A palavra transplante nos remete a vários tipos de procedimentos envolvendo órgãos como o coração, fígado ou rins. Dificilmente nos vem a mente o transplante de dentes. Mas esse tipo de substituição não é algo novo e garante eficácia em tratamentos que envolvem a perda dos dentes permanentes, principalmente quando o paciente ainda leva consigo os famosos ''dentes do juízo''. Pesquisas com autotransplantes dentários têm demonstrado altas taxas de sucesso para substituição de dentes perdidos ou até mesmo para os casos de agenesias, quando os permanentes simplesmente não nascem. Apesar de se tratar de um procedimento mais específico, o tratamento é bem indicado para crianças e jovens adultos.
A especialista em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial, Cátia Oliveira Martins, explica que o reposicionamento de um dente de um lado a outro da boca em um mesmo paciente tem se mostrado um procedimento simples, econômico e útil para substituir dentes destruídos por cáries, traumas ou ausentes. ''É um procedimento relativamente simples e proporciona bons resultados. Claro que existem casos que não tem como aproveitar do mesmo dente e daí acaba sendo inevitável um implante, mas sempre que possível, costumo priorizar os dentes naturais'', enfatiza.
As primeiras vantagens sobre o transplante de dentes foram reforçadas pelo estudioso norte-americano John Hunter, já no século XVIII. Cátia lembra que o procedimento é uma alternativa de tratamento quando existe a indicação de extração de terceiros molares (dentes do juízo), podendo ser usado no lugar de próteses, por exemplo. ''A cirurgia é muito semelhante à remoção de terceiros molares, porém uma grande diferença é que o dente transplantado não pode ser danificado durante a manipulação cirúrgica e precisamos ficar atentos ao menor contato possível no dente que será reimplantado'', explica a dentista.
Sorriso natural
A engenheira Mariana Franzon, 27 anos, passou pelo procedimento há cerca de seis anos quando ainda tinha um dente de leite na parte inferior da boca. Preocupada com a presença insistente do dente que já deveria ter caído, ela procurou ajuda odontológica para realização de exames. Naquela ocasião os dentistas descobriram que ela sofria de agenesia, ou seja, não havia nenhum dente para nascer no local do segundo pré-molar inferior direito.
Preocupada com a estética e com a saúde bucal de Mariana, a dentista Cátia resolveu então realizar o autotransplante já que a jovem ainda contava com o terceiro molar superior esquerdo, o ''dente do juízo''.
''Num mesmo procedimento cirúrgico extraímos seus permanentes e então avaliei qual deles tinha o tamanho e condições ideais para ser reimplantado no lugar do dente de leite que seria retirado. O agilidade e cuidado são imprescindíveis para esse tipo de tratamento para garantir que tudo ocorra bem'', enfatiza Cátia.
Depois de fixar o dente no local onde o de leite havia sido retirado, a dentista suturou o local e afixou um arco ortodôntico que a jovem precisou manter por alguns meses até que o organismo dela envolvesse a raíz daquele dente reimplantado. ''No caso dela tinha tudo para dar certo e foi o que aconteceu. A agenesia que ela possuia foi resolvida com a implantação de seu próprio dente'', destaca a dentista.
Orientada pela profissional para tomar cuidados com a higienização e também com a mastigação por um tempo, hoje, Mariana nem sente diferença. ''Foi um pouco complicado no início apenas porque eu tinha que tomar um pouco mais de cuidado na hora de comer e também na hora de limpar, mas hoje em dia é totalmente normal e eu nem me lembro que tenho um dente transplantado'', comenta sorrindo.

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