Se para você, usar o micro-ondas diariamente e falar ao celular o tempo todo não passam de atitudes banais, para alguns pesquisadores espalhados pelo mundo essa é uma atividade que precisa ser revista.

Assim como a maioria da população, dificilmente você deve ter parado para pensar na poluição eletromagnética. Muita gente, inclusive, nem sabe do que se trata e muito menos que pode ser prejudicial à saúde. É por isso que este tipo de poluição se torna um "inimigo" invisível.

A professora e consultora Snezana Renault, do Instituto Europeen de Feng Shui e Geobiologia, estuda o tema há mais de 30 anos. Ela esteve em Londrina na semana passada, ministrando um curso promovido pelo Instituto Salgado de Saúde Integral.

Ela explica que a poluição eletromagnética é tudo aquilo que nos cerca e que pode ter baixa ou alta frequência. "Os aparelhos elétricos como televisores, geladeira, máquinas de lavar são tidos como de baixa frequência. Já todo o sistema de telefonia, como celulares, telefones sem fio, postes externos e o wi-fi (internet sem fio) são os maiores vilões por terem alta frequência", revela a pesquisadora sérvia, que reside na França.

As ondas eletromagnéticas podem se manifestar de diversas formas, dependendo das frequências que são medidas pelo número de oscilações (ciclos) por segundo. E elas representam a energia transportada através de espaço, na velocidade da luz, na forma de campo elétrico ou magnético.

Uma publicação da Agência Brasil esclarece "que o corpo humano também irradia ondas eletromagnéticas em baixíssimas frequências de infravermelho, que são produzidas pelo calor do próprio corpo, composto por células carregadas de átomos e elétrons. É a vibração dessas células que permite a realização de exames como a tomografia, por exemplo".

Apesar da discussão ainda ser polêmica e permeada de indagações, o fato é que em todo o mundo se reconhece que o excesso de ondas pode alterar o funcionamento de equipamentos eletrônicos quando estão próximos um do outro.

Outros pesquisadores já reconhecem também que a exposição prolongada a campos magnéticos pode provocar a redução dos glóbulos vermelhos e o aumento dos glóbulos brancos, favorecendo o surgimento de câncer.

Uma das primeiras pesquisas relacionadas é datada de 1979, pela bióloga e socióloga Nancy Wertheimer, da Universidade de Colorado (EUA). Ela estudou 900 crianças de famílias que moravam perto de redes de transmissão de energia elétrica. No final da pesquisa, foi detectada a presença de leucemia em 10% das crianças.

Em outra pesquisa, um médico da Universidade da Califórnia, David Savitz, avaliou profissionais que atuam diretamente com equipamentos alimentados por eletricidade. Os resultados revelaram uma incidência de câncer no cérebro 2,6 vezes maior em radioamadores do que em profissionais de outros ramos.

"Aquela história de que o uso de celular não faz bem à saúde, é verdade. Sobretudo quando as pessoas falam por muito tempo ao dia. O processo funciona exatamente como um micro-ondas. Não é uma metáfora. O micro-ondas aquece as moléculas de água dos alimentos por agitação e o telefone celular vai fazer o mesmo. Você encosta o aparelho na orelha e ele esquenta as moléculas de água do nosso cérebro e as agita", afirma Snezana.

Hábitos


Segundo a pesquisadora, as altas frequências podem ser medidas através de aparelhos. "É um risco invisível que causa impacto sobre a população. O fato é que a medicina tradicional não está preparada para fazer a associação entre alguns sintomas e a poluição eletromagnética", ressalta.

Ainda de acordo com Snezana, o corpo responde à exposição excessiva às ondas, com um conjunto de disfunções, incluindo mal estar, enxaqueca, enjoo, estresse, insônia, diarreia e cansaço. E mesmo diante de tantas polêmicas, muitos cientistas recomendam que o aparelho celular seja usado moderadamente e de preferência em lugares abertos.

Na França, ela comenta que já houve progressos. Os superpostes de energia e as antenas para celular GSM são proibidas em toda e qualquer escola do país. E como prevenção, ela adotou um hábito de vida que não é encarado com facilidade por muitas pessoas, considerando a rotina atribulada dos tempos modernos.

"Não tenho forno micro-ondas, aliás, na França muita gente não tem. Minha internet é com cabo, assim como o telefone fixo. Quando uso o celular, não o faço andando e sim parada em um lugar e com uma certa distância da orelha. Mas, tem algo que preconizo em minhas consultorias, que é um tecido que possui uma malha de metal interna e, com isso, não deixa passar esses raios. As pessoas podem fazer por exemplo, cortinas", completa.

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