Folha de Londrina

Jovens titãs

Jovens titãs

Sem capas de heróis ou superpoderes, adolescentes reais lutam por mais direitos, paz e um ambiente melhor para todos

Personagens da editora norte-americana DC Comics, os “Jovens Titãs” são cinco adolescentes com superpoderes, que vivem juntos e tentam combater o crime, numa versão adolescente da Liga da Justiça. Longe da ficção, jovens reais e inseridos em diversas classes socais e lugares buscam combater a intolerância, desigualdade, preconceito, “vilões” do momento que vivemos, lutando por mais direitos, paz e um ambiente melhor para todos, sendo protagonistas de seus futuros, baseando-se na ética, solidariedade e respeito.

Sem capas de heróis ou superpoderes, usam da capacidade de ações concretas para transformar a realidade que estão inseridos, não se enquadrando em nomenclaturas de gerações ou padrões. Tudo isto com gestos que estão ao alcance, simples, e diante de áreas que têm familiaridade.

Jovens titãs

São jovens com responsabilidade, preocupados em preencher o agora com engajamento, espalhando a possibilidade de quem tem muito a oferecer e não quer ficar ocioso, nem olhando os demais ou o tempo passar sem nada fazer. A adolescência, que compreende dos 12 aos 18 anos, pode ser uma das fases mais difíceis em termo de maturidade, mas não quando se fala em sonhos e planejamento de fazer e ser a diferença.

Estima-se que a população de adolescentes chegue a cerca de 31 milhões de pessoas no Brasil e 1,8 bilhão no mundo. Aqueles que se dedicam a uma causa podem não ser a maioria, entretanto têm ciência de que juntos, e somando atitudes, podem inspirar outros, agregando cada vez mais nesta cadeia, como uma onda que se levanta num mar de dinamismo e vigor.

Neste Especial Transmídia, frases como nos “julgam por sermos adolescentes”, “quero fazer a diferença”, “gosto de interagir” e “precisamos de líderes novos” são algumas das ecoadas pelos entrevistados.

Em comum, além do perfil de comprometimento, todos veem em alguém mais velho um espelho. Prova de que os adultos desempenham papel importante nesta trajetória, carregando a responsabilidade de mostrar os caminhos que podem ser seguidos.

Numa época em que temos grandes personagens inspiradores, como a paquistanesa Malala Yousafzai, que conquistou o Nobel da Paz aos 17 anos por seu ativismo na educação, e a sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que foi indicada ao mesmo prêmio pela dedicação contra o aquecimento global, especialista alerta que os jovens devem manter seus focos em realizações e ícones tangíveis, e usando de sua resiliência.

Que a força da juventude, com poucos ou numerosos feitos, seja luz para um amanhã exitoso, independente da idade daqueles que nele estarão.

Por PEDRO MARCONI

Jovens titãs

Fazer diferença é uma lição

Jovens atuam dentro e fora do ambiente escolar na busca por um ensino melhor para todos

A escola é ambiente de aprendizagem, mas para aqueles que lutam por um ensino melhor para todos também poder ser local para fazer diferença. Na escola, os alunos não precisam ser apenas o resultado do que se aprende, mas sim o começo, meio e fim de todo o processo. O engajamento dentro da unidade escolar é uma das marcas da personalidade de Cecília Avansini, 16. Diretora de cultura do grêmio estudantil do IFPR (Instituto Federal do Paraná) - campus Londrina, ela luta por uma educação de qualidade.

“Muitas vezes as pessoas nos julgam por sermos adolescentes. Acham que não sabemos o que estamos falando, mas vamos de pouco em pouco alcançando onde queremos chegar”, resume a jovem. Recentemente, com outros colegas, organizou uma mostra de projetos no Calçadão como forma de demonstrar para a população a relevância de manutenção da verba da instituição, que teve parte contingenciada pelo governo federal. A iniciativa partiu dos próprios alunos.

O incentivo para sempre sair da zona de conforto partiu da família, e começou quando ainda era criança. “Quanto tinha uns nove anos fazia parte de projeto social com minha mãe. Íamos ler histórias para meninos e meninas carentes”, relembra. “Estudei a vida toda em colégio particular, mas nunca tive relação com movimento estudantil. No ensino médio, indo para o IFPR, comecei a descobrir mais sobre isso e veio a oportunidade de entrar no grêmio para ajudar os alunos”, relata. Os resultados de todo empenho já vêm aparecendo, com os alunos participando das reuniões de mudança do regimento interno da unidade e a conquista de um cronograma de atividades e provas.

“Estar envolvido em causas é importante, porque nós somos a sociedade adulta de amanhã” - Cecília Avansini

Concomitante a esta atuação, Avansini ainda levanta outras bandeiras. Faz parte de um projeto de pesquisa sobre machismo contra meninas nos cursos de exatas e é presidente do Interact Londrina, grupo ligado ao Rotary Club para jovens desenvolverem suas habilidades de liderança. “Tanto na questão do movimento estudantil, quanto no trabalho social, aprendi muito, pois passei a conviver com realidades diferentes da minha. Estar envolvido em causas é importante, porque nós somos a sociedade adulta de amanhã.”

