Folha de Londrina

 

Especial Transmídia| Café 45 anos: multidão de sensações dá plenitude ao templo do futebol
 

Café 45 anos

Multidão de sensações dá plenitude ao templo do futebol

Partida a partida, gol a gol, a grama e o concreto foram absorvendo a história

Lúcio Flávio Moura (Especial para a FOLHA)

Era um domingo ensolarado de inverno, temperatura amena. Na Londrina de 22 de agosto de 1976, fuscas, brasílias, belinas, corcéis e passats coloriam e engarrafavam a Avenida Rio Branco, já a partir do início da tarde. Bandeiras e buzinas davam identidade ao tráfego. O clima festivo rumava ao norte da cidade e o futebol profissional se acomodava numa praça esportiva espaçosa e do tamanho da ambição de Londrina. 


 

Especial Transmídia| Café 45 anos: multidão de sensações dá plenitude ao templo do futebol
Acervo pessoal J. Mateus
 


 

Especial Transmídia| Café 45 anos: multidão de sensações dá plenitude ao templo do futebol
Acervo pessoal J. Mateus
 


 

Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
Acervo pessoal J. Mateus
 


Se em 1975, café havia sido sinônimo de perda, desilusão e despedida, no ano seguinte, café se tornou sinônimo de orgulho e esperança, um novo marco, um novo tempo.


 

Acervo pessoal J. Mateus
Acervo pessoal J. Mateus
 



Naquele dia, as 42 mil pessoas que viram o empate pelo placar mínimo no duelo entre Londrina Esporte Clube e Clube de Regatas do Flamengo inauguraram o conhecido ritual de subir rampas, passar por catracas, avistar o campo lá de cima, discutir pelo melhor lugar, aguardar a bola rolar, sentir o coração bater mais forte.

 

Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
Acervo pessoal J. Mateus
 

 

Acervo pessoal J. Mateus
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Tanto tempo depois, visitar o estádio - deserto há mais de um ano pelas restrições da pandemia -  é descobrir que, desde aquela tarde agitada e diferente na qual os portões foram abertos pela primeira vez, algo mágico aconteceu, como se aquele pequeno pedaço da cidade fosse um gigantesco baú de sensações que, uma vez aberto inadvertidamente, nos permite viajar no tempo e experimentar de novo alguns dos melhores momentos que o futebol proporciona.

 

Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
 

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ASSISTA AGORA O DOCUMENTÁRIO COM ZICO, O EX-ATACANTE GARCIA, EX-ZAGUEIRO MARCIO ALCÃNTARA, O EX-GOLEIRO SERGINHO QUE FIZERAM HISTÓRIA NO ESTÁDIO DO CAFÉ E NO LONDRINA ESPORTE CLUBE, ALÉM DE OUVIR AS HISTÓRIAS DO RADIALISTA J.MATEUS QUE NARROU O PRIMEIRO GOL NO CAFÉ EM 1976:

 

Veja o depoimento dos lendários Carlos Alberto Garcia, ex-atacante do LEC, campeão paranaense 81, Serginho Vitori, ex-goleiro do LEC, Marcio Alcântara, ex-za... | Autor: Folha de Londrina
 

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A era de ouro


O destino foi generoso com o Estádio do Café. O time da cidade já era bom o suficiente para merecê-lo. Menos de dois anos depois do jogo inaugural, o Londrina atraía a atenção do mundo do futebol com uma campanha admirável no Campeonato Nacional. As lendas Carlos Alberto Garcia e Brandão comandaram uma arrancada improvável e empolgante, uma doce fábula feita de vitórias heroicas - sobre Corinthians e Flamengo - que sacudiam as arquibancadas e as cativas, a melhor forma de revestir tudo aquilo com afeto e paixão. O sonho durou até as semifinais e a força da dobradinha Tubarão e Estádio do Café já era compreendida em todos os sotaques. 

 

Arquivo Folha
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O beijo de um canhão


Em 18 de maio de 1980, com menos de quatro anos de idade, a nova casa - apinhada e coberta por um mar de bandeiras - foi palco do primeiro título nacional do futebol paranaense, a Taça de Prata, espécie de segunda divisão nacional da época. A emoção daquela façanha é simbolizada por um gesto tão belo quanto espontâneo: o atacante Paulinho, o Canhão de Pinhal, subindo na mesa e beijando o troféu após marcar o terceiro gol - ele ainda faria mais um, de pênalti - na final contra o CSA.


