'Tremor sumiu', garante paciente londrinense
Durante os anos que trabalhou como professora, Rosângela Maria Pierolli Ferrari, de 56 anos, sonhava em se aposentar e conhecer as praias do nordeste brasileiro. O sonho foi adiado porque ela começou a ter sintomas da doença de Parkinson no mesmo ano em que se aposentou. "Eu tinha 42 anos e percebi que o dedão do meu pé começou a tremer; pouco tempo depois a perna já não respondia tão bem aos comandos e eu comecei a tropeçar", comenta. Foram seis meses até o diagnóstico e longos anos de tratamento.
O vendedor Sebastião Almeirão Ferrari, de 59, esposo de Rosângela, disse que o tratamento foi iniciado logo que a doença foi diagnosticada. "No início, ela tomava dois comprimidos por dia, mas agora chegou a ingerir doze (unidades)", revela. Ele lembra que os medicamentos minimizam os tremores, mas não impedem a evolução da doença. "Com o tempo, o efeito dos remédios ficou menor e por isso ela precisava tomar um comprimido a cada duas ou três horas para se manter bem", destaca.
A esperança do casal veio com a cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda. "A gente ficou sabendo que este procedimento era realizado em alguns centros, mas achávamos que era uma coisa impossível de conseguir", conta Rosângela. Mas tudo se encaminhou bem e, há duas semanas, a professora se tornou a primeira londrinense a passar pela cirurgia na cidade, após um ano de preparação para o procedimento.
Foram 12 horas de cirurgia e o procedimento não foi fácil. Rosângela precisou ficar acordada, imóvel, e suportar a dor que surgia mesmo com a anestesia local. Apesar de tudo, ela garante que o sofrimento valeu a pena. "O tremor sumiu. Já consigo escovar os dentes, abotoar a roupa e pentear o cabelo. Ficou bem mais fácil cuidar da minha higiene pessoal", comemora.
Os remédios ainda fazem parte da rotina de Rosângela, e a quantidade de comprimidos será reduzida aos poucos. A fase mais difícil já passou, agora Rosângela aguarda ansiosa pelos últimos procedimentos de adaptação do equipamento, esta etapa pode durar três meses. "Daqui a dez dias já posso voltar a fazer crochê que eu adoro, e quando estiver completamente boa quero fazer as malas e conhecer o nordeste", afirma. (M.A.)




