Existem duas formas de prevenção do câncer de colo de útero. O pesquisador titular e chefe do laboratório de Epidemiologia Molecular e Bioestatística da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Edson Moreira, explica que o exame papanicolau, que coleta e analisa células do colo do útero, "é considerado prevenção secundária porque identifica a doença no início". Segundo ele, a imunização primária se dá por meio da vacina.
Nas clínicas de imunização estão disponíveis duas vacinas que protegem contra os tipos mais agressivos do Papiloma Vírus Humano (HPV). A bivalente previne contra os vírus 16 e 18, que causam 70% dos cânceres de colo de útero, e a vacina quadrivalente, a última desenvolvida, imuniza contra os vírus 6 e 11, que causam 90% das verrugas genitais, além dos vírus 16 e 18. ‘’A quadrivalente pode ser usada em homens e mulheres. A vacinação do homem é justificável porque interrompe a cadeia de transmissão’’, ressalta o pesquisador.
De acordo com Moreira, mais de 40 países já incluíram a vacina em seus programas nacionais de imunização. No Brasil, o governo federal anunciou no início deste mês que irá incorporar ao calendário nacional de imunização, a partir de 2014, a vacinação contra o HPV para meninas de 10 e 11 anos. ‘’Nos Estados Unidos, estudos publicados mostraram o quase desaparecimento das verrugas genitais nas faixas etárias que receberam a vacina’’, destaca.
Para que a imunização seja completa, são necessárias três doses. Em Londrina, cada dose da vacina bivalente custa
R$ 170 e da quadrivalente em torno de R$ 310.

Faixa etária maior


Para o pesquisador, a não inclusão desta vacina no Sistema Único de Saúde (SUS) não se justifica, já que o câncer de colo de útero está entre os três mais comuns do País e a verruga genital é considerada a Doença Sexualmente Transmissível (DST) mais frequente. Para que tenha o efeito desejado, Moreira afirma que a vacina deve ser aplicada antes do início da vida sexual. ‘’Muitos países estão vacinando crianças com 9 anos, mas pesquisas estão sendo feitas e podemos baixar ainda mais esta idade’’, destaca.
Este mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também ampliou a faixa etária para o uso da vacina bivalente de HPV. Com a mudança, o imunizante que era indicado para meninas entre 10 e 25 anos passa a ser aplicável também para meninas a partir de 9 anos.
Os estudos em torno da vacina contra o HPV continuam sendo realizados em laboratórios do mundo todo. Ela já é indicada para prevenir contra o câncer de colo de útero, de vagina e vulva, e de canal anal. ‘’Os estudos apontam que há indicações potenciais da vacina para prevenção contra o câncer de pênis e o câncer de garganta’’, destaca.

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