Folha de Londrina

Em busca do sonho chamado futebol

Em Busca do Sonho

Desde o berço, boa parte dos meninos brasileiros convive com o projeto, deles ou dos pais, de se tornar um jogador de futebol; nem sempre, porém, o sonho vira realidade

Thiago Mossini

Sala de ultrassom. Marido e mulher ansiosos enquanto o médico analisa as imagens que vê da barriga dela. Até que vem a notícia: “É menino”. Para o pai, soa como se fosse um gol do time dele em uma final de campeonato. Entre abraços, beijos e choro emocionado, a imaginação do futuro papai vai longe, já projetando a carreira futebolística do moleque. Essa é uma realidade muito comum no Brasil. O sonho de ser um jogador de futebol é alimentado desde bebê na maioria dos casos. É um sonho não só do garoto que nasce no “país do futebol”, mas também de toda a família. Afinal, como diz aquela música dos mineiros do Skank, “quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”.

Ver o filho jogador é o sonho daquele pai que não conseguiu fazer carreira. Ajudar o garoto a ganhar dinheiro com o futebol é o desejo de muitas famílias; em inúmeros casos, é a grande esperança para deixar a vida miserável que levam, sem dinheiro muitas vezes nem para comer.

Mas muitas vezes essa obsessão de fazer um astro da bola dentro de casa acaba prejudicando o próprio filho. A influência do pai pode pesar para o bem e para o mal. Pode atrair ou afastar o garoto da bola. Pode inseri-lo em um clube, bem como enterrar uma carreira. Exemplos não faltam. Um clássico é o da eterna promessa Jean Chera. Hoje aos 23 anos e com passagens por Santos, Genoa, Flamengo e Cruzeiro, além de clubes pequenos da Grécia, Espanha, Romênia e Brasil, ele virou estrela já com nove anos de idade, era chamado de “novo Messi”, mas viu os clubes fecharem as portas devido às atitudes do pai, então empresário dele.

Jean Chera (à esquerda) com Neymar ainda nas categorias de base do Santos em 2007 (Sérgio Castro/Estadão Conteúdo)
Jean Chera (à esquerda) com Neymar ainda nas categorias de base do Santos em 2007 (Sérgio Castro/Estadão Conteúdo)

Cada vez mais, esse mundo glamouroso e bilionário que se tornou o futebol faz brilhar os olhos de pais e filhos, bem como enche de sonhos a imaginação deles. As grandes estrelas do futebol mundial ganham salários de milhões de reais por mês, valores que provavelmente nem eu, nem você que lê estas mal traçadas linhas sonhamos em ganhar com nossos empregos atuais.

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Porém, esses salários de vários dígitos não são a realidade da maioria dos boleiros. Para ficarmos apenas no Brasil, o último estudo feito pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apontou que 82,40% dos jogadores brasileiros recebem menos de R$ 1 mil de salário a cada 30 dias. Isso quando o mês tem “apenas” 30 dias ou quando o calendário do boleiro tem 12 meses. Muitos atuam nos gramados apenas parte do ano, durante os Estaduais, e depois vão fazer outra coisa da vida até a temporada seguinte.

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Nos próximos capítulos, tentaremos traçar um panorama da trajetória de um jogador, contada por quem vive ou já viveu esse sonho.

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O SONHO NASCE

FOLHA acompanhou viagem de meninos de escolinha de futebol de Londrina para disputar torneio fora do Brasil, uma Copa do Mundo pessoal Thiago Mossini

Para todo menino que sonha ser jogador de futebol, a caminhada é longa. Os primeiros passos precisam ser dados bem cedo, nas escolinhas de futebol ou de futsal. Lá, as crianças vão desenvolver a coordenação motora, o espírito de equipe e de competição, e vão aprender, claro, os fundamentos do esporte. Em Londrina, por exemplo, são cerca de 40 escolinhas espalhadas pela cidade, com aproximadamente 6 mil alunos correndo atrás do sonho deles e dos pais.

