Um efeito nada silencioso
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domingo, 05 de outubro de 2014
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Seja no trabalho, no trânsito, no lazer ou mesmo em casa. Se tem algo que nos cerca o tempo todo são os ruídos. O fato é que a maioria da população não "dá ouvidos" a esses inimigos que podem trazer sérios prejuízos à saúde.
Definido como um barulho alto que começa a incomodar, o ruído é, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a terceira principal causa de poluição mundial. E é perceptível que a sociedade, principalmente nas grandes cidades, está realmente cada vez mais barulhenta.
Em casa, são os aparelhos eletroeletrônicos, como o secador de cabelo, o liquidificador e a televisão. Nas ruas, as buzinas, freadas, sirenes de ambulâncias e obras. Mas os ruídos também estão no trabalho - nos sons emitidos pelas máquinas e telefones - e até mesmo nos momentos de lazer, em ambientes com música alta ou no simples fato de usar fones de ouvido.
A questão que preocupa os especialistas é que esses barulhos vão se somando e, a longo prazo, podem comprometer a audição. "Além disso, o ruído passa a irritar a pessoa, provocando cansaço e comprometendo o sono. Os prejuízos são tanto metabólicos quanto circulatórios e psicológicos", comenta Luciana Marchiori, docente do curso de Fonoaudiologia da Unopar e doutora em Medicina e Ciências da Saúde.
Ela explica que a Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair) resulta de uma lesão nas células ciliadas, que consequentemente param de funcionar. "Nesse processo há diminuição da audição, geralmente nas frequências mais agudas que são as primeiras a serem lesionadas", afirma, reforçando que a Pair é irreversível, gradativa, mas passível de prevenção. "O jovem que começar a se cuidar, com certeza vai ter a audição mais preservada. O indivíduo está vivendo cada vez mais e todo mundo quer chegar na velhice com qualidade de vida", ressalta.
Em relação aos sintomas, a fonoaudióloga Patrícia de Rissio, especialista e mestre em Audição, do Grupo Microsom, comenta que a partir do grau leve, a pessoa passa a sentir algumas dificuldades em conversas. "Ela não entende com clareza, pois parece que falta pedaços da informação. Conforme vai piorando, surgem outros obstáculos como, por exemplo, a dificuldade para escutar televisão. Além disso, o zumbido passa a ser constante. Tudo vai ficando mais evidente", conta. Outro sinal que serve de alerta é a sensação de plenitude auricular, ou seja, o ouvido tapado.
Patrícia diz ainda que os prejuízos à audição estão relacionados com a intensidade do ruído e o tempo de exposição. Ela comenta que existe um limite aceitável de 85 dB (decibéis) por até oito horas por dia. "Quanto maior é o ruído, menos tempo a gente pode ficar exposto a ele", ressalta, revelando algumas medidas válidas, entre elas fazer uma pausa durante o dia em um lugar silencioso, evitar andar em veículos com a janela muito aberta e, para os motoqueiros, usar sempre o capacete. "Ele também protege", completa.
Um dos desafios na área é avaliar quem tem mais suscetibilidade à perda auditiva. "Temos realizado avaliações biológicas e apresentado alguns estudos em congressos. Estamos pesquisando inclusive se há alguma relação genética", revela.
Para conhecer os níveis toleráveis de ruídos, existem diversas tabelas (veja figura nesta página), mas de acordo com os fonoaudiólogos, aquele que incomoda é em torno de 40 a 50 dB. Ao sentir desconforto ou até qualquer mudança na audição, procure um médico e faça uma avaliação auditiva.

