Após 15 anos, UTFPR reforça sonhos da Londrina 2.0

Publicado sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022 | Autor: Especial Transmídia às 17:14 h

[A realização desta reportagem foi possível com o apoio da Fecomércio-PR]
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|  Foto: Patricia Maria Alves - Editora

Instituição federal voltada ao ensino com base tecnológica se encaminha para a maturidade com planos de expansão, novos equipamentos e firme política de integração com o setor produtivo

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|  Foto: Ademar Prado - Videomaker
  

O século XXI fez a Filha de Londres se mexer

Lúcio Flávio Moura (Especial para a Folha)

Líder de uma região que sempre se moveu pela ideia de ser uma nova fronteira de prosperidade no mapa do Brasil, Londrina passou décadas para trocar sua matriz econômica fundamentada na renda gerada pelo café para ser um pólo avançado de prestação de serviços, construção civil e de um novo perfil de agronegócio. Agora, os sonhos de grandeza estão depositados em outro manancial, abastecido pelo conhecimento tecnológico e pelo talento para a inovação.

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
  

Um dos símbolos deste ciclo em processo de consolidação é o campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, instituição que celebra seus 15 anos na cidade este mês. A chegada da UTFPR se tornou um marco para a formação de mão-de-obra qualificada e para a atração de novos negócios na região.

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|  Foto: Roberto Custódio
  

Por um bom tempo a demanda por cursos de engenharia na região metropolitana foi uma das mais defendidas pela sociedade civil organizada. 

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|  Foto: Ademar Prado - Videomaker
  

A partir da UTFPR, o pleito foi atendido ao longo do tempo. A unidade de Londrina oferta sete cursos de graduação: Tecnologia em Alimentos, Engenharia Ambiental, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Engenharia Química e Licenciatura em Química; cinco cursos de mestrados: Mestrado Profissional em Tecnologia de Alimentos, Mestrado Acadêmico em Engenharia Ambiental (PPGEA),  Mestrado Profissional em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza, Mestrado em Ensino de Matemática e Mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais; Curso de Formação Pedagógica; cursos de Qualificação Profissional destinados aos alunos e à comunidade e cursos de especialização.

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|  Foto: Roberto Custódio
  

No total, a UTFPR, cuja sede é em Curitiba, conta com 13 campi e em 2005 se tornou a primeira universidade tecnológica do País. Para os paranaenses mais velhos, a instituição remete a outro acrônimo, CEFET, rede criada em 1978 pelo Ministério da Educação para organizar um tipo de ensino batizado de “educação tecnológica” e um sistema verticalizado que envolvia o então 2º grau, a graduação superior e a pós-graduação para municiar a atividade industrial. 

Foto aérea 2010 Foto aérea 2010
Foto aérea 2010 |  Foto: Arquivo UTFPR Londrina
 
2013 2013
2013 |  Foto: Arquivo UTFPR Londrina
 
Obras do asfalto (2010) Obras do asfalto (2010)
Obras do asfalto (2010) |  Foto: Arquivo UTFPR Londrina
 
BLOCO K (08.05.2014) BLOCO K (08.05.2014)
BLOCO K (08.05.2014) |  Foto: Arquivo UTFPR Londrina
 
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“Londrina é um dos mais importantes campi da nossa instituição. Estamos contribuindo com muita força, com muita importância para a geração de conhecimento, formação de profissionais altamente qualificados, preparados para a solução de problemas e para melhorar o bem estar da população”, celebra o reitor Marcos Schiefler.

Folha de Londrina
(Reitor Marcos Schiefler)

O próximo capítulo desta história desenrolada em Londrina é a inauguração de novos laboratórios, prevista para julho. São 3 mil metros quadrados para atender as necessidades dos últimos três cursos de engenharia estruturados no campus - Produção, Química e Mecânica. 

Projeto de expansão (novas salas em laranja) - 2016 Projeto de expansão (novas salas em laranja) - 2016
Projeto de expansão (novas salas em laranja) - 2016 |  Foto: Arquivo UTFPR
  

Além dos investimentos para a estruturação do campus, da massa salarial dos servidores e do ativo de conhecimento técnico-cultural que é injetado na cidade, a UTFPR beneficia Londrina com a importação de gente talentosa e produtiva. De acordo com Sidney Alves Lourenço, diretor-geral da unidade, a maioria (52%) dos estudantes tem famílias residentes no Paraná, cerca de 20% em Londrina ou região. Quase a metade, portanto, vem de outros estados, principalmente paulistas. “Um dos nossos orgulhos é que a maior parcela dos estudantes é oriunda da rede pública”. Outra estatística festejada é o nível de formação dos docentes: 92% deles têm doutorado.    