Cecília Avansini
Cecília Avansini

AJUDA A COLOMBIANOS

Ellen Beatriz Menger Nunes, 15, é outra adolescente que faz da sua vida uma lição de contribuição pelo bem comum. Desde o início de maio ela colabora com dois colombianos matriculados no colégio estadual Nossa Senhora de Lourdes, zona leste de Londrina. No período da manhã cursa o segundo ano do ensino médio na instituição e durante a tarde ajuda na adaptação e integração dos irmãos. “Revezo os dias com eles. O que o professor explica repasso para eles, na prova traduzo os enunciados. Meu intuito é fazer com que eles falem português. Sempre que converso, falo para os dois em espanhol e peço para me responderem em português, para irem aprendendo”, conta.

O trabalho é voluntário e iniciou por vontade dela, que tem conhecimento do espanhol. Há pouco mais de um ano começou a estudar a língua estrangeira com a ajuda de um dicionário. Hoje, para complementar, utiliza um aplicativo. “Fiquei sabendo dos irmãos colombianos pela minha professora de português. Ela comentou da chegada deles e disse que poderia ajudar. Falei com o diretor e pedi autorização”, destaca. “Ajudo três vezes por semana, porém junto com a secretaria vamos montar um cronograma para vir em dias e horários certos e atender quando os professores solicitarem.”

“Não podemos só reclamar da educação e não fazer a nossa parte” - Ellen B. Menger Nunes

Natural de Sergipe, Nunes mudou-se para Londrina há aproximadamente cinco meses. Quando chegou à instituição, buscou se inteirar sobre o grêmio estudantil do colégio, entrando para o grupo como coordenadora de imprensa. “Achei muito interessante, porque é somar as ideias dos outros estudantes e fazer com que se concretizem. Faço o que posso, pois é a voz de todos os alunos representados por um grupo”, ressalta.

Atuante nas demandas dentro da escola, planeja continuar assistindo quem precisa, incluindo isto na profissão que pretende seguir. “Quero cursar jornalismo ou psicologia e ajudar o máximo possível, independente do que escolher. Quero poder fazer a diferença, pois é isso que está faltando na sociedade. Não existe idade para isso, porque o gesto é o mesmo. O que me motiva é ver a gratidão nas pessoas. Não podemos só reclamar da educação e não fazer a nossa parte”, considera, com a certeza de que está no caminho certo.

Por PEDRO MARCONI

Ellen Beatriz Menger Nunes
Ellen Beatriz Menger Nunes

Alfabetização política

Membros da Câmara Mirim incentivam colegas a buscar conhecimento e envolvimento com as questões do cotidiano

O crime poderia ter sido cometido em Londrina, fora do País ou contra uma pessoa em plenas condições de autodefesa. Para a jovem Kauana Teodoro, 15, nada disso tinha importância diante da impunidade do agressor. Saber que o ato de violência sexual contra uma garota em 2018 não havia sido levado para a Justiça fez nascer na estudante do 2º ano do ensino médio um forte sentimento. A revolta, característica latente da personalidade juvenil em pleno exercício do direito de sê-lo, havia se transformado em vontade de “fazer justiça”, define.

Foi após esse episódio que ela resolveu se engajar politicamente e acabou participando do projeto Câmara Mirim, em sua escola. Mas foi por acaso que ela sentou pela primeira vez na cadeira da presidência da Câmara Municipal de Londrina, cargo que vem ocupando desde o início deste ano no projeto. Após a formação das chapas e uma eleição na escola no ano passado, Teodoro saiu da suplência para ocupar a vaga deixada por outra aluna. Em seguida veio o grande desafio de representar a escola e os colegas.

Jovens titãs

“É muito importante, é uma coisa que você vai levar para o resto da sua vida” - Kauana Teodoro

“Muitas vezes nós debatemos o tema política, o que está acontecendo no nosso País, nas aulas de sociologia ou de português e, assim, vem um peso muito grande para nós que estamos aqui na Câmara. Me sinto um pouco pressionada, mas não é nada, assim, tipo, muita coisa”, brinca. É assim em um breve debate em sala de aula sobre cidadania. “Eu fiquei pensando bastante, o que é ser cidadão? Teve um peso maior para mim; por ser presidente deveria saber mais”, avalia. E ao conduzir a sessão, o que já demonstra firmeza e tranquilidade.

Kauana Teodoro
Kauana Teodoro

De personalidade emotiva e com muita vontade de aprender, a jovem conta que passou a ver a política não mais como algo “ruim” ou “errado”, imagem fortalecida por escândalos de corrupção e por opiniões cansadas, de quem já não acredita mais em dias melhores. Ao entrar em contato com os bastidores, conta que entendeu o que a política realmente é, um espaço de debate onde devem prevalecer o respeito pela opinião alheia e a busca por soluções comuns aos interesses da sociedade. Onde embates são naturais o tempo todo para que os próprios pontos de vista sejam legitimados.

