O neurocirurgião Ivan Hattanda representou Londrina em um dos encontros mais importantes da neurocirurgia de coluna nas Américas, o seminário da AO Spine América Latina, realizado em Bogotá. O evento reuniu especialistas de toda a América em uma imersão voltada ao estudo dos tumores da coluna, um tema considerado um dos grandes desafios da neurocirurgia e da ortopedia atuais.

Os tumores de coluna podem surgir na vértebra, no canal medular, nas estruturas ao redor da medula ou diretamente na medula espinhal. Em muitos casos, provocam dor intensa, fraqueza, perda de sensibilidade e, quando avançados, risco de paralisia.

Segundo o especialista, dores persistentes que não melhoram com repouso, perda de força nas pernas ou alterações de sensibilidade devem motivar avaliação médica, especialmente quando evoluem rapidamente. “Embora nem toda dor nas costas indique um tumor, sempre investigamos quando os sintomas são progressivos ou associados a histórico prévio de câncer”, explica.

Entre os tumores benignos discutidos no encontro estão o osteoma osteoide, conhecido pelo tamanho reduzido e dor intensa; e o osteoblastoma, geralmente maior e mais agressivo. Outro tumor abordado foi o cisto ósseo aneurismático, capaz de crescer rapidamente e comprometer a estrutura óssea. Mesmo tumores benignos podem causar limitação significativa, por isso o diagnóstico precoce faz diferença.

Os tumores malignos primários, como cordoma e condrossarcoma, exigem planejamento cirúrgico detalhado e, muitas vezes, ressecções mais amplas para garantir segurança ao paciente. Também foram debatidos tumores intra-raquianos, como meningioma, schwannoma, neurofibroma e ependimoma.

As metástases vertebrais, formas mais comuns de acometimento tumoral da coluna, receberam atenção especial. Elas são relativamente frequentes em pacientes oncológicos e podem ser uma das principais causas de dor nas costas em pessoas que já enfrentaram câncer. “As discussões foram extremamente técnicas e práticas, com impacto direto no atendimento de pacientes no dia a dia”, afirma Hattanda.

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Módulos específicos do evento na Colômbia abordaram critérios de instabilidade (SINS), compressão epidural (Bilsky), uso de corticoides, papel da radioterapia e a moderna técnica de cirurgia de separação. A cirurgia de separação cria um espaço seguro entre o tumor e a medula, permitindo que a radioterapia atue com mais precisão e menos risco. “Foram debates muito objetivos, voltados para decisões práticas no dia a dia do cirurgião”, explica Hattanda.

Outro eixo central foi o diagnóstico. A investigação inclui ressonância magnética, tomografia, análises laboratoriais e escalas prognósticas, mas a biópsia segue como etapa fundamental para definir o tipo tumoral e o tratamento ideal. “Reforçou-se a importância de biopsiar de forma sistemática para um planejamento realmente individualizado”, afirma o neurocirurgião.

O encontro também apresentou tecnologias que vêm transformando o tratamento dos tumores da coluna, como navegação cirúrgica, impressão de modelos 3D, instrumentação avançada e técnicas de cirurgia minimamente invasiva (MISS), que oferecem maior precisão, menor risco e recuperação mais rápida.

(Com informações da assessoria)

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