Toxina botulínica é indicada em alguns casos
O cirurgião-dentista Glaykon Stabile explica que o paciente que apresenta bruxismo geralmente possui outras disfunções têmporo-mandibulares e o tratamento, então, pode variar para cada caso, mas na maioria é multidisciplinar.
Pode ser desde um suporte psicológico, mudanças de hábitos, exercícios, ajustes nos encaixes dos dentes, substituição de dentes perdidos, uso de aparelhos intrabucais, medicamentos e até a toxina botulínica tipo A.
"Ela (toxina botulínica) possui indicações em casos específicos, onde as medidas convencionais não surtiram os efeitos desejados ou no tratamento de alguns tipos de problemas musculares e articulares provocados pelo bruxismo. Porém, seu uso isolado geralmente não surte o efeito necessário e, portanto, deve ser associado com outras terapias", diz Stabile.
Segundo o cirurgião-dentista, a toxina botulínica impede que o estímulo elétrico vindo dos neurônios faça com que os músculos se contraiam. Deste modo, a substância ajuda a "regular" a quantidade de força realizada pelo paciente na mordida, diminuindo a sobrecarga e suas consequências.
Seu uso é contraindicado em pacientes gestantes ou que estão amamentando e também deve ser utilizado com cautela em algumas doenças neurológicas raras ou em conjunto com alguns tipos de remédios.
O custo vai depender da quantidade de toxina necessária, honorários, custos operacionais e impostos inerentes. Mas para se ter uma ideia, uma ampola pode custar mais de R$ 2 mil, dependendo da dose.
"Segundo a legislação vigente, os cirurgiões-dentistas podem aplicar a toxina para o tratamento da disfunção. Entretanto, é uma medicação muito potente e perigosa se mal empregada. A recomendação é que seja aplicada apenas por profissionais com treinamento específico no uso da substância, nas estruturas faciais e no tratamento das disfunções têmporo-mandibulares", ressalta.
Ainda de acordo com Stabile, a aplicação é rápida e na maioria dos casos o paciente pode sair do consultório e ir direto para o trabalho. O efeito começa a ser sentido após alguns dias e pode durar de quatro a oito meses. (M.O.)