Como uma leve e infantil bravata do vereador mirim Samuel Dias Vieira, 17, em relação à presidente, flagrada pela reportagem nos corredores, durante a sessão do mês de maio. Amigos de longa data, os dois já entendem que discordar pode ser saudável, desde que no campo das ideias.

ESPALHAR CONHECIMENTO

Responsável por um pronunciamento sobre liderança na sessão, o estudante do 3º ano do Ensino Médio avalia que o projeto tem colaborado no desenvolvimento desta habilidade pessoal. “Qualquer momento que posso aprender ou ensinar alguém eu tento aproveitar o máximo, porque ensinar uma pessoa é muito mais importante do que ler e deixar para você mesmo; você consegue espalhar seu próprio conhecimento”, comemora.

“Temos que aprender a respeitar o que as outras pessoas pensam e sempre debater de forma coerente” - Julia dos Santos Souza

Quem também pensa desta forma é a vereadora mirim Julia dos Santos Souza, 15, grande defensora de pautas feministas. “Neste trimestre a nossa sala está bastante envolvida com política, até porque o conteúdo é sobre democracia, então todos os professores estão voltando para esse eixo. Todas as aulas nós tentamos debater um pouco, ouvir a opinião das outras pessoas, porque nem sempre todos vão pensar do mesmo jeito que eu. Temos que aprender a respeitar o que as outras pessoas pensam e sempre debater de forma coerente e não fazer com que a comunicação seja algo violento, trazer argumentos”, afirma.

Característica comum ao político “profissional”, a oratória já passa a ser um traço marcante na personalidade destes jovens, o que o professor de língua portuguesa, Breno Peralta, avalia ser um ganho muito importante quando questionado sobre o amadurecimento deles. “É a oportunidade deles falarem em público, desenvolverem a oratória e entenderem que as coisas têm um processo a ser seguido, que não basta simplesmente a vontade, que não vai lá e vira lei. Você tem uma ideia, um projeto, essa ideia é colocada em pauta, debatida, construída e após um processo demorado é aprovado. Existe um procedimento e é saudável assim”, avalia.

Julia dos Santos Souza
Julia dos Santos Souza

Julia dos Santos Souza

É o mesmo sentimento de orgulho que toma conta da jovem presidente ao contar que, graças a um requerimento dos vereadores mirins, uma árvore foi cortada de modo a facilitar a visualização do semáforo em uma movimentada avenida da cidade. Uma pequena contribuição muito comemorada com os colegas em sala.

“Ensinar uma pessoa é muito mais importante do que ler e deixar para você mesmo” - Samuel Dias Vieira

Ainda se familiarizando com as regras, a principal responsabilidade deles no âmbito do projeto passa a ser a de transmitir o que vem aprendendo aos colegas, de modo a incentivá-los a sempre buscarem conhecimento e envolvimento com as questões do cotidiano. Sejam de natureza simples, como o buraco de rua, ou mais complexas, como “o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio”, que “dependem das decisões políticas”, como lembrou o dramaturgo alemão Bertolt Brecht ao denunciar que o “pior analfabeto é o analfabeto político”.

Questionada como vem fazendo isso, a estudante afirma que está motivando os colegas a atuarem politicamente na formação de chapas e até no lançamento de candidaturas, um vez que os preparativos para as próximas eleições já começaram. “É muito importante, é uma coisa que você vai levar para o resto da sua vida”, diz aos colegas. E nem adianta falar em reeleição. “Acho que não, para dar a oportunidade para outra pessoa”, justifica a jovem estudante do Colégio Sesi.

Por VITOR STRUCK

Jovens titãs
Devanir Parra/CML

Motivação e inspiração na escola

Alunos aliam tecnologia à resolução de problemas reais no ambiente escolar

Ao receber a equipe da FOLHA no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, em Londrina, Julia Rinaldi, 16, e Pedro Henrique Gomes, 17, vestiam a mesma camiseta. O título, “GeekUp”, saltava aos olhos. Afinal, há cerca de uma década ser chamado de “nerd” não era algo tão “cool” quanto hoje em dia. Mas foi justamente por nunca darem ouvidos aos comentários maldosos que a dupla vem se destacando em eventos de tecnologia – como o “GeekUp” - na escola e até de nível estadual.

Os jovens apresentaram projetos desenvolvidos com a plataforma de prototipagem Arduino Uno. Um deles, conta Rinaldi, surgiu de um drama comum enfrentado por alunos, professores e diretores em escolas públicas Brasil afora: suspender as aulas diante dos estragos causados pelas fortes chuvas na estrutura das instituições.

“Teve um problema aqui no nosso colégio de vazamento de água, imenso, quase que desabou o prédio central por conta da tubulação. Então tivemos a ideia de fazer um projeto chamado Sustentabilidade Hidráulica Controlada por Arduino”, explica a jovem.

Ela recebeu as orientações necessárias para criar um modelo de aplicativo que emite um sinal toda a vez que a vazão de água nos ductos da instituição está acima do normal. Um protótipo que serve como base para App´s usados em sistemas operacionais de smartphones e tablets.

