Susto com a primeira menstruação vinda precocemente somado ao medo de parar de crescer antes da hora. Foi por essa experiência que passou Emille Conti Bernini durante as férias escolares quando tinha apenas 9 anos. Hoje, aos 13, ela lembra do momento um tanto ''estranho''. ''Quando veio (a menstruação), eu perguntava para minha mãe o que estava acontecendo, não entendia aquilo'', recorda a garota.
O amadurecimento corporal de Emille apareceu cedo e já na escola ela se via diferente das amigas. A menina comenta que, embora nunca tivesse presenciado nenhum tipo de preconceito por parte dos colegas de colégio, as mudanças antes da hora à incomodavam. Outro motivo de preocupação era a estatura, uma vez que toda a sua família é alta.
Para resolver o problema, Emille submeteu-se a tratamento à base de análogos do LHRH, tomando uma injeção a cada 28 dias. Trata-se de uma substância semelhante ao hormônio produzido pelo próprio organismo, responsável pelo início da puberdade.
A estudante encerrou todo o processo - conhecido como bloqueio puberal - no ano passado depois de ter sua idade biológica equiparada à cronológica e, com quase 1,70 metro, comemora o resultado alcançado. Hoje, até brinca com a situação. ''Minha primeira menstruação, depois do bloqueio, demorou e só veio ocorrer há alguns meses. Nesse meio tempo fiquei ansiosa esperando pelo momento, já que muitas amigas já tinham menstruado'', revela.
Se Emille está feliz hoje, muito se deve à sua mãe, a empresária Valéria Conti Bernini, que percebeu na filha uma tendência a ter a idade óssea avançada em relação à cronológica e rapidamente buscou por auxílio profissional. Ela explica que sempre deu à filha a possibilidade de ter um acompanhamento médico, mesmo antes da descoberta do problema, e considera isso fundamental para que tudo fosse resolvido com tranquilidade. ''Quando descobrimos que o bloqueio puberal seria necessário tive uma conversa com ela (Emille) e não foi difícil convencê-la'', ressalta Valéria.
Segundo a empresária, o impacto emocional que a antecipação da puberdade teria para Emille pesou muito na decisão. ''Uma criança de 9 anos não está pronta para menstruar, isso sem contar em como ela se sentiria caso não crescesse. O efeito do tratamento vai refletir nos filhos, mas a decisão é toda dos pais. Pensamos que isso seria o melhor para ela'', argumenta.
Entrevistada pela FOLHA, uma outra mãe que não quis se identificar aprova o tratamento feito por sua filha até outubro do ano passado e diz ter gostado dos resultados. Ela também atribui aos pais a responsabilidade e incentiva a busca por auxílio médico. ''Minha filha cresceu bem mais do que cresceria se não passasse por esse processo. O tratamento foi tranquilo e acho que os pais devem mesmo buscar ajuda se notarem qualquer coisa'', opina.

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