Folha de Londrina
  (Sidney Alves Lourenço, diretor-geral da UTFPR)

Peça-chave de um projeto ambicioso

O retrospecto feito sobre o tema pelo ex-deputado federal e atual secretário municipal de Governo, Alex Canziani, considerado o padrinho do campus em Londrina, permite concluir que a pedra inaugural da instituição tem digitais de uma rara convergência de propósitos das três esferas de governo, fomentada pelo diálogo das autoridades com o empresariado e com entidades influentes na vida pública.

Segundo o porta-voz deste grande e vitorioso arranjo, a ideia surgiu mais de duas décadas atrás com o desejo de líderes políticos e econômicos de replicar na região o fenômeno ocorrido no Vale do Sílicio, na Califórnia (EUA), onde empresas de inovação e tecnologia impulsionaram um novo ciclo de prosperidade. “Para isso faltavam instituições formadoras de profissionais e empreendedores”, lembra Canziani.

Folha de Londrina
(Alex Canziani, Secretário Municipal de Governo e ex-deputado federal)

O esforço desta articulação política e empresarial resultou numa região especialmente bem servida de escolas superiores com viés profissionalizante, com ênfase em tecnologia e espírito empreendedor, com três campi universitários e três institutos federais de ensino médio integrado concentrados em um corredor entre Cornélio Procópio e Apucarana. “Esta proximidade permite consórcios para uso de equipamentos que demandam alto investimentos e que podem ser compartilhados”,  explica Canziani, lembrando do exemplo de um microscópio de varredura que chegou este mês e que ainda será desencaixotado e montado, para a felicidade dos pesquisadores.

Tadeu Felismino 2 min
Tadeu Felismino 2 min
 

Tadeu Felismino, atual líder do Instituto de Projeto e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e um articulador experiente da integração entre poder público e setor produtivo na área de tecnologia, endossa o protagonismo da UTFPR neste mutirão para enriquecer através de uma nova mentalidade. “Um dos grandes ativos que Londrina conquistou. É uma instituição que promove inovação. E desde os anos 1990, quando a cidade começou a desenvolver uma cultura de desenvolvimento tecnológico, havia uma necessidade de um ensino superior público com estas características, mais aberta a parcerias com o setor privado”, ressalta. 

Diretor-geral da UTFPR Sidney Lourenço Diretor-geral da UTFPR Sidney Lourenço
Diretor-geral da UTFPR Sidney Lourenço |  Foto: Roberto Custódio
  

O diretor-geral Sidney Lourenço explica esta integração. “Além da formação em si, do fornecimento de mão-de-obra qualificada, a UTFPR pode ser importante para uma empresa que não dispõe de recursos para um laboratório de ponta e firma parceria conosco para usar nossa estrutura”. Mas há espaço também para o funcionamento pleno de pequenos negócios no próprio ambiente universitário. “Nosso centro de inovações hospeda pequenos empreendimentos de base tecnológica, que por sua vez passaram por nossa incubadora de ideias”, explica. “O próximo passo será a construção de um parque científico e tecnológico para as empresas que escalarem no centro de inovações. Nosso desejo é ocupar uma área de 20 mil metros quadrados anexo ao campus e que possa abrigar de 40 a 50 empreendimentos”, calcula.

LINHA DO TEMPO

(Veja a linha do tempo completa aqui)

Terreno do campus novo (2007) Terreno do campus novo (2007)
Terreno do campus novo (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
  

Do barro ao futuro parque tecnológico

Iniciando sua trajetória com 149 alunos e apenas um curso, a unidade conta hoje com 2.670 estudantes em sete cursos de graduação e cinco de mestrado

Mariana Guerin (Especial para a Folha)

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|  Foto: Ademar Prado - Videomaker
 

 Muita articulação política e social, muitas “bolas na trave”, muito barro amassado e dias de falta de energia elétrica e muita dedicação de quem vive pela educação compõem os 15 anos de história do campus Londrina da UTFPR. 

Em seu livro “Do sonho à realidade, os 10 anos do câmpus Londrina da UTFPR”, publicado em 2017, o ex-deputado federal Alex Canziani celebrou o progresso da universidade em sua primeira década de funcionamento, detalhando como foi a instalação da UTFPR em Londrina e os planos futuros para o desenvolvimento de uma educação voltada ao mercado de trabalho. 

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
  

Da ideia de usar a sede do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC) para que ali fosse instalado o Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) até a criação do Parque Científico e Tecnológico, muita água rolou para que Londrina contasse com uma escola profissionalizante.

“Houve uma série de movimentos da sociedade e seus representantes para alcançarmos esse objetivo, incluindo a Câmara de Vereadores, deputados e a própria imprensa. Lembro-me que em certa ocasião a Folha de Londrina publicou um selo pedindo que a cidade tivesse uma unidade do CEFET”, conta Canziani, no livro.

