Tratamento envolve correção postural e prismas
A Escola de Posturologia de Lisboa é pioneira na área e foi nela que o médico Orlando Alves da Silva trabalhou durante duas décadas, com o fisiatra Henrique Martins da Cunha (falecido em 2000), que descreveu, há 36 anos, a Síndrome da Deficiência Postural (SDP).
Cunha verificou que certas crianças que não apresentavam outras razões que justificassem as dores nas costas, pernas, vômitos e náuseas, também revelavam dislexia.
"Ao tratar essas causas, consequentemente, a dislexia desaparecia. Foi então que ele percebeu que o transtorno não era apenas aquilo que se dizia nos livros, mas uma disfunção provocada por alterações no sistema proprioceptivo", destaca Silva.
Os estudos avançaram e, hoje, o tratamento tem como foco o princípio ativo, envolvendo a aplicação de lentes prismáticas junto com a correção postural. "Basicamente, ensinamos como se deve andar, sentar e dormir. Há posições adequadas que são fisiológicas e que, normalmente, as pessoas não adotam. Já as lentes prismáticas têm a função de informar ao cérebro sobre o espaço, obrigando-o a se corrigir", salienta.
Apesar dos prismas utilizarem as vias ópticas secundárias para fazer chegar uma nova informação aos centros cerebrais, que controlam a propriocepção, elas são diferentes das utilizadas para correção visual. "São semelhantes, tanto é que olhando para elas não se nota nenhuma diferença, mas têm funções diferentes", completa Silva.
Essas lentes têm especificações técnicas de montagem que exigem conhecimento por parte do ótico. Elas não têm como objetivo, corrigir a visão, mas podem ser adicionadas às lentes visuais sempre que o paciente necessite.
"Os prismas vêm exatamente para dar uma nova percepção e que, junto com o método de Reeducação da Dinâmica Muscular (RDM), vai retreinar o paciente a melhor se reposicionar no espaço para que ele não crie uma dependência dos prismas. A ideia é que com o tempo, ele se autocure da condição que apresenta hoje", completa a oftalmologista Rita Tavares.




