Para o presidente da Aliança Londrinense e Interdisciplinar de Aids (Alia), Roni Lima, se a pessoa infectada com HIV se deixar levar por todas as ações de exclusão praticadas pela sociedade, ela vai viver uma morte social. ''É uma doença moral que causa a morte social'', afirma. ''O vírus acaba resultando no empobrecimento, no mercado de trabalho a pessoa é vista como uma peça deteriorada, por isso muitos viram autônomos'', explica.
Roni acredita que, na sociedade, o HIV se torna algo maior do que os potenciais e os conhecimentos da pessoa, por isso as portas se fecham. ''Quem tem HIV ou Aids é estigmatizado, recebe um olhar de pena da sociedade. Não importa se a pessoa tem um ou dez anos de vida, ela é vista como condenada e como um risco para os demais'', aponta.
Diante do diagnóstico de infecção, o presidente da Alia destaca que a primeira ação deve ser a mudança de comportamento e adesão ao tratamento. ''É preciso ter disciplina para viver com Aids e todas as relações sexuais precisam ser feitas com o preservativo'', afirma. Vivendo com HIV há 17 anos e medicalizado há 15 anos, Roni conta que quando recebeu o diagnóstico todos os planos para o futuro ruíram. ''Não havia projeto de vida, o que havia era um plano de suicídio, de como morrer causando danos menores. O que me salvou foi o pessoal que conheci na Alia'', afirma.
A utilização dos medicamentos não é fácil, lembra Roni. Ele explica que há remédios mas também há um custo biológico muito grande. ''A pessoa que toma os remédios sabe que está sobrecarregando seus órgãos, os medicamentos têm uma lista gigantesca de efeitos colaterais, questões gástricas, perda de tecido muscular e ósseo, aceleração do envelhecimento, menopausa precoce e osteoporose acelerada nas mulheres'', enumera. Ele complementa que estes são os problemas fisiológicos provocados pelos medicamentos que ajudam a controlar a infecção, mas há ainda os problemas sociais. ''Discriminação, rejeição familiar, resignação, transtornos psiquiátricos, alcoolismo e drogadição e exclusão social. Não é fácil viver com Aids'', complementa. Ele lembra ainda que a pessoa com Aids está sujeita a diversas infecções oportunistas que podem ser provocadas por vírus, fungos e bactérias que estão em todo lugar. (M.A.)

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