Nesta caminhada, muitos são os torneios disputados, encarados pelos pequenos como suas Copas do Mundo pessoais. Para conhecer de perto como é essa rotina de competição dos garotos, a FOLHA embarcou com a delegação da Academia São Caetano para uma aventura no Paraguai. O baile que eles dariam ao longo da competição não foi em Assunção, mas em Encarnación, localizada 370 km ao sul da capital paraguaia.

Os 810 quilômetros de distância foram percorridos de ônibus, que partiu da sede da escola numa tarde de domingo. No bagageiro, pilhas de colchões, fogão, panelas, tanquinho de lavar roupas, malas e muitos sonhos.

Um momento nostálgico para mim. Afinal de contas, já estive na pele desses meninos, com esse brilho nos olhos de quem pegaria a estrada para ganhar o mundo da bola. Vinte e cinco anos atrás, era a minha vez de sonhar. Agora, era a hora de embarcar para contar a história deles, ver o choro de saudade, preocupação e esperança dos pais que ficavam.

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Eram dois times no ônibus: um com meninos com idade inferior a 11 anos e outro sub-17. Além dos garotos e professores, um grupo de mães viajou junto para ajudar no cuidado com as crianças. Elas também se dividiram entre a cozinha, lavanderia e organização do alojamento.

Na estrada, o baralho, a música e a famosa resenha ajudaram a passar o tempo. Depois de 18 horas de viagem, enfim, desembarcamos em Encarnación. A manhã foi ocupada com a preparação do alojamento, montado em uma escola municipal na área central da cidade.

Como o dia era de folga, a tarde foi de reconhecimento do território. Encarnación é separada da cidade argentina de Posadas pelo rio Paraná, principal atração turística da cidade junto com seu Carnaval, realizado durante oito sextas-feiras e oito sábados de janeiro e fevereiro em um sambódromo inspirado no Anhembi, de São Paulo.

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Às margens do rio, foi montada uma espécia de orla, com areia, quadras, bares, calçadão e toda uma estrutura que as melhores praias de água salgada do Brasil têm. Aquele banho de “praia” para deixar as energias ruins e recarregar as baterias para a competição.

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Disputar um torneio internacional é algo importante na vida de qualquer jogador, principalmente quando se tem dez, 11 anos. A Copa Encarnación reuniu 24 times do Brasil, Paraguai e Argentina. A estreia do São Caetano calhou de ser justamente contra os favoritos ao título, os meninos do América de Assunção.

Antes do jogo, teve a cerimônia de abertura do torneio. No vestiário, a união em prol da vitória prevalecia no discurso da molecada. Entrada no campo de mãos dadas, à la seleção brasileira do tetra. Mas o resultado não veio.

Matheus Zorzo Veloso, dez anos, era o craque do time. Já vem sendo monitorado por Corinthians, Grêmio e outros grandes clubes brasileiros. Ele confessou o frio na barriga antes da estreia. “A gente tem que descontrair e jogar o que a gente sabe no campo. Fico um pouco nervoso, mas penso que vou ter que jogar bem e ajudar o time. Um torneio com bastante gente assim e longe de casa dá um pouco de pressão, sim”, contou, antes de resumir: “Futebol é minha vida”.

Fã de Cristiano Ronaldo, o pequenino Pedro Lucas compartilhou o resumo feito pelo colega. “Sonho muito ser jogador. Essa é a minha primeira competição internacional e estou ansioso demais”, descreveu.

A pressão pesou e os paraguaios venceram por 2 a 0. Do lado de fora do campo, a versão criança dos boleirinhos falou mais alto. Quem tinha a mãe por perto pediu colo. Era hora de chorar de decepção, de raiva, de tristeza. Hora de receber o apoio para o renascimento na competição.

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De volta ao alojamento, hora de descansar e pensar na sequência da competição. Para ser campeão, não podia perder mais nenhum jogo. E foi a meta que traçaram. Assim, com muito barulho na arquibancada e um futebol de gente grande em campo, os adversários foram sendo abatidos um a um. Durante as partidas, paraguaios se juntavam às mães na torcida barulhenta do São Caetano. Após os jogos, o assédio também era grande. Adversários e torcedores queriam fotos e resenha, principalmente com o camisa 10, Matheus, marcador de alguns golaços ao longo do torneio.

