O surgimento de novos fármacos tem ajudado a diminuir o agravamento da doença. Para o psicoterapeuta Ivan Capelatto, um tratamento eficaz se baseia no uso de medicações como Imipramina, Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina e outros sais agregados ao apoio familiar e à psicoterapia.
Para ele, sem o apoio familiar, as terapias químicas e psicológicas funcionam com menos eficácia. Esse mesmo pensamento é compartilhado pelo psiquiatra André Burkiewicz, que ainda defende a postura do próprio paciente. "No início há muita dificuldade, mas a partir do momento em que há resultado no tratamento medicamentoso e psicológico o paciente deve tentar retomar as atividades, se forçando um pouco a ir adiante", comenta.
É justamente esse esforço que Paulo Afonso, citado no início da reportagem, faz todos os dias. Ele conta com a ajuda de remédios controlados, do apoio da família e participa do grupo Neuróticos Anônimos (NA), que segue os mesmos moldes dos Alcoólicos Anônimos (AA). As reuniões acontecem em Londrina, às sextas-feiras, a partir das 19h30, em um espaço cedido dentro da Paróquia São Vicente de Paulo, na zona sul. Apesar do encontro ser na Igreja, não há nenhum vínculo religioso.
O empresário começou a frequentar o NA porque a esposa Maria Stella percebeu que só o acompanhamento médico não estava sendo suficiente. "Eu precisava dessa terapia em grupo porque me ajudou a perceber que não estava sozinho. Com outras pessoas revelando seus problemas e medos, iniciamos um processo de troca e isso nos dá indicativos de uma possível solução que talvez não tínhamos pensado antes. Você percebe que seu problema não é o maior do mundo", defende.
Paulo Afonso é depressivo há anos. Em encontros sociais, não dava nenhum indício da doença. Muito pelo contrário, era o mais bem-humorado entre os amigos. Já em casa, era bem diferente. "Me sentia desanimado, sem perspectiva nenhuma. Não conseguia dormir e chorava muito. Até que um dia perdi meu pai, meu irmão e meu emprego. Isso foi o ápice para eu entrar em profunda depressão", diz. Em 2011, ele chegou a ser internado com uma crise aguda da doença.
Hoje, o empresário comemora cada progresso. Voltou a trabalhar e se sente melhor, mas atribui toda essa conquista especialmente à família. "Não dá para simplesmente se isolar. É importante alguém estar ao lado, dar atenção, se dispor a escutar o que a pessoa tem a falar. Acho que é preciso esclarecer que a depressão é uma doença que precisa ser tratada. Não é algo que a pessoa impõe para si mesma", conclui. (M.O.)

mockup