Transplante cardíaco em Arapongas devolve esperança a homem de 49 anos
Procedimento foi o 1º realizado no Honpar; paciente aguardava um coração após quadro grave de insuficiência cardíaca: 'o transplante representa tudo para mim'
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 2026
Procedimento foi o 1º realizado no Honpar; paciente aguardava um coração após quadro grave de insuficiência cardíaca: 'o transplante representa tudo para mim'

O Hospital Honpar, em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), realizou o primeiro transplante cardíaco da instituição. O beneficiado é um boiadeiro de 49 anos, morador de Paranavaí (Noroeste). Após 77 dias de internação e espera por um coração compatível, o paciente foi submetido à cirurgia em 7 de agosto. A condição é estável e deve receber alta hospitalar no dia 26 de agosto.
O boiadeiro foi diagnosticado em 2019 com insuficiência cardíaca avançada de etiologia chagásica e, ao longo dos últimos anos, enfrentou o agravamento progressivo da condição clínica. Em 2024, diante da evolução da doença, foi necessária a implantação de um Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI), dispositivo utilizado para identificar e tratar arritmias cardíacas graves.
No dia 21 de maio de 2026, ele deu entrada no Honpar em estado crítico, com insuficiência cardíaca descompensada. A gravidade do quadro exigiu internação em Unidade de Terapia Intensiva, com cuidados contínuos, uso de medicamentos e suporte especializado para manutenção de sua condição clínica e da função cardíaca.
A partir daquele momento, começou uma longa espera. Foram 77 dias de internação marcados pela expectativa de encontrar um coração compatível com as características físicas e clínicas do paciente, respeitando critérios fundamentais para a segurança do transplante.
Corrida contra o tempo
A notícia que mudaria o rumo dessa história chegou na noite do dia 6 de agosto: havia um coração compatível proveniente de um doador do sexo masculino, do Paraná.
Teve início, então, uma verdadeira corrida contra o tempo. Enquanto a família do paciente era acionada em Paranavaí, uma complexa operação logística foi coordenada pela Organização de Procura de Órgãos de Londrina e pela Central Estadual de Transplantes do Paraná.
O coração captado foi transportado na aeronave da Polícia Militar para que chegasse a tempo da realização do transplante, que aconteceu na manhã de 7 de agosto. O procedimento foi realizado pela Comissão de Transplante de Coração e Válvulas do hospital, sob a coordenação médica do cirurgião cardiovascular Arnaldo Akio Okino.

Um coração batendo
Os primeiros dias após o procedimento foram de grande complexidade. O paciente permaneceu por dez dias na UTI, sob acompanhamento intensivo da equipe multiprofissional. Gradativamente, apresentou evolução clínica favorável e, no dia 17 de agosto, recebeu alta da UTI, sendo transferido para a unidade de internação, onde passou a contar ainda mais de perto com a presença dos familiares.
O morador de Paranavaí permanece estável e em recuperação na unidade de internação. Mantida a evolução favorável, a previsão é de que possa receber alta hospitalar no dia 26 de agosto. "(O transplante) representa tudo, porque antes minha vida estava acabando", resumiu o paciente.
"A recuperação está sendo muito boa. Houve um período crítico, que era esperado no pós-operatório imediato, passou por esse momento e ele vem melhorando cada vez mais", explica o médico. "Ele já começa a sentir a diferença de ter um coração batendo, um coração bom funcionando. Então, aquela falta de ar que ele sentia já não tem mais."

Sobre a necessidade de transplante cardíaco, o médico diz que a indicação é muito precisa. “É aquele paciente que já passou por todas as etapas de tratamento de uma síndrome, que é a insuficiência cardíaca. Já tomou todas as medicações possíveis e não tem indicação de tratamento cirúrgico, como fazer uma ponte de safena, trocar uma válvula ou implantar algum dispositivo, como marcapasso”, detalha. “E a doença evolui”, acrescenta.
Importância da doação de órgãos
Para Okino, este procedimento representa o início de uma nova fase. “Este foi o primeiro procedimento, mas agora se abre uma nova etapa. A expectativa é que novos pacientes possam ser beneficiados e que outras histórias tenham a oportunidade de recomeçar", afirma o profissional, que atua há mais de duas décadas à frente da equipe de transplantes de coração e válvulas cardíacas da instituição.
"Mas nada disso seria possível sem um gesto fundamental: a doação de órgãos. Por isso, também queremos destacar e agradecer profundamente à família que, mesmo em um momento de tanta dor, tomou a decisão de doar. Esse gesto de generosidade permitiu salvar uma vida e representa esperança para tantos outros pacientes que aguardam por uma nova chance”, ressalta o médico.
A realização do transplante representa não apenas um marco na trajetória do paciente, mas também uma nova etapa para o programa de transplantes do hospital, onde mais de 90% dos atendimentos são destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo acesso a serviços de média e alta complexidade. A instituição atende pacientes de Arapongas e de diversos municípios do Paraná.
(Com informações da Assessoria do Honpar)