Aos poucos, a dedicação e a disposição de utilizar o tempo livre para aumentar os conhecimentos foi sendo motivo de orgulho para os professores do projeto de empreendedorismo, lançado há quatro anos no colégio. “Começou com 20 pessoas e terminou com quatro, a maioria desistiu. Segunda-feira era reunião do grêmio, terças e quintas o curso de Arduino, sexta-feira empreendedorismo, quarta aproveitávamos para estudar para as provas e dar mais atenção para o projeto. Foi bem complicado mas sempre dávamos um jeito”, garante.

“Queremos motivá-los a dar continuidade ao projeto, porque eles são o futuro da escola” - Julia Rinaldi

Questionada se acredita ser importante servir de exemplo aos outros alunos, de modo a motivá-los a participar de projetos e atividades extracurriculares, a jovem confessa que sim. “Gostamos de conviver com outros alunos que não passaram pela mesma experiência porque queremos motivá-los a dar continuidade ao projeto, porque eles são o futuro da escola”, avalia.

Julia Rinaldi: projeto monitora e evita vazamentos de água na escola Marcelino Champagnat
Julia Rinaldi: projeto monitora e evita vazamentos de água na escola Marcelino Champagnat

Mas nada disso é por acaso. Antes dela, outro grande exemplo deixou e ainda deixa marcas positivas. Ex-presidente do Grêmio e hoje graduando em engenharia de produção na UTFPR (Universidade Federal Tecnológica do Paraná), Pedro Henrique Gomes segue participando de atividades na escola que nasceram da parceria com o Sistema S.

Na ocasião, foi responsável por desenvolver uma horta hidropônica com canos e tubos de PVC, cuja irrigação era controlada por um sistema programado por eles com o Arduino Uno. “Aqui nós temos espaço para 120 mudas, então conseguimos ter uma produção que supriu tranquilamente a demanda do colégio, que é o nosso maior objetivo, ajudar aqui no refeitório”, afirma.

Um processo de criação que também colaborou com conhecimentos em outras áreas. “Também cria um ambiente de estudo porque você consegue usar a água para poder aprender sobre PH, condições de crescimento das plantas, conhecer a botânica”, exemplifica.

“Conseguimos uma produção (na horta hidropônica) que supriu a demanda do colégio” - Pedro Henrique Gomes

Para a professora de história e empreendedorismo, Sarita Maria Pieroli, a participação dos alunos trouxe resultados positivos com relação à convivência e o espírito de equipe. “Eles vêm para os encontros motivados, sabendo que não está valendo nota”, salienta.

Questionado se têm orgulho de serem conhecidos como “geek”, ou nerd, os jovens expressam com um sorriso a certeza de estarem no caminho certo. “A minha mãe até brinca comigo. Eu sempre gostei de ter essa fama de aluno que estuda, que é dedicado e que se esforça. Nos últimos anos, como eu conheci o curso de empreendedorismo, tive a oportunidade de aproveitar tudo o que eu já tinha visto na teoria e aplicar na prática. Isso é muito legal, ver que realmente tudo tem um motivo”, alegra-se Gomes.

Por VITOR STRUCK

Pedro Henrique Gomes e seu sistema de hidroponia
Pedro Henrique Gomes e seu sistema de hidroponia

Pedro Henrique Gomes e seu sistema de hidroponia

Correndo pelo outro

Atleta de 14 anos é reconhecida pela disposição de sempre ajudar o próximo

É no atletismo que Julia Taconi da Silva, 14, vê maneiras de colaborar para seu crescimento pessoal e daqueles que estão à sua volta. Moradora da região sul de Londrina, está há três anos no projeto social “Corrida para o futuro”. Começou após o fundador da iniciativa, Dirceu Vivi, ir até o colégio estadual Professor Paulo Freire, onde estuda, divulgar a oportunidade de ingressar nas atividades. Quis saber mais, se transformou em participante e logo pegou gosto pelas pistas.

Para a adolescente, o atletismo a faz uma pessoa melhor em todos os aspectos da vida. “Não troco o esporte por nada. Faz bem para a saúde e é uma família que formamos no projeto. O Dirceu é um ‘paizão’, cuida de cada um de nós, tanto no físico quanto no pessoal. Nos cobra para termos boas notas, mudarmos nossas atitudes em relação aos outros e o esporte traz isso. Fiquei mais responsável nos últimos anos e tenho uma melhor convivência com os demais”, conta ela, que está matriculada no nono ano do ensino fundamental.

Os treinos ocorrem quatro vezes por semana, sendo dois dias na pista de atletismo da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e outros dois na quadra do colégio, em formato de contraturno escolar. Já participou de diversas competições, como corridas de rua na região de Londrina e no Norte Pioneiro e Jogos Escolares da Juventude. Seu perfil como atleta é para corridas de mil metros e agora vem praticando três mil metros, além de ter habilidade para salto em distância e marcha atlética.

