VÍRUS HIV - Meta é acabar com níveis epidêmicos
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segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Micaela Orikasa <br>Reportagem Local 
Daqui a cinco anos, o mundo inteiro espera por um cenário diferente do atual no que se refere ao HIV/Aids. O Brasil, que desde 1980 notificou 757 mil casos de aids, deverá atingir a meta 90-90-90, assumida perante a ONU e também adotada por países como Rússia, Índia, China e África do Sul.
A conta, na teoria, é bem simples. A meta prevê que 90% das pessoas vivendo com HIV saibam que têm o vírus e, destas, 90% recebam terapia antirretroviral, para que o resultado final seja de 90% dos brasileiros apresentando carga viral indetectável e, assim, reduzam as chances de transmitir o vírus. Atualmente, estima-se que 150 mil brasileiros não sabem que têm o vírus HIV.
"Estamos nos comprometendo a acabar com os níveis epidêmicos de aids, mas para isso, precisamos da estratégia de prevenção combinada", comenta Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV) do Ministério da Saúde (MS).
Ele ressalta que acabar com os níveis epidêmicos não significa acabar com a aids. "Mas, por exemplo, ao invés de termos dois milhões de casos por ano, a gente vai ter 200 casos no mundo. Isso vai acabar com a epidemia", completa.
Como Política de Prevenção Combinada, Mesquita explica que a ideia de "use camisinha e ponto final" - o que ele denomina de "camisinhacêntrico -, não pode ser a única estratégia no caso do HIV. "Já sabemos que tem uma parcela da população que não usa camisinha e a ideia de prevenção combinada abre um leque de possibilidades. À medida que a pessoa puder combinar é melhor, mas se ela utilizar um desses métodos, ela já se protege e consequentemente, protege a população", diz.
Um dos métodos citados por Mesquita é um novo protocolo assumido em 2013. Antes, o tratamento era direcionado para quem estava com a resposta imunológica muito afetada. Hoje, qualquer indivíduo com HIV recebe tratamento, para que a carga viral seja "derrubada" e os medicamentos funcionem como prevenção, uma vez que essa pessoa não conseguirá mais transmitir o vírus.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) também tem um novo protocolo, lançado este ano. Ela vai atender apenas a quem se expôs ao vírus, como, por exemplo, em casos de estouro de camisinha na relação sexual, estupro ou até mesmo em profissionais da saúde diante de um acidente de trabalho. Ela deve ser usada durante 28 dias, mas a introdução do medicamento deve ocorrer nas primeiras 72 horas depois do acidente. Em Londrina, o CTA disponibiliza o PEP.
"O risco vai ser avaliado por um médico, e a prescrição vai depender também de cada caso. Depois de 30 dias, é preciso refazer o exame", explica a gerente do Programa DST/HIV/Aids do CTA, Hilda Baptistotti.
Em breve, o MS lançará um aplicativo onde as pessoas poderão acessar o local mais próximo com PEP. Já em relação a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que consiste na medicação antes da exposição ao vírus, segue em pesquisa. O Brasil tem quatro grupos estudando a PrEP. O público-alvo será aqueles que têm um comportamento de muito risco de serem infectados pelo HIV (prevalência superior a 3%). "Não é para qualquer pessoa que tenha relação sexual", diz.
Ele ainda afirma que não há dúvidas quanto à eficácia e também descarta a possibilidade de mudança de comportamento. "Há muitos estudos em andamento, e um deles é se o fato da pessoa usar PrEP faz com que ela diminua ou pare de usar camisinha. O resultado mostrou que não há essa modificação, assim como estudos no passado, que mostraram que o fato da pessoa tomar medicamento antirretroviral não a fez relaxar na prevenção", comenta.
Mesquita reforça, no entanto, que nada exclui a importância da camisinha. "Temos alternativas, mas para todo mundo preconizamos o uso de preservativo. Isso não muda", conclui.
Veja onde realizar os testes* rápidos em Londrina:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS)
- Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que fica na Alameda Manoel Ribas, 01, centro. Os exames acontecem diariamente em dois horários: às 8h e às 10h30. Mais informações pelo fone: (43) 3378-0146
- Núcleo Londrinense de Redução da Danos (único local que oferece teste por fluído oral), que fica na Rua Senador Souza Naves, 189. Mais informações pelo fone: (43) 3357-2306
*Os testes são simples, sigilosos e duram em torno de 20 minutos (fluído oral) e 60 minutos (gota de sangue). Ambos são realizados de forma orientada e se necessário, poderá haver acompanhamento por profissionais de outras áreas, como psicólogos