Campus IPOLON (2007) Campus IPOLON (2007)
Campus IPOLON (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
 

Ele reforça a parceria com a Fundação do Ensino Técnico de Londrina (Funtel/Ipolon). “Essa parceria propiciou que abrigássemos ali as primeiras turmas e os laboratórios da nossa UTFPR, permitindo formalmente a implantação do câmpus londrinense, com o curso superior de Tecnologia de Alimentos”, resgata o ex-deputado federal. Em março de 2020, ele recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” da UTFPR, como homenagem a quem batalhou pela universidade e pela educação.

Campus IPOLON (2007) Campus IPOLON (2007)
Campus IPOLON (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
Campus IPOLON (2007) Campus IPOLON (2007)
Campus IPOLON (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
Campus IPOLON (2007) Campus IPOLON (2007)
Campus IPOLON (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
  

O campus Londrina da UTFPR foi criado nos termos da Portaria 1973, de 18 de dezembro de 2006 do Ministério da Educação (MEC), e iniciou suas atividades em 12 de fevereiro de 2007, com 149 alunos. Dois anos depois, em 2009, o campus passou a funcionar na sede definitiva, na Estrada dos Pioneiros, na Zona Leste. 

Terreno do campus novo (2007) Terreno do campus novo (2007)
Terreno do campus novo (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
Campus novo (2007) Campus novo (2007)
Campus novo (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
Campus novo (2007) Campus novo (2007)
Campus novo (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
Campus novo (2008) Campus novo (2008)
Campus novo (2008) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
Campus novo (2009) Campus novo (2009)
Campus novo (2009) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
Campus novo (2009) Campus novo (2009)
Campus novo (2009) |  Foto: Arquivo UTFPR
     
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O terreno, doado pela Prefeitura, localiza-se numa região estratégica de crescimento da cidade. A área física da UTFPR Londrina soma hoje 109.561,46 metros quadrados, sendo 20.162,98 metros quadrados de área construída, incluindo blocos de salas para aulas teóricas, laboratórios, blocos de pesquisa, biblioteca, quadra, hotel tecnológico, incubadora e ambientes administrativos. São, hoje, 2.670 alunos, 159 professores (efetivos e contratados) e 66 servidores técnico-administrativos.

Vista aérea do campus Londrina (2022) Vista aérea do campus Londrina (2022)
Vista aérea do campus Londrina (2022) |  Foto: Ademar Prado - Videomaker
 

“A geração que começou aqui em 2007 batalhou muito para o campus chegar ao que é hoje. Cada um deu sua contribuição. No início de tudo, éramos eu e o Adilson”, lembra o professor Marcos Massaki Imamura, que foi o primeiro diretor-geral do campus Londrina, antes mesmo do funcionamento oficial. 

“Em janeiro de 2007, foram incorporados mais quatro professores encarregados de cuidar da área de ensino e preparar para o primeiro vestibular. Quando foi dado o pontapé inicial e dissemos ‘é aqui que começa a universidade’, quem estava lá éramos nós seis”, conta o professor, em depoimento ao livro de Alex Canziani sobre os dez anos da UTFPR Londrina. 

Professor Marcos Massaki Professor Marcos Massaki
Professor Marcos Massaki |  Foto: Roberto Custódio

Imamura recorda que a instalação da universidade se deu em fevereiro de 2009, mas o asfalto só chegou em maio de 2010. Tempos depois, veio a iluminação pública. “Era o pioneirismo revivido na Estrada dos Pioneiros”, compara. “Os professores chegavam aqui literalmente amassando barro.”

Professor Marcos Massaki no campus IPOLON (2007) Professor Marcos Massaki no campus IPOLON (2007)
Professor Marcos Massaki no campus IPOLON (2007) |  Foto: Arquivo UTFPR
  

O professor destaca que Londrina quase perdeu sua universidade tecnológica: desde um projeto em parceria com o Japão, que financiaria parte da obra como parte das comemorações ao centenário da imigração japonesa no Brasil, que não aconteceu, até uma greve de servidores municipais que atrasou a doação do terreno pela Prefeitura. 

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
 

“Em 2005, o CEFET acabou transformado em UTFPR e foi aí que o prefeito de Cornélio Procópio viu seu campus da UTFPR transformar-se em ‘padrinho’ da estrutura que seria montada em Londrina, uma forma de descentralizar e agilizar o andamento do processo”, conta Imamura, que atuava no campus de Cornélio e foi chamado para a missão londrinense.

Adilson Aparecido Caetano da Silva foi o primeiro técnico-administrativo do campus Londrina. Ele conta que quando visitou o terreno onde seria construída a universidade, ao lado do professor Marcos Imamura, “a área, tinha 22 pés de eucalipto e plantações de café e soja”. “A construção começou pelo Bloco A e era realizada através do campus de Cornélio Procópio da UTFPR, que cuidava dos pagamentos e atuava como ‘padrinho’ do novo campus londrinense.”