Foi assim até a decisão. Era a hora do reencontro com o América de Assunção. A chance da revanche. O adversário estava invicto, e entre os pais dos meninos paraguaios já havia um clima de “já ganhou”. Mas quando a bola rolou, o que se viu foi um atropelo do São Caetano: 2 a 0, com gols de Matheus Veloso e Gustavo Aparecido. O choro de tristeza da estreia se transformou em alegria da vitória na final. Antes da festa, o agradecimento. Aquela tradicional roda de jogadores abraçados, desta vez todos ajoelhados, no centro do gramado, puxou bem alto a oração do Pai Nosso.

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Depois, foi a vez da festa ao lado das mães, da comissão técnica e dos meninos do sub-17. No entanto, a comemoração quase virou briga. Bravos com a derrota, familiares dos meninos paraguaios não aceitaram a comemoração brasileira com gritos de “a-há, u-hú, o Paraguai é nosso!”. Depois de a turma do “deixa disso” intervir, os ânimos se acalmaram e a taça foi levantada.

Garotos com futebol e rituais de gente grande: meninos do São Caetano fazem roda para rezar o Pai Nosso após o título
Garotos com futebol e rituais de gente grande: meninos do São Caetano fazem roda para rezar o Pai Nosso após o título

“Essa categoria sub-11 tem despertado interesse de muitos olheiros de clubes brasileiros. Tanto que mais da metade do nosso time já está sob observação de seis, sete equipes grandes, podem até escolher. Para o crescimento deles, é muito importante o título. Vencer sempre é bom, motiva. Eles vão falando para os outros amigos e vão levando mais meninos para a escola. Ganhar é bom demais, não é?”, apontou o professor Felipe Veloso, coordenador da Academia São Caetano.

Vencer é mais um combustível para esse sonho de cada um que ali estava. “A gente conseguiu um título internacional, fora de casa, é muita emoção. Me faz imaginar que um dia me tornarei um grande jogador de futebol”, afirmou o zagueiro Leonardo Alves de Souza, sem desgrudar da taça, toda brilhante em um dourado lindo e que veio iluminando a viagem de volta a Londrina.

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O SONHO SE REALIZA

Após passagens pela base de Flamengo e Corinthians, atacante de 17 anos disputa sua primeira temporada profissional em 2019 Lucio Flávio Cruz

O atacante Alex Honório Júnior, 17 anos, já recebeu alguns “nãos” na curta carreira, mas a vontade de vencer foi maior e o garoto ganhou a oportunidade de jogar entre os profissionais pela primeira vez em 2019. O centroavante integra o elenco do PSTC, que disputa a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense.

O caminho desde o início, ainda lá na formação de um jogador, até chegar ao time principal é longo, árduo e nem sempre tem um final feliz. As dificuldades encontradas deixam muitos pelo caminho e por isso a persistência é fundamental para quem quer realizar o sonho de se tornar um profissional e jogar em grandes equipes.

Alex decidiu se tornar jogador ao ver o pai em campo e hoje projeta repetir o sucesso de craques revelados no PSTC

Morador do conjunto Farid Libos, na zona norte de Londrina, Alex deu os primeiros chutes na bola no Clube Atlético Londrinense, equipe também da zona norte, e chegou ao PSTC em 2015, após participar de um amistoso e chamar a atenção dos olheiros.

Após ser artilheiro do Paranaense com 16 gols, entrou no radar do Flamengo e jogou uma temporada pelo time sub-15 do clube carioca, em 2016. Em 2018, jogou no sub-17 do Corinthians.

As experiências nos dois gigantes do futebol brasileiro foram positivas, mas o garoto precisou voltar ao PSTC. “Às vezes o rendimento cai um pouco, o futebol não encaixa”, apontou. “Mas nunca desisti e continuo acreditando. Não é toda vez que a gente vai ganhar um sim, faz parte da vida. Nunca pensei em desistir e a minha força de vontade fala mais alto. É sempre um recomeço.”

