Viver bem até o fim da vida
Em cuidados paliativos, o sofrimento também é contemplado e não apenas a doença. Isso significa que ele atende a todos os envolvidos com uma doença sem possibilidade clínica de cura, com o objetivo de proporcionar ao máximo, o bem-estar integral.
E entre a equipe médica envolvida está a figura do capelão. "A assistência espiritual e religiosa no Brasil não é como em outros países. Na Europa e Estados Unidos, por exemplo, a figura do capelão é indiscutível na equipe multidisciplinar no ambiente de saúde", completa Elizabeth Maria Silva Pavão, capelã formada em Cuidados Paliativos.
Ela, que trabalha há sete anos em ambiente hospitalar, esteve recentemente em Londrina, ministrando a palestra "A Importância da Espiritualidade em Cuidados Paliativos". E contou que a própria experiência Elizabeth teve um câncer bilateral a despertou para o exercício de capelania hospitalar. "O capelão não é padre, nem pastor. Ele tem a lida religiosa dele, mas aborda temas de cunho espiritual, como amor, paz, solidão, reconciliação, serenidade e valorização do outro. É um foco nos princípios e valores", explica.
Segundo Elizabeth, tudo se torna mais fácil quando o indivíduo entende que a morte não é uma antítese da vida. "Quanto mais eu preencho esse espaço de sofrimento com amor e paz, vou munindo essa pessoa com condições de olhar para vida com menos desespero. A espiritualidade bem trabalhada dá condições a essa pessoa de rever sua vida, de encontrar sentido", sustenta.
Ainda de acordo com ela, estudos relatam que é 30% menor o tempo de internação de uma pessoa que recebe suporte espiritual de maneira adequada. E quando há um psicólogo e um capelão na equipe, que atuem de uma maneira mais frequente, a quantidade de medicamentos chega a ser reduzido em mais de 60%.
"Tudo isso é uma rede que os cuidados paliativos pode proporcionar para que eu tenha uma morte digna, que seja um processo natural do fim. A ideia é viver bem até o fim da vida", conclui. (M.O.)