Jovens titãs

“Devemos Encontrar maneiras de fazer diferença” - Julia Taconi da Silva

Mais do que sua qualidade nas pistas, é reconhecida pelos colegas e treinador pela proatividade em ajudar aqueles que sonham em um dia poder viver do esporte. “Procuro incentivar os outros a entrarem para o projeto, se esforçarem. Como tenho uma experiência, ajudo os mais novos, fortalecendo-os no que fazem, organizando, esclarecendo. É uma maneira de cuidar deles”, valoriza a garota, com sorriso no rosto. O projeto, que se tornou instituto, conta com 57 pessoas, de seis a 17 anos.

Julia Taconi da Silva
Julia Taconi da Silva

Julia Taconi da Silva

RETRIBUIÇÃO

Segundo a adolescente, a vontade por fazer algo a mais pelos companheiros de “Corrida para o futuro” foi um processo natural. “Sentia que poderia fazer mais, já que um dia eu precisei aprender e passei o mesmo que eles. É uma forma de retribuir tudo que tenho recebido”, resume. “Vivemos numa sociedade em que falta isso. Podemos estar do lado de alguém que precisa, por isso devemos encontrar maneiras de fazer diferença.”

Com o desejo de ser uma atleta bem-sucedida, espera o mesmo para quem está no projeto. “Quero que no futuro todos estejam bem, permanecendo ou não no esporte. Poder participar de tudo isso é um esforço grande, mas que no final vale a pena. Não adianta só correr, tem que se preocupar em melhorar cada vez mais, pois vai refletir em outros aspectos”, sugere a jovem, que está envolvida na venda de rifas para arrecadar dinheiro com o objetivo de inscrever o instituto na federação paranaense da modalidade e comprar uniformes. “Infelizmente no Brasil não se dá muito valor ao esporte”, diz, com a certeza de que está trabalhando para mudar esta realidade.

Por PEDRO MARCONI

Jovens titãs

‘É preciso levá-los mais a sério’

Adolescentes precisam de espaços para poder assumir a identidade adulta, inovar e criar desafios

A adolescência - fase que pode ser compreendida dos 12 aos 18 anos – é a mais difícil em termos de amadurecimento do ser humano. Após 24 anos de estudos e trabalhos com esse público, a psicóloga Rosemarie Elizabeth Schimidt, de Londrina, tem convicção sobre isso. “É o tempo em que se vive o luto por todas as relações infantis, do corpo aos pais/adultos da infância”, justifica.

Ela parte desse contexto para afirmar que os elementos de holding (suporte) sociocultural são extremamente essenciais nessa fase de vida. “Os adolescentes lutam para uma questão da sobrevivência do próprio eu. Eles se constituem por meio de grupos sociais, com as redes, a família, a escola e reproduzem o comportamento da sociedade. Mas qual sociedade nós vivemos?”

Schimidt lança a pergunta e responde em seguida, lembrando que na sociedade em geral os aspectos de autonomia, iniciativa e liderança são, muitas vezes, deixados de lado porque todos estão voltados para a manutenção da própria rotina. “Muitas vezes, os jovens vão descobrir alguma possibilidade disso na universidade, quando participam de algum projeto que atenda a comunidade”.

“É preciso acabar com os clichês de geração ‘nem nem nem’ e ‘aborrecente’”

Sob este entendimento, ela condena o fato de a comunidade em geral não escutar as demandas dessa geração. “A sociedade precisa levá-los mais a sério e acabar com os clichês de geração ‘nem nem nem’ e ‘aborrecente’. Além disso, é fundamental criar espaços de suporte para que os adolescentes vivam sua criatividade, seu vigor biológico de forma orientada, criem desafios e inovem em cima daquilo que já existe”, sustenta.

Os espaços que a psicóloga se refere são ambientes com adultos dando suporte, compartilhando experiências de forma a integrá-los e apresentando métodos de ação para seguirem evoluindo. “Às vezes, é a própria família”, diz.

“A ideia é que esses espaços possam atender suas demandas, estimulando-os a empreender em busca de seus sonhos, que não são diferentes dos adultos. Eles querem ter um espaço no mundo como todos querem”, pontua.

Sobre os papeis que os adolescentes estão assumindo no mundo atualmente, Schimidt, que é chefe do departamento de Psicologia e Psicanálise da UEL (Universidade Estadual de Londrina), reflete que, apesar de haver um movimento social liderado pela juventude, ele ainda é isolado.

“Daqui 20 anos talvez tenhamos uma geração mais engajada”

“No Brasil, temos alguns clusters (grupos por similaridade), especialmente nas periferias, que se dedicam à arte, às rádios comunitárias, mas sempre com a iniciativa de um professor ou um educador que volta esse olhar para eles e cria uma integração, uma ideia do coletivo para que possam lidar com a satisfação de suas necessidades”, ressalta.

EXEMPLOS MÁXIMOS

Schimidt foi questionada se nomes como o da paquistanesa Malala Yousafzai, que conquistou o Nobel da Paz aos 17 anos pela ativismo na educação, e Greta Thunberg, sueca de 16 anos, indicada recentemente ao mesmo prêmio pelo protagonismo no movimento contra o aquecimento global, podem ser um espelho para essa geração.