Obras campus novo (2008) Obras campus novo (2008)
Obras campus novo (2008) |  Foto: Arquivo UTFPR

No livro, Adilson conta ter participado de todo o processo, desde articular com órgãos municipais e estaduais, conseguindo as licenças ambientais para a construção do primeiro bloco, contratos com a Sanepar sobre a rede de esgoto, além da derrubada de árvores e a limpeza do terreno pela Prefeitura. “Quando não havia iluminação à noite, um ônibus chegou a atolar em frente à universidade devido à falta de asfalto. Era complicado. O pessoal reclamava e nós dizíamos: ‘Estamos trabalhando’.”

No início dos anos 2000, Londrina ansiava ainda pela ampliação dos cursos de engenharia na cidade e o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior da época, Alípio Leal, convenceu o Ministério da Educação a abrir três novos cursos na unidade da UTFPR de Londrina. Em novembro de 2011, o governo estadual anunciou a criação dos cursos de engenharia Mecânica, de Produção e Química, uma conquista que possibilitou a ampliação do campus londrinense. 

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|  Foto: Arquivo UTFPR
     
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|  Foto: Arquivo UTFPR
  

Quando das comemorações de uma década do campus londrinense, Alex Canziani destacou que o próximo salto para a universidade seria a criação do Parque Científico e Tecnológico. Em 30 de setembro de 2019, a inauguração do Centro de Inovações da UTFPR Londrina deu início à implementação do Parque. A construção do bloco de pesquisa foi viabilizada pelo convênio do Projeto Zircônia, que foi aplicado à área Odontológica, envolvendo a Fundação de Apoio da Universidade (Funtef-PR), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS) e a empresa Angelus.

E os próximos 15 anos?

Lúcio Flávio Moura (Especial para a Folha)

E como será a região do campus em 2037? A pergunta hoje é uma provocação para o mesmo Marcos Massaki Imamura, atual diretor de Relações Empresariais e Comunitárias da unidade. O exercício de futurologia desafiaria os mais experimentados especialistas em mercado imobiliário ou o mais estudioso dos urbanistas. “É difícil prever. Porque se eu fosse tentar fazer isso quando nos instalamos aqui, talvez eu não esperasse tanto 15 anos depois”. Mas arrisca: “Além de projetos residenciais grandes, abertos e fechados, avenidas amplas e investimentos em shopping e outras grandes lojas, temos uma ligação com a BR 369 duplicada, o que pode acelerar a conurbação com Ibiporã”. A lógica é simples. “Antes, onde era o campus, era uma plantação de soja. Onde hoje é plantação de soja, pode estar tomado por outros projetos habitacionais e por um parque industrial num futuro próximo. É possível”. Além do Arco Leste, a prometida ligação pavimentada entre a Estrada dos Pioneiros e a cidade de Ibiporã pode abrir um novo corredor de desenvolvimento.

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|  Foto: Ademar Prado - Videomaker
  

O campus também pode crescer, dependendo do apetite do governo federal pelo prato da educação tecnológica profissionalizante nos próximos anos. Imamura diz que novos cursos de Engenharia estão no radar da unidade e que o pleito por eles deve surgir dos próprios gestores ou estimulados pela comunidade. Outro objetivo é a verticalização da paleta de opções de cursos, com mais especializações e mestrados. “Acredito que poderemos dobrar o tamanho da universidade em Londrina neste período”. Nos corredores da UTFPR também há um outro desejo: que a vitalidade econômica da região evite que os profissionais formados em nível de excelência acabem migrando para outras regiões do País.

Marcos Imamura 2 min
Marcos Imamura 2 min
 
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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
  

De Escola de Aprendizes Artífices a Universidade Tecnológica Federal

Mariana Guerin (Especial para a Folha)

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) surgiu em Curitiba, em 1910, como Escola de Aprendizes Artífices e chegou em 2022 com 13 campus espalhados pelo Estado. O nome UTFR foi adotado a partir de 2005. 

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|  Foto: Arquivo UTFPR
  

A história da UTFPR é referencial de “leitura do mundo”, preconizada pelo educador Paulo Freire. Das antigas oficinas da escola de aprendizes, a instituição evoluiu para os atuais laboratórios, cursos de graduação, especialização e pós-graduação, mestrado e doutorado, tornando-se um modelo do processo ensino-aprendizagem, que influencia as relações empresariais, comunitárias e internacionais.

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
 

Foi em 23 de setembro de 1909, por iniciativa do então presidente Nilo Peçanha, que foram criadas as Escolas de Aprendizes Artífices em vários estados brasileiros. O período destacou a educação profissionalizante como o acontecimento mais importante da Primeira República. 

As Escolas de Aprendizes teriam o papel de absorver muitos jovens de 10 a 13 anos, oriundos de famílias de baixa renda, que não trabalhavam e não tinham condições de estudar. As primeiras unidades das novas escolas surgiram nos anos 1910, cumprindo o decreto presidencial. Neste período, o Paraná vivia um processo de intensa urbanização, impulsionado pela economia do mate, pela chegada de imigrantes e pela construção da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá.

