pelo desastre chegou a 6,2 milhões de toneladas, 14 vezes o lixo produzido em um ano na província de Iwate

A preparação para o trabalho de reconstrução também passou pelo nivelamento do solo. Cerca de 7,5 mil lotes foram preparados para a construção de residências com o trabalho de elevação do nível do solo ou remoção de partes de montanhas para tornar o terreno plano e adequado para se viver. Quase oito anos depois, 80% desse trabalho já foi concluído.

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Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão
Trabalho de reconstrução na costa leste do Japão

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Mais de 40 mil pessoas perderam suas casas e tiveram de ficar em unidades temporárias fornecidas pelo governo. Para aqueles que não tinham condições de construir uma nova moradia por conta própria, o governo construiu 5,5 mil casas populares. Quase 95% das residências já foram entregues, e 90% da população já pôde sair das unidades temporárias.

Casas temporárias para desabrigados do tsunami de 2011
Casas temporárias para desabrigados do tsunami de 2011

Metade dos 359 Km danificados de estrada já estão abertos para uso, agora reconstruídos para serem mais resistentes a desastres, melhorar o acesso de veículos de emergência e reduzir o tempo de viagem. Os três hospitais atingidos pelo tsunami já foram movidos e restabelecidos, e duas instituições para cuidados mentais dos sobreviventes foram criados. Das 86 escolas danificadas, apenas uma ainda não foi reformada ou reconstruída, mas a previsão é que seja entregue ainda nesse ano fiscal.

Das 86 escolas danificadas, apenas uma ainda não foi reformada ou reconstruída, mas a previsão é que seja entregue ainda nesse ano fiscal

Medidas para ajudar o comércio e a indústria a se restabelecerem também foram instituídas, com apoio financeiro e mais flexibilidade de pagamento a empresários. O governo também dá incentivos para que empreendedores comecem um novo negócio nas regiões costeiras, especialmente jovens e mulheres. A atividade pesqueira, altamente prejudicada pelo tsunami, também já começa a se restabelecer. No ano passado, o governo reconstruiu portos e barcos.

Proteção

Instalações de proteção costeira estão sendo melhoradas para evitar que os danos sejam maiores no futuro. Kitatochi lembra que, em 2011, bombeiros tiveram de arriscar suas vidas para fechar a comporta de contenção de água manualmente, e alguns morreram no processo. Agora, o governo da província está instalando um sistema de fechamento remoto dessas comportas, que já está em funcionamento em algumas regiões.

“Você pode ficar surpreso de ouvir isso, mas no Japão tecnologicamente avançado, você ainda tem que fechar esse tipo de portão à mão. Esse sistema de fechamento por controle remoto é tecnologicamente possível, mas não significa necessariamente que todo governo local tem dinheiro suficiente para introduzi-lo. Não tínhamos isso lá atrás, pois a província de Iwate não é muito rica”, relata Kitatochi.

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Costa leste do Japão vista da cidade de Matsushima, na província de Miyagi
Costa leste do Japão vista da cidade de Matsushima, na província de Miyagi

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Treinamento

Medidas de prevenção de desastres inclui sistema de fechamento remoto de barreiras e treinamento para evacuação

Apenas contramedidas como barreiras de contenção de água, no entanto, não se mostraram efetivos para reduzir os danos do desastre, afirma a oficial. “Depois do desastre, nós percebemos que é muito difícil prover proteção só com contramedidas como essas. Por outro lado, medidas de evacuação conduzidas de forma regular em escolas ou comunidades locais era muito efetivo.” Assim, professores, alunos e comunidades locais hoje passam por treinamento constante para evacuação em caso de desastres.

Gratidão

Logo após o terremoto seguido de tsunami, a província recebeu doações, voluntários e equipes de resgate de diversos países. O compartilhamento da experiência foi a forma encontrada de retribuir o favor. Por isso, a Prefeitura de Iwate reuniu no seu site oficial um arquivo sobre o desastre e deve inaugurar no verão de 2019 um complexo memorial do Grande Terremoto e Tsunami do Leste do Japão. Na 3ª Conferência Mundial sobre Redução de Riscos de Desastres nas Nações Unidas, apresentou um documento contendo propostas para redução de riscos relacionados a desastres e reconstrução. “Recebemos tanto suporte de todo o mundo que esperamos poder retornar o favor completando o trabalho de reconstrução de maneira bem-sucedida e passando as lições aprendidas para as pessoas do mundo e também para a próxima geração”, finalizou Kitatochi.

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O real legado

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A despeito das diferenças culturais, o “bushido” se preserva nas comunidades nikkeis e pode ser considerado um ponto de contato entre elas e a sociedade japonesa, afirma o jornalista Ikuma Mikio. E é essencialmente isso o que restará daqui não a muitos anos, quando os filhos de nikkeis já guardarão pouco dos traços japoneses. “Daqui a 30 anos, ser nikkei vai estar no coração”, opina Luciano Matsumoto, membro do Comitê Gestor do Integranikkey (grupo que fomenta a união e o engajamento de pessoas com identidade nikkei em Londrina) e vice-presidente da Acel (Associação Cultural e Esportiva de Londrina).

