Vida nova a pacientes com surdez
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de maio de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem local 
O implante coclear não devolveu ao dentista Roberto Sahyun apenas a audição, mas vem permitindo aos poucos o seu retorno à vida social. Com o aparelho auditivo convencional, o dentista retomou a audição no ouvido esquerdo, mas o lado direito apresentava uma lesão mais severa que só foi corrigida com o implante, realizado há oito meses. Uma lei federal exige que os planos de saúde cubram o procedimento, e esta foi a escolha de Sahyun. Se optasse por fazer a cirurgia particular, ele desembolsaria em torno de R$ 56 mil.
O procedimento também já é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em alguns centros. O Hospital Universitário de Maringá foi credenciado pelo Ministério da Saúde e em breve estará disponibilizando a cirurgia (leia mais nesta página). Este será o primeiro centro do interior do Paraná a oferecer o implante os outros dois ficam em Curitiba.
De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde (MS), são investidos em média R$ 46 mil para o atendimento de cada paciente que realiza esta cirurgia na rede pública. O serviço começou a ser ofertado pelo sistema público no ano 2000 e até 2013 foram feitas 5.157 cirurgias de implante coclear e disponibilizadas 5.026 próteses para o implante.
A cirurgia consiste na implantação de eletrodos dentro da cóclea (estrutura do ouvido interno), que estimulam o nervo auditivo. O médico otorrinolaringologista Orley Ferraz afirma que o implante ainda possui um componente externo, que é um microfone colocado na cabeça, na região atrás da orelha do paciente. "O microfone capta o som e envia para os eletrodos, que são responsáveis por estimular o nervo auditivo e fazer o paciente ouvir", explica.
Indicada para pacientes que possuem surdez profunda e que não apresentaram resultado positivo com o uso do aparelho auditivo comum, a cirurgia pode ser feita até mesmo em crianças com menos de 1 ano de idade. "Neste caso a audição e o cérebro amadurecem mais próximo do natural e a criança aprende a falar e a reconhecer o som com menos dificuldades", diz o médico. Conforme Ferraz, o teste da orelhinha, realizado nas maternidades, é o grande canal para a identificação das crianças que precisam do implante.
Quanto mais tempo a pessoa passar sem ouvir, maiores são as perdas da memória auditiva. "O paciente que já ouviu, falou e perdeu a audição de forma repentina apresenta resultados melhores do que aquele que nunca ouviu e não tem memória auditiva, como os que nascem surdos e só colocam o implante depois de muitos anos", exemplifica. Neste último caso, o médico afirma que os pacientes precisam fazer terapia fonoaudiológica durante muitos anos para reconhecer os sons.