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
 

O intenso movimento migratório em direção à capital paranaense no início do século passado provocou um inchaço populacional, que potencializou problemas de infraestrutura e multiplicou questões sociais. A inauguração da Escola de Aprendizes Artífices do Paraná, em 16 de janeiro de 1910, no imóvel onde antes funcionava o Conservatório de Belas Artes, na Praça Carlos Gomes, foi uma tentativa de oportunizar melhores condições de vida a crianças e adolescentes. A “Casa dos Pequenos Operários” recebia meninos carentes que podiam, enfim, aprender um ofício.

Inicialmente com uma turma de 45 meninos, a escola iniciou suas atividades oferecendo os cursos de alfaiataria, marcenaria e sapataria. Ao longo do seu primeiro ano, seriam implantadas ainda as oficinas de serralheiro mecânico e seleiro tapeceiro. Ao final de 1910, o projeto já atendia 219 alunos. 

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
  

Em 1937, a Escola de Aprendizes Artífices foi transformada em Liceu Industrial do Paraná e em 1942, em Escola Técnica de Curitiba. Em 1959, nasceria a Escola Técnica Federal do Paraná (ETFPR) que, em 1978, seria transformada em Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET). Finalmente, em 2005, a instituição se tornaria a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). 

Segundo dados do livro “Do Sonho à Realidade, os 10 anos do campus Londrina da UTFPR”, do ex-deputado federal Alex Canziani, a transformação do CEFET em UTFPR foi alicerçada em indicadores institucionais que qualificavam a instituição como universidade. A partir daí teve início a expansão dos campus, tanto na parte física quanto no número de servidores, cursos e alunos. 

Secretário Municipal de Governo e ex-deputado federal Alex Canziani Secretário Municipal de Governo e ex-deputado federal Alex Canziani
Secretário Municipal de Governo e ex-deputado federal Alex Canziani |  Foto: Roberto Custódio
   

Os requisitos do MEC para que uma instituição de ensino fosse considerada universidade eram possuir, no mínimo, um terço do corpo docente com mestrado ou doutorado, com dedicação exclusiva e produção intelectual própria. Na época, o único CEFET do País que atuava prioritariamente na graduação e pós-graduação era a unidade paranaense, com 1,3 mil docentes.

Canziani foi o relator da proposta que sancionou a lei 11.184, em 7 de outubro de 2005, a qual criou a UTFPR. A conquista trouxe à instituição maior autonomia para criar e extinguir cursos e programas de ensino superior, emitir diplomas, acessar órgãos de pesquisa e ampliar os recursos humanos e financeiros. 

Alex Canziani, então deputado federal e o Governador Beto Richa celebram inauguração do campus Londrina Alex Canziani, então deputado federal e o Governador Beto Richa celebram inauguração do campus Londrina
Alex Canziani, então deputado federal e o Governador Beto Richa celebram inauguração do campus Londrina |  Foto: Arquivo UTFPR
 

Em 2008, ao obter a aprovação do MEC para aderir ao Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, do governo federal, a UTFPR dobrou sua estrutura estadual, de sete para 13 campus, com investimentos em infraestrutura, novos cursos e ampliação do quadro profissional. 

UTFPR Londrina (2011) UTFPR Londrina (2011)
UTFPR Londrina (2011) |  Foto: Arquivo UTFPR
 

Educação tecnológica está ligada ao desenvolvimento científico

Mariana Guerin (Especial para a Folha)

O ex-senador Cristovam Buarque, que recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” da UTFPR em 2015, relembra que foi durante a gestão dele como Ministro da Educação, em 2005, que ocorreu a aprovação da lei que transformou o CEFET em universidade.

“Não há nada que me causa mais orgulho e esperança que ver uma instituição de ensino nascer, crescer e se desenvolver. Naquela altura, eram apenas 149 alunos em Londrina e hoje o campus abriga milhares de alunos nos cursos de graduação, pós, especialização e mestrado”, diz Buarque, em artigo publicado no livro “Do sonho à realidade”.

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|  Foto: Arquivo UTFPR
 

“Erramos no passado ao colocar a solução na economia, ou pelo capitalismo ou pelo socialismo. O que fará o Brasil ser justo, eficiente, ético, é garantir a mais radical igualdade na educação. Essa sociedade justa deve vir do conhecimento, que é o verdadeiro recurso do progresso. E se a educação é um elemento chave da inserção dos países no futuro, certamente toda a sociedade tem que participar”, completa o ex-senador.

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Para o educador Francisco Cordão, “chegamos ao século 21, o ‘Século do Conhecimento’, e agora não dá para esperar mais: ou desenvolvemos o conhecimento ou seremos excluídos do cenário internacional”.

