O procedimento cirúrgico de implante de eletrodos no cérebro para tratar doenças do sistema nervoso - realizado no Brasil há 18 anos - começa a ser feito em Londrina. A Estimulação Cerebral Profunda foi realizada pela primeira vez na cidade há 15 dias, no Hospital Evangélico, em uma paciente que luta contra a doença de Parkinson. Apesar de delicada, a cirurgia é pouco invasiva e traz resultados imediatos, reduzindo os sintomas da enfermidade. De acordo com o médico neurocirurgião e coordenador do departamento de Neurocirurgia Funcional da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Arthur Cukiert, atualmente a intervenção é feita somente em 30 centros médicos do País (leia mais nesta página).
A cirurgia consiste em instalar no cérebro do paciente de um a dois eletrodos, que ligados a uma bateria, emitem uma corrente, criando um campo elétrico que altera as regiões responsáveis pelos sintomas da doença - tremor e rigidez. "Quando implantado, o eletrodo promove uma estimulação elétrica de alta frequência em uma região específica do cérebro que está desregulada em virtude do Parkinson", explica o neurocirurgião Marcos Antônio Dias, que comandou a cirurgia em Londrina. Segundo ele, o procedimento é indicado para pacientes com doença de Parkinson porque gera modulação em determinada área do cérebro, regularizando o funcionamento cerebral e inibindo os tremores e outros sintomas da doença.
O médico explica que em alguns pacientes é preciso a instalação de dois eletrodos, um em cada região do cérebro, e nestes casos o tempo de duração da cirurgia varia entre 10 e 12 horas, mas ela pode ser dividida em duas etapas, uma para cada equipamento. A identificação do local adequado para a implantação do eletrodo é feita com base em imagens previamente obtidas em tomografia computadorizada antes do procedimento, e de um programa de computador que passa as coordenadas do ponto, no momento da cirurgia.

Anestesia local
Apesar de ser uma intervenção cirúrgica delicada no cérebro, a anestesia utilizada para o implante dos eletrodos é local. Dias explica que é importante que o paciente esteja acordado para que a equipe possa avaliar se os resultados que estão sendo alcançados são esperados. "A fisioterapeuta neurológica fica na sala de cirurgia e realiza testes com o paciente para identificar se houve melhora no quadro dele após o implante", detalha o neurocirurgião.
Dias esclarece que, após o posicionamento correto do eletrodo, o paciente é submetido a uma anestesia geral e uma pequena bateria é instalada embaixo da pele na região do tórax. "A bateria dura entre 5 e 7 anos e só deve ser desligada se o paciente for submetido a uma ressonância magnética", complementa. Além da instalação, o aparelho deve ser programado conforme as características individuais do paciente, mas este procedimento só é realizado pelo médico alguns dias após a operação.

Indicação criteriosa


Por ser profunda e apresentar uma série de riscos, o médico frisa que a indicação da cirurgia é criteriosa. Ele destaca que não são operados pacientes com menos de 5 anos de diagnóstico da doença, a não ser que a causa do problema seja um tumor, além disso há outros pré-requisitos. Pacientes com doenças crônicas, como diabetes, colesterol e hipertensão arterial, só podem se submeter a esta cirurgia se tiverem no máximo 70 anos e se a patologia crônica estiver controlada. O limite de idade sobe para 75, em casos de pacientes que não tenham doença associada. "O paciente também deve responder à medicação de controle da doença (de Parkinson) e ter sido diagnosticado há menos de 20 anos", frisa Dias. Estima-se que cerca de 40% dos portadores da doença de Parkinson podem ser beneficiados com esta cirurgia, que apesar de inovadora, não garante resultados eficazes em todos os pacientes.
Como a doença de Parkinson é crônica, progressiva e não tem cura, este tratamento tem sido uma saída para alguns pacientes, já que os medicamentos que estão disponíveis ajudam a controlar os sintomas, mas não estabilizam o problema. Além da medicação não ser eficaz em todos os pacientes, seu efeito controla somente até 90% da doença, provoca muitos efeitos colaterais e, após vários anos de uso, sua eficácia pode ser reduzida (leia mais nesta página).
A cirurgia de implante de eletrodo para tratamento de pacientes com doença de Parkinson é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelos planos de saúde.

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