Mas as dificuldades dentro de campo são pequenas perto das que Alex já enfrentou fora das quatro linhas. A maior delas foi o falecimento do pai, há quase dez anos. “Aprendi a gostar de futebol vendo ele jogar e a inspiração para ser centroavante também vem dele”, relembrou. “Sempre o acompanhei pelos campos e todos sempre diziam que ele jogava muito bem e fazia muitos gols.”

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A ausência do pai o incentiva ainda mais no dia a dia de treinos e jogos, e o garoto sabe que, para realizar o sonho e poder ajudar a família no futuro, a oportunidade de atuar entre os profissionais pode ser decisiva. “A expectativa é muito grande. A cobrança aqui no time principal é bem maior, mas com o tempo a gente vai acostumando”, destacou.

E tempo é o que o centroavante não quer desperdiçar. Alex conhece bem o know-how do PSTC em produzir grandes nomes para o nosso futebol e sonha em seguir os passos de Kléberson, Dagoberto, Jadson e Fernandinho. “Quem sabe eu posso fazer um pouco do que eles fizeram. Quero daqui a cinco anos estar jogando na Europa para poder ajudar a minha família”, projetou.

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CONTRATO NA EUROPA

Vitor Hugo Fávaro só tem 15 anos, mas já está no radar de vários grandes clubes do futebol europeu. Maringaense, o garoto é filho de ex-jogador e mora na Espanha desde 2007. O talento do paranaense despertou o interesse do Reus, um pequeno clube de Barcelona. Era o que faltava para decidir correr atrás do sonho de ser jogador. Vitor Hugo passou também pelo Atlético de Madrid e atualmente está de volta ao Reus. Em maio, faz 16 anos e deve assinar seu primeiro contrato com algum gigante europeu.

“Eu tinha dois anos e meu pai me começou a levar para os campos onde ele jogava e isso despertou esta minha paixão pelo futebol”, relembrou o menino. “Desde que comecei, sempre fui muito focado e, para ser sincero, nunca pensei em outras alternativas para a minha vida que não fossem o futebol.”

Vitor Hugo e a família sabem que o caminho para chegar ao profissionalismo é longo, mas o garoto tem o apoio e o respaldo irrestritos dos familiares. O pai, Alexandre Barreto, ex-jogador do Grêmio Maringá, acredita que a experiência de ex-atleta pode auxiliar o filho nas suas escolhas e decisões.

“Posso passar a ele um pouco das experiências boas e ruins que eu tive. Ele sabe aonde quer chegar e sempre ouve meus conselhos”, afirmou. “Tento orientá-lo da melhor maneira possível, sem pressioná-lo, para que ele possa soltar seu talento e se divertir a cada treinamento e jogo.”

Barreto ressaltou que o sonho de Vitor Hugo acaba se estendendo à família; por isso, todos os esforços e dificuldades superadas valem a pena. “Acredito que o sonho é de todos. Não tem como não fazer parte desse caminho e não sonhar com ele. Se tivesse que voltar atrás e passar por tudo que passamos, não pensaria duas vezes, mesmo sem saber se vai se realizar ou não. Mas se depender do esforço, dedicação e comprometimento dele, temos fé em Deus que se realizará”, disse o pai.

Victor Hugo em atuação pelo CF Reus (Espanha)
Victor Hugo em atuação pelo CF Reus (Espanha)

O milionário meio do futebol chega muito rápido mesmo para os mais jovens. A convivência em grandes clubes permite a troca de experiências e contatos diretos com ídolos do futebol mundial.

“São oportunidades únicas e poucas pessoas da minha idade já viveram isso. Encontrar ídolos acaba sendo normal quando você está em grandes clubes”, frisou Vitor Hugo. “O meu primeiro grande sonho é ser jogador profissional, mas tenho que continuar trabalhando para alcançar outros, como chegar à seleção.”

A família, no entanto, está sempre por perto para evitar que as facilidades do futebol atrapalhem a carreira do garoto e o desviem do caminho do sonho. “Gente importante do mundo do futebol se aproxima para especular e te oferecer barbaridades, esquecendo que são ainda crianças, mas graças a Deus levamos tudo isso com tranquilidade”, garantiu o pai.

