Torcicolo congênito exige atenção
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domingo, 11 de setembro de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local <br> 
Uma dor incômoda que impede a movimentação do pescoço, o torcicolo, quase sempre tira o sono de quem o tem e obriga uma visita ao fisioterapeuta. O que pouca gente sabe é que o problema não atinge apenas adultos.
Em sua forma congênita, o torcicolo pode ser percebido em um a cada 250 recém-nascidos e, na maioria das vezes, é motivado pelo mau posicionamento do bebê no ambiente intrauterino, o que diminui a oxigenação para o músculo do pescoço chamado de esternocleidomastóideo.
''A criança inclina a cabeça para um lado e roda o rosto para o outro. Este é o melhor jeito de a mãe identificar o problema, já que ela vai ver que o filho fica com o pescoço apenas para um lado e o rosto em sua contra lateral'', explica a fisioterapeuta Marcia Aoki.
Notar o problema nem sempre é fácil, já que os bebês têm a tendência de apresentar um pescoço ''mole'', porém a fisioterapeuta destaca que é fundamental para os pais observarem se a criança possui algum sintoma. De acordo com ela, 97% dos torcicolos descobertos até os três meses de idade são solucionados apenas com o tratamento fisioterápico.
''Além do posicionamento do pescoço, uma das maneiras mais comuns de se notar o problema é a hora da mamada. A criança só pede um lado, porque quando vai para o outro peito, sente muita dor e chora'', aponta Marcia.
O tratamento, segundo a fisioterapeuta, envolve exercícios manuais, alongamento, posicionamento, termoterapia (uso de bolsas térmicas na região afetada) e estímulos elétricos. Para um bom resultado, no entanto, a participação dos pais é fundamental, de acordo com Marcia. ''Os pais devem tomar uma série de cuidados em casa. Segurar o filho de maneira correta e posicionar o berço em uma posição em que ele rode a cabeça para o lado oposto ao do torcicolo são algumas das dicas'', diz.
A profissional alerta que o tratamento é fundamental e pode evitar problemas mais sérios, como o aparecimento de assimetria craniana e facial, além da escoliose.
Surpresa
A supervisora de controle de qualidade Rosimeire de Fátima Garcia procurou auxílio médico assim que notou sintomas em seu filho, Rafael Leandro Campos, hoje com sete meses de idade. ''Desde o primeiro mês percebi que ele entortava a cabeça para o lado direito, mas como bebê tem o pescoço mole resolvi esperar. Com o tempo vi que o problema seguia e quando ele estava com cinco meses resolvi iniciar o tratamento'', conta.
Saber que o seu bebê tinha esse problema foi uma supresa para Rosimeire, que antes só havia ouvido falar de torcicolo em adultos. ''Jamais pensei que um bebê pudesse ter torcicolo, então imaginava que o problema dele fosse algo bem pior'', observa. Apesar do tratamento ser recente, a mãe já sente a diferença. ''Com dois meses de fisioterapia ele está muito bem e, provavelmente, receberá alta quando completar um ano'', comemora.
Rosimeire tem consciência de que Rafael precisará fazer visitas esporádicas ao médico para monitorar o quadro de torcicolo, mas acredita que este seja o menor dos problemas. ''O torcicolo pode acarretar uma série de outras doenças, por isso foi fundamental tê-lo descoberto cedo. Quando os pais desconfiam de algo, devem procurar um profissional'', aconselha.

