O anúncio na última semana da segunda gestação de Kate Middleton, esposa do príncipe William, foi acompanhado de outra notícia. A duquesa de Cambridge sofre de hiperêmese gravídica, quadro que a levou a quebrar o protocolo da família real e confirmar a gravidez logo nas primeiras semanas. Kate teve hiperêmese gravídica na primeira gestação, mas desta vez está impossibilitada de cumprir a rotina pelo excesso de náuseas e vômitos.
Conforme a ginecologista e obstetra Vera Lucia R. S. Pedrão, de Londrina, nos três primeiros meses de gestação, esse sintomas leves são normais. "É uma mudança fisiológica natural causada pelo hormônio HCG, que é produzido pela placenta. Porém, a diferença da êmese com a hiperêmese é a intensidade dos vômitos e, portanto, quando se tem um excesso pode se configurar como uma patologia", diz, ressaltando que enquanto a êmese atinge 50% das gestantes, a hiperêmese acomete cerca de 5%.
Segundo ela, a partir do momento em que a mulher não consegue comer - ou quando come vomita em seguida -, é preciso comunicar o médico, pois essa constância pode levá-la a uma desidratação, com desequilíbrio eletrolítico (perda de sódio, potássio e outros minerais), resultando em uma constante sensação de fraqueza, mal-estar e perda de peso.
"Nesses casos é possível fazer uma medicação injetável porque se for comprimido a mulher pode vomitar e não ter efeito. Hoje em dia, é raro internar uma paciente por hiperêmese gravídica porque as medicações são mais eficientes e conseguimos controlar", afirma Vera, destacando que o tratamento é simples.
De acordo com ela, a hidratação neste período é fundamental, em conjunto com um medicamento antiemético, seja via oral, intramuscular, sublingual ou endovenoso. Em geral, quando a causa é hormonal, esse mal-estar desaparece no quarto mês de gestação, mas quando a mulher tem uma patologia secundária, os sintomas podem se arrastar ao longo da gravidez.
Pacientes que tenham gastrite, refluxo ou até mesmo que se alimentam mal devem ficar atentas e adotar hábitos como uma dieta fracionada, comer pouco, ingerir líquido apenas nos intervalos das refeições e mastigar bem.
"As grávidas já têm uma digestão mais lenta. Neste período também não dá para estipular um cardápio, pois nada é atrativo. Muitas vezes, receitamos um polivitamínico e no avançar da gestação podemos então fazer uma indicação de uma nutricionista", ressalta.
Apesar de não ter comprovação, a ginecologista cita ainda que pode haver uma relação com fatores psicogênicos. "Muitas pacientes que apresentam a hiperêmese são mais inseguras e ansiosas. Com 35 anos nesta área, percebo que hoje em dia as mulheres não têm mais medo da gravidez com antigamente, porém parecem que estão menos preparadas para ter filhos, por vários motivos, como a vida profissional e o volume de informações nem sempre corretas, que permeiam a gestação", observa.

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