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O SONHO SE RENOVA

Craques em ação ou já aposentados apontam o caminho para quem planeja seguir os seus passos Thiago Mossini

A família Cribari viu de perto o sonho se realizar duas vezes. Os irmãos Fábio e Emilson construíram belas e bem sucedidas carreiras no futebol, consolidadas na Itália. Ambos começaram no Londrina e rumaram muito jovens para o futebol italiano. Fábio, o mais velho, já era ídolo no Empoli quando levou Emilson para lá. Cada um seguiu seu rumo, e ambos fazem parte daquela pequena camada que consegue atingir o ápice do sonho de criança.

“Em casa, a convivência era como a de qualquer irmão, mas a gente dormia com a bola. Não existiam esses campos, essas escolinhas que têm hoje. Aí íamos batendo a bola no meio-fio, no portão, querendo controlar. Você vai vendo se teu irmão sabe, se você sabe, são todas situações que vão te ajudar neste percurso aí”, disse Fábio, o Binho. “Em casa, tanto eu como meu irmão nunca tivemos o apoio dos pais na infância. A gente chegava ao campo a pé, de bicicleta, de ônibus. Íamos porque gostávamos mesmo. Minha mãe conta com muito orgulho que os filhos realizaram o sonho com as próprias pernas, buscando no dia a dia o contato com a bola e com o mundo do futebol”, completou Emilson.

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Em busca do sonho chamado futebol

Ambos já encerraram a carreira. Fábio mora em Barcelona e não trabalha mais com futebol. Já Emilson, que chegou a disputar a Liga dos Campeões da Europa pela Lazio e atuou ainda em clubes como Napoli, Udinese, Cruzeiro e Rangers (Escócia), hoje tenta passar para as crianças o que aprendeu no mundo da bola. Em sua escola, a C25 Soccer Talent, Emilson procura mostrar que o mais importante é a diversão.

Emilson Cribari na sua escolinha: “Hoje, o sonho é muito mais visível aos olhos das crianças do que no meu tempo”

“Hoje, o sonho é muito mais visível aos olhos das crianças do que no meu tempo. A gente não conseguia visualizar tanto o futuro como hoje. Os garotos começam a sonhar desde pequenos. A gente procura passar que o sonho é legítimo, que tem que sonhar, mas que a criança precisa primeiro gostar de bola, gostar de brincar, de estar com os amigos, e que realizar o sonho depende de muitos fatores, principalmente o divino”, apontou.

Ele lembrou que os pais têm papel fundamental nessa jornada. “A gente percebe logo na aula experimental quando o garoto vem forçado pelo pai, só para realizar o sonho do pai. Nestes casos, ele dura muito pouco na escolinha, perde o interesse rápido porque na verdade é interesse do pai e não dele. O garoto tem que querer em primeiro lugar”, frisou. “O principal é se divertir com a bola. Não pensar se vai chegar ou não. Ter o gosto de tocar na bola, de brincar, de estar com os companheiros”, completou Fábio.

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Independentemente de formar novos astros da bola, Emilson tenta mostrar para pais e filhos que o que se aprende no futebol pode ser levado para a vida. “Independentemente do dinheiro que se pode ganhar, o futebol vai muito além disso. Futebol é saúde, é dedicação, é disciplina, são muitos os valores que o futebol ensina. Um em um milhão consegue realizar o sonho e mudar a vida dele e da família, mas não deveria ser esse o principal objetivo das escolinhas”, finalizou.

APOIO

Outro londrinense que lutou muito desde criança e viu o sonho se realizar foi o meio-campista Fernandinho. Astro do Manchester City, ele também mantém em Londrina uma escola de futebol, a Ferst (Fernandinho Soccer Trainning).

Fernandinho joga pela seleção brasileira contra a Bélgica na Copa do Mundo da Fifa na Rússia(2018)
Fernandinho joga pela seleção brasileira contra a Bélgica na Copa do Mundo da Fifa na Rússia(2018)

“O Fernando é um estímulo adicional para nossos garotos. Sua presença nas férias ou vídeos motiva cada um deles. Fernando é um exemplo de homem, de profissional, de foco e de disciplina. Um exemplo para todos nós a ser seguido diariamente. É a prova de que, com trabalho e determinação, os objetivos podem ser alcançados”, afirmou Mykon Rabelo, diretor do Grupo Arena Ferst, que tem forte atuação na formação de jogadores e 40 títulos em oito anos de história, tanto no futsal como no campo.