Ela responde positivamente, mas encara esses nomes como exemplos máximos, sem muito potencial de referência para meninos e meninas no que se refere à perspectiva de futuro.

“Na minha opinião, o exemplo não deve ser internacionalizado porque o adolescente no Brasil vive uma realidade diferente. As histórias apresentadas a eles podem ser um modelo a ser visto, mas em primeiro lugar é preciso criar uma ideia coletiva ou clusters para que possam ter esperança e se autodesenvolver”, afirma.

Por MICAELA ORIKASA

Jovens titãs

O CAMINHO

Para essa caminhada, a psicóloga cita o conhecimento “como um bem tangível, ou seja, que cria possibilidades para que o adolescente possa ascender a um status quo de adulto de uma forma comparável àquilo que ele tem direito como ser humano”.

A questão da resiliência também emerge na conversa, pois Schimidt diz que a capacidade de superar e elevar para um bem maior situações adversas é algo que pode ser desenvolvido. De acordo com ela, alguns têm mais esse movimento interno porque em um determinado momento alguém olhou para eles, confiou e disse que podiam, que eram capazes e bons.

“Os adultos precisam mostrar para eles o potencial do dever futuro”

“É essa capacidade de resiliência que faz com que o adolescente faça essa superação, que ele se autoentenda, que se autoregule mesmo em uma situação de muita adversidade. E os adultos precisam ter empatia com esses adolescentes também porque sem eles não haveria uma contestação daquilo que existe em torno da ciência, dos costumes, dos hábitos, da sexualidade, dos valores e ética. São eles que nos movem”.

E O FUTURO?

Schimidt afirma que os relatos sobre o futuro não trazem mudanças comparados com outras gerações. Ela diz que todos sonham em ter uma boa profissão, sucesso financeiro, constituir família e ser feliz.

“Daqui 20 anos talvez tenhamos uma geração mais engajada com questões sociais, mas isso vai depender muito do que temos agora. Os adultos precisam mostrar para eles o potencial do dever futuro baseado na ética, na educação, na solidariedade e no respeito”, afirma.

Por MICAELA ORIKASA

Aprender a ensinar no circo

Apaixonados pelo picadeiro, alunos de curso técnico compreendem que é importante transmitir as descobertas para as crianças

Ensinar o que está aprendendo é algo que faz parte da rotina do estudante Daniel Ribeiro, 18. Aluno do Centro Educacional Marista Irmão Acácio, de Londrina, há quatro anos, decidiu doar um pouco de si e ser voluntário no contraturno escolar para ajudar os professores com a turma das crianças. Vem sendo assim desde o início de 2019.

“Eu acho uma ação muito digna e evolutiva para nós mesmos. Fazemos bem para outras pessoas que não têm condições de ter uma aula e para nós é um aprendizado, é uma paixão”, afirma o jovem aluno do curso técnico em artes circenses.

Morador do conjunto João Paz, na zona norte, Ribeiro conta que precisou ignorar comentários negativos para encarar o picadeiro. “Não vai te levar para frente”, ouviu. Mas o que considera “senso comum” não foi mais forte que a disposição em deixar de lado atividades corriqueiras da juventude e dedicar tempo para colaborar com o desenvolvimento de quem nem mesmo conhece. Ele revela que tudo isso faz parte de um projeto de vida bem maior, o de viver das artes circenses e se tornar professor.

“Eu pretendo ser um professor de circo, ou envolvido com artes, que é uma coisa que me incentiva bastante. Eu não gosto de ficar preso numa sala de frente para o computador. Gosto de interagir com as pessoas, conversar, ter aquele afeto”, afirma.

“Fazemos bem para pessoas que não têm condições de ter uma aula e para nós é um aprendizado, é uma paixão” - Daniel Ribeiro

São interesses que se confundem com os do amigo Heliel Ferreira, 16, também voluntário desde o início deste ano. Apaixonado pelo circo, o jovem conta que também já foi “escalado” para dar dicas de informática aos mais novos. “Fico até encantado. Em um dia que estava ajudando a fazer uma dinâmica de informática, eu sabia algumas coisas de Power Point e outras que eles me ensinaram. Então acho que essa é a parte que mais me emociono, é estar ensinando e aprendendo ao mesmo tempo”, comemora.

TUDO FAZ SENTIDO

Para Everton Luís Bonfim, coordenador das atividades circenses, o espírito do curso é justamente este. Tem a ver com “aprender a ensinar”. Para ele é muito gratificante ver os alunos transmitirem as descobertas que vêm fazendo porque, assim, “tudo faz sentido”, define.

“É como se houvesse um entendimento total no momento em que eles estão dando aula. Como se eles entendessem aquela cobrança que fazemos sobre a postura profissional, cuidados com o corpo ao executar uma acrobacia, subir em um aparelho aéreo. É um momento que gera empatia e que faz com que eles compreendam toda a nossa preocupação em passar a metodologia”, comemora.