Em seu artigo na publicação que comemorou os dez anos da inauguração do campus da UTFPR em Londrina, Cordão destacou que quem não acompanhar o desenvolvimento tecnológico viverá na periferia do mundo: “Isto vale para pessoas, comunidades e nações”. Para ele, a educação tecnológica está intimamente ligada ao desenvolvimento científico.

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“O futuro do trabalho no mundo dependerá do desenvolvimento da educação. Isto é um grande complicador para o Brasil. Precisamos investir pesado e sem dó no desenvolvimento de políticas públicas associadas a sólidos programas de Educação Profissional Técnica e Tecnológica para seus jovens em processo formativo e seus adultos em busca de requalificação para o trabalho.”

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“É preciso que os educandos desenvolvam competências profissionais e possam não apenas ingressar no mundo do trabalho, mas também contribuir decisivamente para alterar o próprio ambiente e condições de trabalho”, completa Cordão, destacando que isso só será possível com o aprimoramento da formação inicial e continuada dos professores e pelo incremento dos planos de carreira e de valorização salarial. 

Representante da região em Brasília defende mais investimentos em ensino profissionalizante

Lúcio Flávio Moura (Especial para a Folha)

A UTFPR contribui para os londrinenses entenderem a importância de um modelo de ensino ainda pouco difundido no País. A educação com base técnica, tecnológica e profissionalizante como opção depois de concluir o ensino médio é tão comum quanto o modelo universitário tradicional em muitos países. Em alguns deles, é amplamente predominante na graduação, como na Alemanha e Finlândia. 

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
  

A deputada federal Luísa Canziani tem levado este debate ao Congresso Nacional. “Os 15 anos da UTFPR é uma celebração carregada de simbolismo. A quantidade de talentos que se formaram e galgaram grandes oportunidades no mercado de trabalho é muito significativa. São cidadãos oriundos da educação pública que participam do processo de desenvolvimento econômico e da redução das desigualdades sociais”.

Deputada federal Luísa Canziani em visita ao campus Londrina (2022) Deputada federal Luísa Canziani em visita ao campus Londrina (2022)
Deputada federal Luísa Canziani em visita ao campus Londrina (2022) |  Foto: Roberto Custódio
  

A jovem congressista destaca que o ensino de graduação técnico profissionalizante “tem tudo a ver com o momento que a gente está vivendo: inovador, dinâmico, complexo”. Ela lembra um estudo que aponta que 85% das profissões que existem hoje vão se extinguir até 2030. “Teremos que preparar rapidamente os nossos jovens para este novo mercado de trabalho, com formação direcionada, com competências e habilidades socioemocionais”, justifica. “Temos que desmistificar o ensino técnico profissionalizante, demonstrar que não é um modelo concorrente com o tradicional, porque, na verdade, do ponto de vista da sociedade, eles se completam”.

Folha de Londrina
  (Deputada Federal Luísa Canziani)

O campus guarda muitas histórias de vida que atestam as considerações feitas pela parlamentar. A reportagem da Folha conversou com Guilherme Luiz Guerra Vicente, 22 anos, estudante de Engenharia Mecânica e que aproveitou o prestígio da instituição para conseguir . Desde o semestre passado, ele se transferiu para a Université de Technologie de Compiègne, braço tecnológico da Universidade Sorbonne, a mais famosa da França. Até o fim de 2023, ele vai estudar disciplinas que vão garantir a graduação na UTFPR e o equivalente a mestrado na França. “Quando eu me interessei por engenharia, eu tinha um sonho de trabalhar na indústria automobilística. Depois destes anos e de conhecer a realidade francesa, comecei a pensar em atuar na indústria de cosméticos, que é muito interessante”.

Folha de Londrina
  (Estudante Guilherme Guerra)

Vicente acredita que a experiência tem tudo a ver com o perfil da instituição que escolheu depois do bom desempenho no Enem. “A UTFPR oferece muitas oportunidades, são muitos projetos, os laboratórios são bem equipados”, elogia. Um deles fez o estudante perseverar no curso, um daqueles considerado “puxado” no campus. Trata-se do Projeto LondriBaja, que desenvolve um protótipo off road e que participa de competições no ambiente acadêmico. “Eu estava desanimado, o projeto foi estimulante e ajudou a me motivar. Isso é um mérito da instituição”. Ela lembra outras vantagens do ensino técnico profissionalizante. “Há uma boa relação com a indústria. A maioria dos formados consegue um bom emprego. A estrutura vem melhorando constantemente e acredito que isso vai impactar também o ambiente de negócios e a atração de indústrias na região”.

