Um novo capítulo na vida de Stefany
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domingo, 21 de junho de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Depois de muita expectativa, a pequena Stefany Nogueira Salomão, de 8 anos, acordou bem disposta e com muita fome. Esse era o primeiro sinal que a equipe médica e, principalmente, os pais esperavam após quase três horas de cirurgia para o transplante de córnea no olho direito.
Tudo isso aconteceu no Hospital Evangélico (HE) em Londrina, na última quarta-feira. Stefany esperava por esse procedimento há cerca de três anos. Sua visão estava tão comprometida que, nos últimos meses, o simples ato de andar e brincar se tornaram difíceis tarefas.
Mas, na semana passada, um novo capítulo foi escrito na luta de Stefany. Ainda no quarto do hospital, esperando pela alta médica, os pais da garotinha eram uma só felicidade. "Uma vida foi devolvida para uma criança muito importante, muito especial", diz a mãe Adriana F. Salomão, de 34 anos.
O ambiente hospitalar não é uma novidade para essa família de Ibiporã. Stefany foi diagnosticada, no primeiro ano de vida, com mucopolissacaridose (MPS), uma doença genética rara com sintomas e sinais que variam de indivíduo para indivíduo, assim como o grau de gravidade e progressão.
E, entre as diversas manifestações clínicas, pode haver comprometimento da função visual. A oftalmologista Ana Paula Oguido, que realizou o transplante, conta que a cirurgia foi muito delicada e difícil pela particularidade da doença.
Ela explica que a indicação cirúrgica é para o tratamento da opacidade de córnea que ocorre em crianças com mucopolissacaridose. "Stefany foi submetida ao transplante de córnea penetrante de olho direito. A cirurgia foi feita sob anestesia geral e 24 horas depois foi retirado o tampão. A visão será recuperada aos poucos, à medida da cicatrização e recuperação dela", comenta.
De acordo com Ana Paula, o tratamento de córnea é muito mais difícil em crianças, por apresentarem uma reação inflamatória maior e maiores índices de rejeição. Diante disso, ela ressalta que os cuidados com a paciente estão apenas começando.
A partir de agora, Stefany passará por avaliações frequentes e fará uso de medicações para evitar a rejeição e possibilitar sua total recuperação visual. Ainda de acordo com a oftalmologista, Stefany apresenta a mesma opacidade de córnea no olho contralateral.
"O ideal seria ela receber a outra córnea em torno de um ano de pós-operatório do primeiro transplante", aponta Ana Paula, que atua também como diretora médica responsável pelo Banco de Olhos de Londrina.
"Existe a análise de todas as córneas por meio do Banco, mas diferente de outros órgãos, a córnea não possui vasos sanguíneos e, portanto, a compatibilidade sanguínea não é necessária", completa.
Em média, uma córnea dura em torno de 20 a 30 anos. Isso significa que, possivelmente após esse período, haverá a necessidade de um retransplante.
ESPERANÇA
Com uma ótima disposição logo após a cirurgia, Stefany não via a hora de ir para casa. Foram três anos de espera por um transplante, o que provocou momentos de muita angústia e emoção entre a família.
A mãe Adriana revela que a primeira tentativa ocorreu em Sorocaba (SP). "Não foi possível fazer o transplante porque o local não tinha uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Fomos encaminhados para uma clínica particular e quando estava tudo certo para a cirurgia, a equipe não conseguiu entubá-la pela ausência de equipamentos necessários. Foi mais uma oportunidade perdida", lembra.
A família chegou a viajar para Curitiba, mas também sem sucesso por falta de UTI na clínica onde o procedimento seria realizado. Em fevereiro deste ano, o nome de Stefany integrava a lista de espera por uma córnea, aqui em Londrina.
Na segunda-feira passada, uma nova expectativa. "Recebemos a notícia de que tinha uma córnea para minha filha. Fiquei muito nervosa, corremos para o consultório para acertar os detalhes e na quarta já foi feito o transplante", diz.
A partir de agora, os pais de Stefany acreditam em vida nova e não têm palavras para agradecer à família que autorizou a doação da córnea. "Ela vai poder brincar e andar de novo. A luta continua, mas já é uma nova esperança", conta o pai Modesto Salomão.