“A parte que mais me emociono, é estar ensinando e aprendendo ao mesmo tempo” - Heliel Ferreira

DESLUMBRAMENTO

Enquanto ministravam uma oficina de circo em Curitiba para crianças de quatro a oito anos no início de 2019, as estudantes Rayane Fernandes Domingues, 16, Maria Eduarda Espinarde, 17, e Isabelle Oliveira, 16, entenderam que o propósito de estarem ali naquele momento extrapolava os limites do corpo. Ao ensinar ao lado de outros colegas do curso técnico em artes circenses parte dos exercícios, acrobacias e saltos que aprenderam nas aulas, perceberam que transmitir uma linguagem artística a outras pessoas poderia resultar na criação de uma conexão nunca antes vista.

“Eu achei um pouco difícil porque criança é mais dispersa, mas foi interessante também porque eles ficam mais deslumbrados quando veem as coisas”, afirma Espinarde.

A experiência agradou e hoje pretendem continuar fazendo a diferença na vida de muita gente, no caso, um grupo de 30 idosos, com aulas de informática aos sábados, leitura de histórias, expressão corporal e exercícios físicos. Por enquanto são apenas planos, mas que já servem para motivá-las.

Por VITOR STRUCK

Trupe do espetáculo “Gentilezas, gera gentilezas”
Trupe do espetáculo “Gentilezas, gera gentilezas”

Por uma sociedade melhor

Jovem desenvolve trabalhos em prol de quem precisa desde os 14 anos

“Ninguém é bom o suficiente antes de conhecer o bem”. É com uma frase debatida em sala de aula que o estudante Guilherme Pires Batista, 18, resume seu pensamento e atuação em prol de quem mais precisa. Ele desenvolve trabalhos sociais voluntários desde os 14 anos, e começou por incentivo dos pais. Matriculado no terceiro ano do ensino médio, atualmente faz parte da Ordem DeMolay, grupo de jovens baseado em princípios filosóficos, fraternais e filantrópicos.

Antes de se engajar pelas causas em prol das pessoas carentes e instituições, tinha uma adolescência comum e costumava passar o dia jogando videogame. “Meus pais sempre participaram do Rotary Club e me chamavam para ir com eles, falavam que seria bom para mim. Não tinha interesse e ia adiando, até que me fizeram ir numa reunião com eles. Naquele encontro discutiram formas de colaborar com uma família que tinha perdido tudo em um incêndio. A partir de então comecei a ter entusiasmo por estas questões”, relata.

Após este primeiro contato se integrou ao Interact, ligado ao Rotary, por cerca de dois anos, mas acabou se afastando por um período em razão dos estudos. Há mais de um ano está na Ordem DeMolay. “Ajudamos organizações filantrópicas, como creches e centros para idosos, que entram em contato conosco. Também nos estruturamos para promover ações. Teve uma vez que uma creche perdeu vários equipamentos, pois o prédio foi atingido por um raio. Eles vieram até nós, pediram a doação de três televisões e conseguimos sete”, recorda. Os materiais que sobram vão sendo armazenamento em um galpão, que conta, por exemplo, com cadeiras de rodas, que são doadas posteriormente.

“Temos que olhar o mundo lá fora e não ficar ‘dentro da caixa’” - Guilherme Pires Batista

Nas últimas semanas as atenções estão concentradas no projeto de arrecadar agasalhos. A intenção é distribuí-los em várias localidadea de Londrina com grande circulação de pessoas, por meio de cabides solidários. O grupo se reúne semanalmente aos sábados para debater as ações que irão colocar em prática. “Antes ficava em casa isolado, era meio introspectivo, não falava muito. Me integrando no Interact, na ordem, no Sesi Internacional, onde estudo, consegui me desenvolver, fiz muitos amigos. Me faz muito bem”, destaca ele que, inclusive, conheceu a namorada durante estes trabalhos.

Para Batista, a vida ficou mais “corrida” ao se dedicar a atividades sociais, porém tudo tem valido a pena. “O que faço não é para aparecer ou ‘crescer em cima’, mas sim por me sentir melhor ajudando. Muitas pessoas preferem cuidar apenas de si e se esquecem do próximo. Acham mais interessante se preocuparem com o seu bem-estar do que poder levar isso para os outros, o que é uma pena”, ressalta.

Espelhando-se no agora para imaginar o futuro, o jovem planeja continuar seguindo o caminho de quem serve o outro para promover um mundo mais altruísta. “Tinha vontade de cursar engenharia, porém gostei tanto do que faço, que agora quero me formar em direito para poder defender as pessoas de menos poder aquisitivo e que por isso não conseguem uma defesa ou ter acesso à Justiça. Temos que olhar o mundo como está ‘lá fora’ e não ficar ‘dentro da caixa’, porque tem muita gente precisando de nós.”