O estudante Guilherme Guerra O estudante Guilherme Guerra
O estudante Guilherme Guerra |  Foto: Roberto Custódio
 
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|  Foto: Arquivo pessoal
 
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|  Foto: Arquivo pessoal
 
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|  Foto: Arquivo pessoal
 
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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
 
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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
  

Conhecimento que irradia:

Conheça o que a UTFPR faz pela cidade

A Folha selecionou alguns projetos de extensão que mostram o alcance do trabalho da UTFPR na vida dos londrinenses. Os próprios professores da universidade explicam os detalhes de cada ação.

Lúcio Flávio Moura (Especial para a Folha)

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|  Foto: Roberto Custódio
 

Monitoramentos da qualidade da água e do ar em tempo real

É um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) através de um edital focado em internet das coisas, conectividade e tecnologia da informação. É uma rede de monitoramento com sensores e transmissão em tempo real, através de um modelo de baixo custo. Duas cidades participam desta fase: Londrina e Toledo. No ar é medido o nível de dióxido de carbono, ozônio, material particulado. Os sensores já foram adquiridos e estamos na fase da arquitetura do projeto e de montagem do dispositivo como um todo.

Lago Igapó (2022) Lago Igapó (2022)
Lago Igapó (2022) |  Foto: Roberto Custódio
 

O mesmo será feito com o monitoramento da água, onde será medido PH, oxigênio dissolvido, potencial de oxirredução, turbidez e temperatura. O local escolhido foi o conjunto de lagos Igapó. Já foi feito um protótipo, testado no lago de Toledo. Tanto as medições no ar quanto na água serão feitas também por equipamentos comerciais para efeito de comparação. O custo mais baixo permitirá uma maior abrangência de monitoramento e uma possibilidade de maior controle de eventuais problemas pelos gestores públicos.

Leila Droprnchinski Martins 2 min
Leila Droprnchinski Martins 2 min
 

Professora Leila Droprinchinski Martins

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|  Foto: Roberto Custódio
 

Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (NuPEA)

A despeito de sua importância social, econômica e política,  Londrina e a sua Região Metropolitana ainda carecem de indicadores econômicos continuados que reflitam a situação do município permitindo que a iniciativa privada possa gerir de forma eficaz e eficiente os seus negócios e agir nas oportunidades de mercado. Também os órgãos públicos municipais carecem de informações continuadas que lhes possibilite uma gestão mais assertiva.

Neste sentido, e no intuito de se somar a outras iniciativas já consolidadas em nossa cidade, criamos o Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas – NuPEA, primeiramente somente com pesquisadores da UTFPR campus Londrina, mas desde 2020 contando também com a parceria com o Grupo de Pesquisas da UEL Econostat, sob a batuta do professor Lucas Santana da Cunha.

Marco Rambalducci, economista e professor da UTFPR Marco Rambalducci, economista e professor da UTFPR
Marco Rambalducci, economista e professor da UTFPR |  Foto: Roberto Custódio
  

O NuPEA tem por propósito promover e realizar pesquisas e estudos sociais e econômicos e disseminar o conhecimento resultante, que permita subsidiar, tanto o setor público quanto o setor privado, com dados atuais que lhes propicie formular e acompanhar políticas públicas, planos e programas de desenvolvimento local e regional   e oferecer à sociedade elementos para o conhecimento e solução de problemas e dos desafios do cotidiano econômico.

Dentre as pesquisas continuadas destacam-se: a Pesquisa Mensal de Inflação da Cesta Básica em Londrina; a Pesquisa Mensal no Nível de Ocupação da Indústria EletroMetalmecânica, em parceria com o SINDIMETAL Norte; a Pesquisa Trimestral do Nível de Endividamento e Inadimplência da família londrinense, em parceria com a ACIL; Acompanhamento e Análise da geração de Emprego Formal na Região Metropolitana de Londrina à partir dos dados do CAGED.

A divulgação dos resultados e a colocação de temas econômicos relevantes à nossa cidade são divulgados pela imprensa, assim como colunas semanais na Folha de Londrina e na Rádio UEL. Além disso, o núcleo disponibiliza todas as pesquisas no site nupea.org.br.

Professor Marcos Rambalducci

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|  Foto: Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale
  

Podcast orienta empreendedores no ramo de alimentação

Temos um Núcleo de Extensão Tecnológica em Alimentos que presta serviços gratuitos de assessoria para microempreendedores individuais, microempresas e interessados que estão se preparando para atuar neste segmento. Participam professores e alunos, todos com o objetivo de contribuir para a qualificação destes profissionais. Durante a pandemia, ficamos impossibilitados de dar continuidade ao trabalho presencial e foi então que surgiu a ideia de levar conhecimento técnico no formato de podcast. Já estamos na terceira temporada.

