Em um exame de pré-natal, há oito anos, Elsa Rosa Caldeira, de 49 anos, descobriu que era portadora do vírus da Hepatite C. A notícia foi acompanhada de surpresas e preocupações. Hoje, ao lembrar dos longos anos de acompanhamento médico e das dificuldades do tratamento, a jornalista e empresária encara a vida de forma diferente.

Para ela, tudo ganhou um novo conceito. "Aprendi a dar mais valor à vida. Coisas que antes eu considerava importantes, hoje vejo que não são necessárias e coisas que passavam despercebidas têm um outro olhar agora", descreve.

Assim como muitos pacientes, Elsa não conhecia a doença. "No Hospital das Clínicas (UEL), passei por uma bateria de exames e descobri que estava na fase 2, inicial. Fui acompanhada durante seis anos e realizava exames a cada seis meses. Durante todos esses anos, não me indicaram tratamento", conta.

No momento do parto, o filho de Elsa recebeu a mesma vacina que é dada às crianças com o vírus HIV e negativou a doença. "Em novembro de 2012, minha doença avançou e tive que tratar imediatamente. Eu temia muito, mas sabia que não podia fugir daquilo. Passei a tomar Interferon e Ribavirina durante 48 semanas, disponibilizados pelo Estado", lembra.

Os efeitos colaterais são bem agressivos. Elsa diz que perdeu o paladar e os cabelos, que os sistemas digestivo e intestinal foram afetados e, além disso, teve um quadro de depressão. "Fui encaminhada ao psiquiatra, tomei antidepressivo e fiz terapia. Graças a Deus tive condições de ter essa ajuda paralela. Infelizmente, muita gente não tem", desabafa.

No meio do tratamento, os exames já apontaram para "não reagente", mas isso não significava que poderia ser interrompido. Ela completou as 48 semanas e ganhou alta há um mês. Agora, a rotina está sendo retomada aos poucos, mas Elsa já tem muito a comemorar.

"É preciso investir em informação. As pessoas devem saber que a doença existe e é grave. Além disso, a atenção aos portadores tem que melhorar, com uma rede integrada de atendimento. Tratar a Hepatite C não é só aguentar firme, mas também dar conta de todos os efeitos e enfrentar preconceitos", conclui.

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