Luciano Matsumoto, membro do Comitê Gestor do Integranikkey (grupo que fomenta a união e o engajamento de pessoas com identidade nikkei em Londrina) e vice-presidente da Acel (Associação Cultural e Esportiva de Londrina). Foto: Rafael Costa
Luciano Matsumoto, membro do Comitê Gestor do Integranikkey (grupo que fomenta a união e o engajamento de pessoas com identidade nikkei em Londrina) e vice-presidente da Acel (Associação Cultural e Esportiva de Londrina). Foto: Rafael Costa

Matsumoto participou recentemente em Londrina de uma mesa redonda sobre como estreitar o relacionamento entre as comunidades nikkeis e o Japão. No debate, outros assuntos surgiram, como os esforços do governo japonês de aproximação com os descendentes e a identidade nikkei. O evento foi uma contrapartida do Programa de Convite de Descendentes de Japoneses. Participaram lideranças da comunidade nikkei de Londrina e região. Entre eles, estavam jovens líderes que, cada um à sua maneira, contribuem para dar continuidade ao legado de seus ancestrais, por meio da música, da dança e do empreendedorismo, meios em que é perfeitamente possível imprimir os valores da sociedade japonesa.

Mesa redonda sobre “Como estreitar o relacionamento entre as comunidades nikkeis e o Japão”, realizado pelo Grupo Integranikkey em dezembro de 2018. Foto: Rafael Costa
Mesa redonda sobre “Como estreitar o relacionamento entre as comunidades nikkeis e o Japão”, realizado pelo Grupo Integranikkey em dezembro de 2018. Foto: Rafael Costa

“Quantas portas se abrem porque somos descendentes de japoneses. Dentro do nosso trabalho, da vida doméstica, as portas se abrem, porque nossos pais e avós sempre se postaram de maneira muito positiva, honesta, trabalhadora. São pessoas que ganharam muito respeito”, disse em seu relato o empresário Atsushi Yoshii, fundador da A. Yoshii Engenharia e filho de imigrantes. Os japoneses que imigraram para o Brasil eram pessoas sofridas e muito simples, ele continua, mas deixaram um importante legado no País – a credibilidade.

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Uniforme e luva de time de beisebol de Londrina no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão; com o uniforme, patrocinado pelo empresário Atsushi Yoshii, o time londrinense conquistou diversos títulos na década de 1980; a luva é da fabricante brasileira Fujiya
Uniforme e luva de time de beisebol de Londrina no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão; com o uniforme, patrocinado pelo empresário Atsushi Yoshii, o time londrinense conquistou diversos títulos na década de 1980; a luva é da fabricante brasileira Fujiya
Lápis com propaganda de empresas fundadas por nikkeis em Londrina em exposição no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão
Lápis com propaganda de empresas fundadas por nikkeis em Londrina em exposição no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão
Exposição sobre as profissões assumidas por nikkeis em outros países no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão
Exposição sobre as profissões assumidas por nikkeis em outros países no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão
Exposição sobre as profissões assumidas por nikkeis em outros países no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão
Exposição sobre as profissões assumidas por nikkeis em outros países no Museu da Migração Japonesa da Jica (Japan International Cooperation Agency) em Yokohama, Japão

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Pois, no final, é o patrimônio imaterial que mais importa, já que o material perece. Por isso, é latente a responsabilidade dos nikkeis de manter o legado de seus ancestrais vivos na memória e no dia a dia. A consciência desse papel é despertada de maneiras diferentes e em momentos diferentes para cada um, opina Matsumoto. Mas o que se pode fazer é criar oportunidades para que isso aconteça, seja por meio de eventos, festividades, música, dança, viagens, empreendedorismo ou boas práticas.

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Imagem ilustrativa da imagem Uma ponte entre o Brasil e Japão

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UMA PONTE ENTRE BRASIL E JAPÃO

DATA DE PUBLICAÇÃO
05 de Janeiro de 2019

TEXTOS E IMAGENS
Mie Francine Chiba

IMAGEM DE CAPA E AQUARELAS
Shutterstock

ILUSTRAÇÕES
Rafael Costa

EDIÇÃO E DESIGN WEB
Patrícia Maria Alves

SUPERVISÃO
Adriana De Cunto (Chefe de Redação)

AGRADECIMENTOS
Ministério de Relações Exteriores do Japão (Ministry Of Foreign Affairs of Japan - Mofa), Embaixada do Japão no Brasil, Consulado Geral do Japão em Curitiba, Luciano Matsumoto (Integranikkey)

Imagem ilustrativa da imagem Uma ponte entre o Brasil e Japão

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