Universo vivido por 46 milhões de pessoas
A cada relatório que surge apontando a longevidade da população, uma luz se acende para a doença de Alzheimer. Já se sabe que, atualmente, cerca de 46,8 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo.
Há dados precisos que apontam os números de uma forma ainda mais alarmante. Em todo o mundo, uma pessoa é acometida pela enfermidade a cada 68 segundos. Com isso, os especialistas acreditam que até 2050 serão mais de 115 milhões de pacientes.
O geriatra Marcos Cabrera diz que o sintoma mais precoce e característico é a perda de memória, embora o Alzheimer tenha vários subtipos. "As doenças neurológicas, onde o Alzheimer é a mais importante, vão evoluir de maneira muito semelhante. Começa com a memória e vai comprometendo outras funções, como dificuldades na linguagem, seja no entendimento ou na execução, na motricidade (movimentação), entre outros", explica.
Com o avançar do tempo, o indivíduo irá perder a autonomia e passará a depender de outras pessoas. Esse estágio avançado ainda não faz parte da rotina da técnica de enfermagem Débora de Melo Veríssimo, de 46 anos. No entanto, o Alzheimer já "entrou" em sua casa há quase dois anos.
"Tudo começou com o esquecimento. Eu ia ao supermercado e de três a quatro vezes por dia tinha que responder minha mãe se eu ia fazer compras ou não", conta ela, que divide com a irmã os cuidados com a mãe Arlete, de 72 anos.
Débora não se esquece dos medicamentos recomendados pelo médico e ainda acompanha a mãe nos encontros do Projeto Memória e Comunicação, da Policlínica Municipal.
"O objetivo do tratamento é fazer com que o indivíduo viva em paz, com o mínimo de dignidade, e não transformar a pessoa com Alzheimer em um ser sabido novamente", ressalta Cabrera.
E enquanto a ciência não descobre a cura para o Alzheimer, a única certeza que temos é que terá menos chances de desenvolver a doença, aqueles que cultivam bons hábitos. "É preciso cuidar da saúde circulatória, cardíaca, psíquica, social e afetiva. Tudo isso é muito importante", conclui o geriatra. (M.O.)




