Quando falamos de uma doença de difícil diagnóstico, de rápida evolução e com um alto índice de letalidade, a palavra que vem à mente é sempre a prevenção. É essa a bandeira defendida por muitos médicos, principalmente em relação à meningite bacteriana tipo B.
A doença meningocócica invasiva (DMI) tem grande impacto na população, com um índice de 10% a 20% de letalidade dos casos, mesmo com a possibilidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado. Sem o tratamento, a mortalidade pode subir para 50% ou mais. Além disso, a taxa de sequelas chega a 20%, revelando o quanto a DMI é severa.
Se a ordem então é a prevenção, o primeiro caminho a seguir é adotar hábitos saudáveis e estar com a imunização em dia. No Calendário Nacional de Vacinação já estão incluídas vacinas contra a meningite, como a BCG que é aplicada ao nascer, a pentavalente, a pneumocócica e a meningocócica C, para crianças aos três e cinco meses de idade.
Porém, uma nova vacina, a BEXSERO, produzida pela indústria farmacêutica GSK, acaba de ser lançada no Brasil com a oferta de cobertura contra a maioria dos casos de doença meningocócica causada por cepas do sorogrupo B. É indicada a partir dos dois meses de idade até os 50 anos e a princípio está disponível somente nas clínicas particulares e com um custo variável a partir de R$ 340.
A estimativa é de que a vacina ofereça 80% de proteção contra o meningococo B e que seus componentes possam ainda oferecer proteção cruzada para os sorogrupos A e C. "Mas essa resposta, assim como a duração de proteção e a possível disponibilidade na rede pública, só virá com o tempo", diz Renato Kfouri, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia (Sbim).
A vacina é aprovada em 37 países e em seis deles, como no Reino Unido, já é uma recomendação nacional. As contraindicações são para os indivíduos com alergia a alguns dos componentes da vacina e gestantes. Após a aplicação, pode haver vermelhidão local, febre, mal-estar e dor leve.

Circulação
O farmacêutico Felipe Lorenzato, gerente médico da GSK, explica que cinco sorogrupos são os grandes responsáveis pela doença meningocócica (MenA, B, C, W e Y). "No Brasil basicamente não tem A e o B é o mais desafiador, pois tem variações genéticas e pode se representar em mais de mil subtipos", afirma. De 32 mil casos de DMI notificados anualmente no País, 22 mil são confirmados.
Foi na década de 1980 que o tipo B teve grande impacto no País. E apesar da imprevisibilidade de circulação, há um discreto aumento deste sorotipo na região Sul, ou seja, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) DataSUS de 2012 apontam que no ano passado, dos casos sorogrupados (35,7%) de DMI em crianças de 1 a 14 anos no Paraná, 60% foi pelo tipo B. "Há que se considerar nossa proximidade com o Chile, a Argentina e o Uruguai, onde tem muito meningococo B e esse intercâmbio aumenta nosso risco em relação a este sorogrupo e também o W, proporcionalmente", comenta Lorenzato.
"A bactéria tem um caráter muito flutuante. Já vivemos épocas, há vinte anos atrás, que praticamente 100% dos casos eram causados pelo tipo B. Mudamos para o tipo C e nada nos garante que daqui alguns anos não estaremos falando do B, do A, Y ou W como grandes causadores de meningites em nosso país", acrescenta Kfouri.
Os números revelam ainda que a taxa de letalidade por DMI no Estado foi de 21% em 2014, ou seja, de cada 100 casos, 21 foram a óbito. "É por isso que quando se fala em doença meningocócica, a prevenção é a melhor ferramenta que a gente tem disponível hoje", diz o pediatra.

A repórter viajou a São Paulo a convite da GSK

Imagem ilustrativa da imagem Uma nova ‘arma’ contra a meningite B
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