O Grupo Arena Ferst, de Fernandinho, soma 40 títulos em oito anos de história na formação de jogadores

Rabelo lembra que é importante nesta fase de formação não somente o trabalho de campo, mas toda a estrutura fora dele para garotos e familiares. “Além dos treinamentos, realizamos palestras e reuniões com os familiares, nas quais debatemos assuntos como rendimento esportivo e escolar, alimentação adequada e repouso, a questão psicológica, e geralmente entra a família também nesse aspecto. Na realidade, desempenhamos um trabalho em que contribuímos na formação desse futuro homem, que venha a ser ativo na sociedade e influenciar a sua geração”, pontuou.

“Estimulamos os garotos com treinos, competições e viagens. São vivências nas quais, no decorrer do tempo, alguns garotos demonstram que estão aptos ou não a seguir carreira. Não é só uma questão técnica ou física. Entre os 13 e 14 anos de idade, acredito que o garoto já apresenta alguns indicativos, se vai seguir em frente ou não”, completou Rabelo.

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O diretor destacou que o sonho está acabando cada vez mais cedo para os garotos, já que os clubes buscam os jogadores ainda bem jovens. “Acreditamos que, com a precocidade dos clubes atualmente, um garoto com 17 anos ainda tenha chances, porém, alguns aspectos precisam ser considerados. Um garoto com 17 anos sem passagem pelas categorias de base de um clube profissional dificilmente conseguirá uma chance. Atletas de nível A internacional, como Fernandinho, Neymar, Coutinho, Vinicius Junior, pulam etapas na base. Geralmente jogam nas categorias acima e quase sempre são promovidos ao profissional mesmo sem ter jogado na categoria sub-20. Mas é válido lembrar que existem as exceções, como Leandro Damião, que surgiu do futebol de várzea com 19 anos”, apontou.

Eduardo Rodrigues, coordenador técnico CAP Arena Ferst, orienta futuros jogadores
Eduardo Rodrigues, coordenador técnico CAP Arena Ferst, orienta futuros jogadores

A exemplo de Emilson Cribari, ele também lembrou que a influência dos pais pode ser prejudicial. “Esse assunto renderia um dia todo de conversa. Inclusive tem sido tema de diversos encontros, cursos e palestras relacionados à formação de atletas na base. É assunto complexo, pois envolve a questão emocional. Temos casos de atletas que tiveram carreiras que outrora eram muito promissoras e não deram em nada. Eu prefiro valorizar os pais que incentivam seus filhos no esporte e que deixam as coisas acontecerem naturalmente. Para a criança, o esporte precisa ser um agente transformador, com ambiente leve e prazeroso. Nem sempre é assim, o clima de cobrança por resultados é cada vez mais comum vindo das arquibancadas e também dos treinadores. O abraço mais importante não é no pódio. Ele é fundamental nas derrotas”, finalizou.

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EM BUSCA DO SONHO

DATA DE PUBLICAÇÃO:
20 de Abril de 2019

TEXTOS:
Lucio Flávio Cruz, Thiago Mossini

IMAGENS:
Gustavo Carneiro, Patrícia Maria Alves, Thiago Mossini

EDIÇÃO E PRODUÇÃO MULTIMÍDIA:
Patrícia Maria Alves

EDIÇÃO DE TEXTOS:
Fábio Galão

EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA:
Sergio Ranalli

ARTE:
Patrícia Sagae

APOIO LOGÍSTICO:
Zenil Costa, Vander de Silvio Martins

DIAGRAMAÇÃO/IMPRESSO:
Junior Zamuner DESIGN/WEB Patrícia Maria Alves

EDIÇÃO SITE:
Erick Rodrigues

SUPERVISÃO DE PROJETO:
Adriana De Cunto (Chefe de Redação)

AGRADECIMENTOS:
Equipe do São Caetano, Banda Sarará Criolo pela cessão de trilha sonora

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