 

Arquivo Folha
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Coração de torcedor, cabeça de ídolo

No ano seguinte, no dia 29 de novembro, o Londrina voltava a fazer história e com a participação direta da torcida. Final do Campeonato Paranaense contra o rival Grêmio Maringá, mais de 43 mil torcedores, a chance de acabar com um jejum de mais de 18 anos. Jogo difícil,  segundo tempo, 1 a 1. 


 

Arquivo Folha
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Arquivo Folha
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Das arquibancadas e cadeiras, uma intuição coletiva varreu a grande ferradura. Alguém precisava sair do banco de reservas e entrar no jogo. O coro pedia Carlos Alberto Garcia, não por acaso nomeado ídolo máximo do clube alviceleste. Ele entrou em campo e poucos minutos depois deu um cabeceio clássico e certeiro para anotar o gol da vitória e do título. Em comunhão, torcida e time compartilharam gritos, lágrimas, volta olímpica, quitação de promessas com joelhos esfolados. O currículo do Café encorpava.

 

Carlos de Souza / MultiTv
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Arquivo Folha
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Márcio e João Neves

Futebol no interior nunca foi fácil e depois de mais de uma década de revezes, o adolescente Café, então com pouco mais de 16 anos, reviveu sua infância gloriosa em uma trinca de jogos inesquecíveis. 

Decisão do Estadual de 1992, outro rival histórico, o União Bandeirante. Após um empate sem gol no primeiro jogo, quem vencesse o segundo levaria o troféu. Até o minuto final, os alvinegros venciam por 2 a 1. Tudo parecia perdido. O sabor amargo da derrota já era sentido.

 

 

Arquivo Folha
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Arquivo Folha
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Mas eis que uma bola é alçada na pequena área e sobra para o zagueiro Márcio Alcântara, na segunda trave, empurrá-la de “peixinho” para o fundo das redes e provocar uma comoção poucas vezes vista no esporte londrinense. O Tubarão estava mais que vivo, estava reenergizado para o duelo final. Outro zagueiro brilharia no terceiro jogo, João Neves, autor do gol da vitória e do título, também de cabeça. Era 18 de dezembro de 1992, outro tabu derrubado, mais um troféu na prateleira. 


 

Carlos de Souza / MultiTv
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DAVI LONDRINENSE SUPERA O GOLIAS PENTACAMPEÃO 

No ano do penta, 2002,  o Café voltou a ter uma noite de gala, estrelada pela primeira vez por alguém mais jovem que o próprio estádio. Sérgio Roberto Vitori, 20 anos, conhecido no futebol profissional por Serginho, londrinense nato. Confronto de mata-mata contra o Cruzeiro, segunda fase da Copa do Brasil, 25 mil testemunhas. O Londrina venceria por 1 x 0, gol do atacante angolado Johnson.

 

Arquivo Folha
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Arquivo Folha
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Mas outro lance seria eternizado. No primeiro tempo, pênalti para a Raposa. Edilson, o Capetinha, que meses depois seria campeão do mundo com o Escrete na Ásia, representava uma espécie de Golias diante de um humilde Davi sob as traves. Mas Serginho, que hoje aos 39 anos trabalha no ramo imobiliário, venceu como o personagem bíblico, voando à direita e interceptando o chute com frieza, recolocando com autoridade a bola em jogo. Um lance de antologia, uma emoção que nem mesmo quem estava no estádio é capaz de descrever. 


 

Carlos de Souza / MultiTv
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IMAGINAÇÃO SEM LIMITES

Há outras lembranças, outras saudades. O Pré-Olímpico de 2000, com Londrina recebendo as seleções de braços abertos e o Café consagrando a nossa Outras tantas pequenas alegrias. Há também recordações inconvenientes, estas que o esquecimento remedia.  As cabines de rádio estão lá, silenciosas, mas a imaginação fala mais alto e parece que os locutores ecoam todos os gols novamente, ao mesmo tempo. Os repórteres de campo de todas as épocas se perfilam e formam uma multidão atrás das placas de publicidade. 