Por PEDRO MARCONI

Guilherme Pires Batista
Guilherme Pires Batista

Fé na juventude

Morador de Ibiporã procura transformar a realidade em que vive por meio dos valores cristãos

Considerado o apóstolo mais novo dos 12 que seguiam Jesus, João destacou em uma de suas cartas dirigidas às primeiras comunidades cristãs: “eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes”, segundo narra a Bíblia. Centenas de anos depois, jovens continuam demonstrando na prática a razão para a confiança apontada na exortação do discípulo, seguindo um caminho de fé e devoção, envolvendo outras pessoas a integrar este conjunto, no objetivo de um ambiente de bem-estar coletivo.

Carlos Eduardo Pavão Ponciano, 16, faz da sua juventude uma ponte para aproximar as pessoas dos ensinamentos deixados por Cristo, a partir das doutrinas do catolicismo. Integrante do Jumas (Juventude Masculina de Schoenstatt), ramo do Movimento Apostólico de Schoenstatt, e que é formado por pequenos grupos de vida, é apaixonado por música, colocando seu dom de cantar, tocar e compor a serviço.

O vínculo com a igreja teve como ponto de partida os familiares. “Minha família sempre foi bem religiosa. Para eu dormir, minha mãe cantava músicas relacionadas a Deus, e com isso fui gostando ainda mais de música. Cantei no coral da escola que estudava, que é ligada a uma congregação religiosa, depois fiz parte de uma pastoral da instituição, me engajando com o passar do tempo. Me encontrei totalmente no Jumas, que me fez ser ainda mais atuante. Participo de encontros e frequento a igreja. Ver o meu cantar chegar nos outros me deixa feliz. É como se Deus tivesse me dado um dom e eu usasse conforme a vontade Dele”, relata.

Com a música, leva sua mensagem de evangelização em retiros e atividades em geral, também tocando em missas. Aos 13 anos, escreveu uma canção dedicada a Maria, mãe de Jesus. Neste ano, ele e um amigo assumiram a coordenação de um grupo de crianças acima dos sete anos, denominado “Pioneiros de Schoenstatt”, e que representa mais um ramo do movimento. As reuniões são semanais, em que ocorrem reflexões.

“Não conseguimos mudar o mundo sozinhos, mas uma parte dele podemos” - Carlos Eduardo Pavão Ponciano

Para Ponciano, conhecido como Cadu, o contato com os menores é uma maneira de “plantar a semente” para que cresçam em sabedoria. “Já fui dos pioneiros e vi os mais velhos como um ‘espelho’. É uma forma de incentivá-los a ter condutas corretas na vida e prosseguirem, posteriormente, no Jumas e na igreja”, detalha ele, que mora em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) e está sempre presente em acampamentos religiosos e caminhadas penitenciais.

Carlos Eduardo Pavão Ponciano
Carlos Eduardo Pavão Ponciano

‘HOMEM NOVO’

Um dos ideais vividos pelo jovem, de acordo com o Jumas, é o do “homem novo”. É com este sentimento que visa propagar a fé, sem necessariamente falar dela. “É um ideal que nos ajuda a ter autoconhecimento. O ‘homem novo’ não é massificado, mas sim um ser humano que cria vínculos, uma pessoa que o mundo precisa. Isto em todos os lugares e não apenas dentro da igreja. É ser diferente dos demais e sem precisar tocar no nome do Deus”, exemplifica.

Além do grupo com crianças, procura animar os colegas de sua faixa etária a se comprometerem mais com Deus e os valores descritos na Bíblia, formando uma corrente que idealiza uma sociedade melhor. “Muitos agradecem depois e falam como foi bom esta experiência de se aproximar com Deus. Quero mostrar para eles o que vivo. Vemos muitos adolescentes com depressão, problemas na família. Com a fé eles podem sair desta realidade.”

Com o desejo de ver as sementes dando fruto daqui a alguns anos, quer crescer ainda mais espiritualmente. “Espero que os meninos do grupo que coordeno, assim como as outras pessoas, vão atrás de um mundo mais certo para todos, e que continuem este trabalho. Precisamos de líderes novos, de pessoas que não façam o que é errado porque é proibido, mas sim por não fazer parte de suas essências. Não conseguimos mudar o mundo sozinhos, mas uma parte dele podemos”, acredita.

Jovens titãs

Por PEDRO MARCONI

JOVENS TITÃS

DATA DE PUBLICAÇÃO

08 de Junho de 2019

TEXTOS

Micaela Orikasa, Pedro Marconi, Vitor Struck

IMAGENS

Gustavo Carneiro, Marcos Zanutto

Patrícia Maria Alves, Ricardo Chicarelli

EDIÇÃO

Patrícia Maria Alves

EDIÇÃO SITE

Erick Rodrigues

Lucília Okamura

ARTE

Junior Zamuner

APOIO LOGÍSTICO

Zenil Costa, Jenes de Almeida

DIAGRAMAÇÃO/IMPRESSO

Junior Zamuner

DESIGN/WEB

Patrícia Maria Alves

SUPERVISÃO DE PROJETO

Adriana De Cunto (Chefe de Redação)

MÚSICA:

“Tempo Perdido”- Legião Urbana

Intérprete - Cadu Ponce