Trombose pode levar à morte ou amputações
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Nesta semana comemora-se o Dia Mundial Sem Tabaco. A data, dia 31 de maio, chama atenção para doenças associadas ao hábito de fumar. O tabagismo é um fator de risco altamente relevante para o aparecimento de vários distúrbios, entre eles as patologias vasculares. Alguns componentes do cigarro causam alterações nas paredes dos vasos e favorecem a formação de trombos (coágulos), que podem provocar a morte do paciente ou levar a amputação de membros.
Cerca de 170 mil pessoas são afetadas todos os anos por tromboses no País. As doenças do aparelho circulatório são a terceira causa de internações no Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com o relatório da Organização Pan-Americana de Saúde. As causas que levam ao problema são inúmeras e há diferenças grandes entre a trombose arterial (veja mais na página seguinte) e a venosa, em especial, na forma de tratar e nas consequências que o problema pode acarretar para o organismo.
O coração bombeia o sangue que segue pelas artérias oxigenando o organismo, ao chegar nas extremidades ele retorna pelas veias até chegar ao coração. Neste percurso pode ocorrer a formação de trombos, que interrompem o fluxo sanguíneo. Quando eles ocorrem nas pernas (como é a maioria dos casos), podem causar a morte do membro, levando a amputação, e quando o coágulo "viaja" pelo corpo até chegar aos pulmões, ele provoca uma embolia pulmonar, que é fatal.
A trombose mais comum é a venosa. A cirurgiã vascular Mônica Filgueiras enumera os fatores de risco para a doença. "Pessoas que fazem longas cirurgias - em especial as ortopédicas , que possuem doenças que deixam o sangue mais grosso, pacientes com câncer e ainda quem possui varizes não tratadas têm maior chance de desenvolver a trombose nas veias. As pessoas com desidratações severas, fumantes e pacientes idosos acamados também correm este risco", explica.
Além do tabagismo, o sedentarismo, o uso de anticoncepcionais e as longas viagens na mesma posição também favorecem o aparecimento de trombos venosos. A médica explica que a prevenção vai desde a utilização de medicamentos anticoagulantes após algumas cirurgias, realização de fisioterapia em pacientes acamados, uso de meias antitrombóticas até as caminhadas durante as viagens longas.
"A trombose venosa é causada por um coágulo que se forma em uma veia. Ela é relativamente comum e em 90% das vezes ocorre n os membros inferiores", explica a médica. A doença é muitas vezes silenciosa, mas algumas pessoas podem apresentar sintomas como dor na perna, inchaço, vermelhidão, calor no local, endurecimento da musculatura da perna e formação de nódulos dolorosos.
Cuidados
O secretário-geral da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Celso Bregalda Neves, explica que os trombos frescos são moles e depois de alguns dias eles aderem à parede do vaso. "Quando diagnosticamos a trombose, recomendamos que o paciente fique em repouso absoluto por alguns dias para dar tempo do trombo se fixar, ao mesmo tempo usamos medicamentos anticoagulantes para que o organismo dissolva o coágulo", destaca.
Depois de passada a fase crítica, o médico explica que o paciente deve usar meias elásticas. As pessoas que possuem varizes têm o funcionamento das veias comprometido por conta do grosso calibre que elas adquirem. As meias apertam as veias, favorecendo a aproximação das válvulas, que são responsáveis por enviar o sangue de volta ao coração, e possibilitando um fluxo mais eficiente.
A doença também é conhecida por síndrome da Classe Econômica, mas na verdade a trombose pode acontecer em qualquer classe, em especial nas viagens prolongadas de avião, carro ou ônibus. "Nas viagens de avião há outros fatores que predispõe ao problema, como o espaço curto para as pernas e o ar com menor quantidade de oxigênio que favorece o espessamento do sangue e a formação de coágulos", ressalta Neves.
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