 

Arquivo Folha
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Arquivo Folha
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Arquivo Folha
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Lá no alto, a fumaça e o aroma anunciam que o espetinho está pronto. A cerveja está gelada, garante o rapaz do isopor, o cachorro quente forma fila. A turma faz barulho batendo a mão no plástico das cadeiras, os fogos espocam, uns vaiam, outros aplaudem. 


 

Arquivo Folha
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Os vestiários estão limpos e perfumados, sem preleções e nervosismo. Mas é como se todas as camisas molhadas de suor, todas as orações, velas acesas, broncas e instruções, como se toda aquela parte do jogo que a plateia não vê se revelasse por um momento apenas para entendermos o quanto da grandeza humana pode ser compreendida dentro de um estádio de futebol. 


Quando é hora de partir, sair do transe e cair na realidade, já é muito fácil dizer: foram 45 anos muito bem vividos, Estádio do Café.


 

Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
 



O estádio que mudou a cidade agora precisa ser repensado

(Diego Prazeres/Editor de Esporte)


 

Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
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Para quem vive o futebol da cidade e viu o estádio do Café nascer, não resta dúvidas: “O estádio do Café marcou um novo tempo para Londrina em termos de futebol". É o que afirma o locutor esportivo José Mateus de Lima, o J. Mateus, da rádio 91,7 Paiquerê, e que transmitiu pela emissora, então na frequência AM, o jogo inaugural entre Londrina e Flamengo naquela tarde de domingo de 22 de agosto de 1976. 

 

 

Carlos de Souza/Multitv
Carlos de Souza/Multitv
 



Mateus lembra que a construção do estádio foi rápida e permitiu ao Londrina a experiência de disputar pela primeira vez o Campeonato Brasileiro da Série A naquele mesmo. O clube tinha apenas 20 anos de existência e tinha como sua única casa o VGD. O problema é que havia a exigência da então CBD (Confederação Brasileira de Desporto) de que somente cidades com estádios com capacidade acima de 30 mil torcedores poderiam ter times disputando a elite nacional - numa época em que o campeonato era inchado para acomodar o maior número de clubes a fim de garantir o apoio político da Arena, o partido que sustentava a ditadura militar vigente. 

 

Acervo pessoal J. Mateus
Acervo pessoal J. Mateus
 

 

Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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Acervo pessoal J. Mateus
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O radialista gosta muito do Café, mas defende que o estádio, 45 anos depois, deva passar por uma ampla reforma que o torne mais confortável e menos obsoleto. “Nós temos é que dar ao estádio do Café o que ele precisa: oferecer conforto ao torcedor, fazer uma nova cobertura, de repente uma cobertura total. Não precisa o restaurante panorâmico (como previa o projeto original do estádio), mas vestiários novos, cabines novas, arquibancadas limpas, e principalmente uma nova iluminação", afirma J. Mateus, dando uma luz à iniciativa privada. 


 

 

Áudio do gol do jogo inaugural J. Mateus (Rádio 91,7 Paiquerê


“O estádio do Café precisava ser refeito, mas a prefeitura nunca que vai ter condições de fazer isso. Então, de repente, se pudesse ser passado à iniciativa privada, como tem hoje estádios como o do Palmeiras, que comportam espetáculos, shows... Eu não me incomodaria nunca se o Londrina tivesse que jogar em outro local por causa de espetáculos artísticos sendo realizados no Café, mas teríamos um estádio modernizado, atualizado, reformado, e oferecendo segurança e conforto para os frequentadores".  


 

Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
 



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CAFÉ 4.5

28 de Agosto de 2021

TEXTOS ENTREVISTA

Diego Prazeres e Lúcio Flávio Moura 

FOTOGRAFIA

Isaac Santana, Carlos de Souza, Arquivo da Folha de Londrina, acervo pessoal de J. Mateus e Folhapress 

EDIÇÃO

Patrícia Maria Alves

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

Zico

PRODUÇÃO

Diego Prazeres

DIAGRAMAÇÃO/IMPRESSO

Anderson Mazzeo

DESIGN/WEB

Patrícia Maria Alves 

AGRADECIMENTOS

Fundação de Esportes de Londrina e Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da Universidade Estadual de Londrina


REALIZAÇÃO

Folha de Londrina e Multitv


PATROCÍNIO

HS Consórcios
Consórcios Ribeirete


SUPERVISÃO DE PROJETO

Adriana De Cunto (Chefe de Redação)

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