Professor Paulo de Tarso Professor Paulo de Tarso
Professor Paulo de Tarso |  Foto: Roberto Custódio
  

A primeira temporada foi voltada para orientar potenciais empreendedores a desenvolver uma ideia central até que ela se torne um projeto consistente para um novo negócio no ramo de alimentação. Especialistas participaram dos programas e esclareceram os mais variados aspectos do desafio de empreender, desde o modelo de negócio até como obter licenciamentos e outras burocracias. Na segunda temporada, os programas trataram do desenvolvimento de produtos - nome, embalagem, público-alvo. A terceira temporada, que será lançada em breve, vai explorar as boas práticas de fabricação, explicando os requisitos mínimos de higiene que um empreendimento do segmento deve ter para garantir a segurança dos consumidores. Os episódios são lançados semanalmente. Temos um apoio de divulgação do Sebrae e contamos sempre com a própria comunidade universitária para que os interessados conheçam este projeto. As duas primeiras temporadas do podcast Alimento é o Meu Negócio estão disponíveis nas principais plataformas.

Paulo de Tarso 2 min
Paulo de Tarso 2 min
 

  Professor Paulo de Tarso Carvalho

Desassoreamento do Igapó

Um dos projetos de maior envolvimento no momento é um projeto intitulado “Research-based Assessment of Integrated approaches to Nature-based SOLUTIONS (RainSolutions). Trata-se de um consórcio internacional que conta com a participação de Suécia, Noruega, Estônia, Irlanda, Holanda, Espanha, África do Sul e Brasil, cada país contribuindo com um caso de estudo.

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|  Foto: Arquivo Pessoal
 

O consórcio conta com recursos de 1,5 milhão de Euros provenientes da União Europeia e seus parceiros. A Fundação Araucária é parceira dessa iniciativa internacional. O projeto RainSolutions tem por objetivo desenvolver metodologias para a aplicação de soluções baseadas na natureza (NBS) para a restauração e reabilitação de sistemas de recursos hídricos em áreas urbanas.

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|  Foto: Arquivo Pessoal
  
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|  Foto: Arquivo Pessoal
     
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|  Foto: Arquivo Pessoal
  

Temas como o manejo e uso sustentável da natureza, mudança climática, segurança hídrica, poluição da água e gestão de risco de desastres estão inseridos no escopo do projeto. E o que são essas soluções baseadas na natureza? Jardins de chuva, áreas úmidas ou jardins filtrantes, telhados verdes, captação de água de chuva, pisos permeáveis, entre outras fazem parte dessas soluções e todas elas atuam no sentido de impedir que a água escoe superficialmente em direção aos corpos hídricos.

Professor Jorge Alberto Martins Professor Jorge Alberto Martins
Professor Jorge Alberto Martins |  Foto: Roberto Custódio
 

Como cada país participante do projeto contribui com um caso de estudo e nosso caso de estudo é o sistema de lagos Igapó, aqui em Londrina. Ao propor soluções baseadas na natureza para a drenagem na bacia do Igapó o que se espera de resultado prático para a população é tornar o lago e seu entorno um ambiente limpo, apto às atividades de lazer, mais resiliente a eventos extremos e economicamente atrativo. 

Jorge Alberto Martins 2 min
Jorge Alberto Martins 2 min
  

 Professor Jorge Alberto Martins

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|  Foto: Ademar Prado - Videomaker
  

Especial Transmídia UTFPR LDNA 15 ANOS

Esse projeto teve o apoio da Fecomércio-PR

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EXPEDIENTE

Coordenação e Produção Patrícia Maria Alves; Textos Lúcio Flávio Moura, Mariana Guerin; Fotos Roberto Custódio, Arquivos UTFPR; Vídeos MultiTV Cidades Cinegrafista Wilson Schimdt, Produtora Kaori Luiza Rossi, Editor de vídeo Marcos Inocêncio; Imagens aéreas Videomaker Ademar Prado; Linha do tempo e edição de áudios Ana Júlia Gabas - Estagiária; Desenhos Técnicos Prof. André Luis da Silva e Prof. João Luiz do Vale; Edição Adriana De Cunto, Patrícia Maria Alves; Edição de Fotografia Sergio Ranalli; Tratamento de imagem Gustavo Padial; Diagramação Vitor Hugo Gouveia; Apoio logístico Marcos Simões dos Santos; Supervisão Adriana De Cunto

AGRADECIMENTOS

Ao diretor da UTFPR campus Londrina, Sidney Alves Lourenço, pelo auxílio e prontidão para o desenvolvimento da reportagem; aos professores Marcos Rambalducci, por toda a consultoria, André Luis da Silva, pelo apoio e cessão dos desenhos técnicos que ilustram as páginas do Especial; ao secretário de Governo municipal e ex-deputado federal Alex Canziani por gentilmente nos ceder o livro e ajudar a contar a história do campus Londrina; à deputada federal Luisa Canziani; à Fernanda Mazzini,  Maurini de Souza e Adriana Aguillera, por facilitarem a resolução das adversidades, e à Fecomércio-PR, cujo apoio foi fundamental para a realização desta reportagem em comemoração aos 15 anos da UTFPR Campus Londrina.