Tratamento evolui em duas décadas
Novas classes de medicações, formas de prescrição e conscientização da população sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoce. Na avaliação de Licia Maria da Mota, da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), essas são as principais evoluções em relação à artrite reumatoide nos últimos 20 anos.
De acordo com ela, o tratamento medicamentoso é obrigatório para todos os pacientes, pois age no controle da dor e da doença em si. Atualmente existe uma série de medicamentos sintéticos e biológicos, utilizados de acordo com o protocolo da SBR e que apresentam eficácia satisfatória.
"Quem está com atividade inflamatória, se não tratar corretamente e precocemente pode perder a capacidade para as atividades de trabalho. Pode ter dificuldades inclusive para atividades de lazer e, em casos bastante evoluídos, até para o autocuidado, como pentear o cabelo e trocar de roupa", explica.
Para complementar o tratamento quando não há uma atividade intensa da doença, a médica indica a atividade física e uma alimentação saudável. Isso porque os pacientes com AR têm maior risco de infarto por ser uma doença inflamatória.
"Os exercícios aeróbicos vão auxiliar na melhora do condicionamento cardiovascular. E as atividades de fortalecimento são essenciais porque precisamos que o paciente esteja magro para não ter peso excessivo sobrecarregando as articulações e que ele seja forte, pois quanto mais forte a musculatura, melhor a evolução no tratamento", completa.
As modalidades devem ser recomendadas pelo médico reumatologista, mas em geral são as de resistência e baixo impacto, como pilates e eventualmente a musculação com acompanhamento de fisioterapeuta ou educador físico.
Quanto à alimentação, é preciso não abusar das gorduras, sal e açúcar e priorizar alimentos ricos em fibra e cálcio. Porém, não há indicação de que determinado alimento piore ou melhore a artrite.
"Algumas propostas de nutrição apontam que o leite e o glúten teriam ação inflamatória e que, portanto, dietas sem esses elementos seriam recomendadas. Mas isso não tem evidência científica", afirma a médica. (M.O.)




